Municípios do Guamá começam a se organizar em consórcio. O assunto foi discutido durante o I seminário de desenvolvimento sustentável da região do Salgado realizado em Terra Alta e reuniu representantes da sociedade civil organizada, bancos do Brasil e da Amazônia, poder público, Universidades, Federal do Pará (Ufpa) e Federal Rural da Amazônia ( Ufra).
A proposta une Marapanim, São João da Ponta, Curuçá e Terra Alta, que compõem a microrregião do Salgado e visa construir políticas públicas comuns para os quatro municípios. A microrregião do Salgado fica na região do Guamá que compreende a área geográfica constituída pelos territórios dos Municípios de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Estado do Pará, nos moldes do Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Ministério da Integração (Promeso). Os prefeitos também discutem um processo de apoio para atender a chegada do porto de exportação Espadarte pensado para ser implantado na Ilha dos Guarás em Curuçá.
" A constituição do consórcio é um desafio, precisamos encontrar juntos as soluções para os problemas, administração pública depende todos, inclusive do empenho da sociedade", disse Nelson Santa Brigida, prefeito de São João da Ponta.
" É importantíssimo esse fórum, porque aqui discutimos a linha de trabalho de nossas ações, não adianta solicitarmos políticas públicas aos nossos municípios que não sejam cabíveis a essa região", argumentou o prefeito de Curuçá, Fernando Cruz.
O deputado federal Paulo Rocha lembrou que o consórcio tem identidades para quebrar o partidarismo e ter unidade de ação, "o país está num elevado processo de desenvolvimento econômico, saindo do processo de engessamento que tinha um modelo econômico injusto que acumulava riqueza na mão de poucos. Isso está sendo corrigido", disse o parlamentar, que garantiu para o consórcio através de emenda, um milhão de reais para a aquisição de uma patrulha mecanizada para os quatro municípios.
Anderson Serra, gerente do Programa Campo Cidadão coordenado pela Secretaria de Estado de Agricultura ( Sagri), apresentou as diretrizes da política de desenvolvimento rural sustentável no Pará e as contribuições para o consórcio de municípios que está dentro da estratégia dos Arranjos Produtivos Locais, ( APLs), que leva em conta a vocação da região, definida como, pesca e aqüicultura, pequenos e médios animais e fruticultura.
Segundo a secretária de pesca e aqüicultura o governo do estado tem se mostrado muito presente na região que é pólo pesqueiro no estado, " só nesse setor já investimos cerca de meio milhão de reais para a estação de pesca e aquicultura e temos previsão de investimento de mais 3,5 milhões de reais para expandir todo esse potencial", disse secretária de Aquicultura e Pesca, Socorro Pena.
Sueo Numazawa, reitor da Universidade Federal Rural da Amazônia, disse que a Ufra pode contribuir com a região que está dentro do plano de desenvolvimento da instituição, "é importante que aqui chegue também o Navegapará, para que possamos atuar com ensino a distancia, nossa primeira ação será a formação e qualificação os professores", solicitou o representante da academia.
Alexandre Cunha professor da Ufpa, enfatizou que é necessário que a sociedade discuta os impactos, sociais e ambientais que chegarão com o projeto Espadarte que tem importância relevante para a região, " estamos aqui para contribuir com o processo".
O porto Espardate- O terminal marítimo offshore Espadarte com capacidade de receber navios de até 400 toneladas, os maiores do mundo, vai atender grãos e minérios, com potencial de movimentação anual de 300 mil toneladas. A obra tem previsão de 16 meses. O projeto foi apresentado pelo engenheiro portuário Nelson Ponte Simas, segundo ele com garantias de viabilidade e sem grandes impactos ao meio ambiente.
Iolanda Lopes- Sagri.