"Sino da Vitória" é tocado pela primeira vez no Hospital Oncológico Infantil

19/07/2019 22h35 - Atualizada em 19/07/2019 22h57
Por Marcelo Leite (HOIOL)

Comemorar é sempre importante quando se conquista algo muito esperado ou quando se realiza um sonho. Para quem está luta contra um câncer, superar cada uma das muitas etapas do tratamento, é sempre motivo de celebração. Para um grupo de 10 crianças e adolescentes que fazem tratamento no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém (PA), a semana encerrou com uma celebração pelas vitórias no tratamento.

Elas foram as primeiras a tocar o 'Sino da Vitória', inaugurado nesta sexta-feira (19), em uma cerimônia marcada pela diversão de tocar o sino para os mais novos e pela emoção para os adolescentes.

"Foi muito emocionante. Acabei relembrando tudo que passei e poder compartilhar esse momento com outras crianças, foi um momento único. Não é qualquer um que ganha uma batalha dessas", conta Igor Correa, de 19 anos, que venceu uma leucemia e está há 6 anos fora de tratamento.

Assim como o Igor e os nove pacientes que tocaram o Sino, outras 490 estão atualmente fora de tratamento. Além delas, outras 260 estão em tratamento regular com consultas e quimioterapias semanais e esperam poder receber o mesmo diagnóstico de cura para poder tocar o sino.

Para a diretora hospitalar do Oncológico Infantil, Alba Muniz, o sino deve se tornar um símbolo de superação para todos que passam pelo hospital. "São crianças que enfrentam batalhas de gente grande e quem vive com eles como os familiares, os funcionários do Hospital e os voluntários também querem comemorar essa mudança. Agora que o Sino está instalado, esperamos ouvir esse toque por muitos e muitos anos", ressalta a diretora.

Referência - Atualmente, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo é a referência para o diagnóstico e tratamento especializado gratuito para crianças e adolescentes com câncer no Pará e estados vizinhos como o Amapá.

Inaugurado em outubro de 2015, o hospital atende cerca de 800 crianças e já um dos maiores do país em números de atendimentos realizados exclusivamente para a oncologia pediátrica. Em três anos, foram 602 casos diagnosticados, com mais de 800 mil atendimentos realizados, entre eles 87.384 sessões de quimioterapia e 41.049 consultas, com um índice de aprovação atual de 98% dos usuários.

Números - De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), até o final deste ano, cerca de 12 mil novos casos de câncer deverão ser diagnosticados em crianças e adolescentes com faixa etária de 0 a 19 anos, no Brasil.

A região Norte deve ter o menor número de registros, com estimativa de 1,2 mil ocorrências, seguida pelas regiões Sul (1,3 mil), Centro-Oeste (1,8 mil), Nordeste (2,9 mil) e Sudeste (5,3 mil). Os casos de leucemia predominam nessa faixa etária, com 26% dos casos, seguido por linfomas e tumores do sistema nervoso central (SNC).