Parceria propõe contratação de internos como mão de obra em empresas

26/09/2019 16h09 - Atualizada em 26/09/2019 17h12

O governador Helder Barbalho também participou da visita técnica e expôs aos empresários a importância dessa parceria para a ressocialização dos  internos.Capacitar a mão de obra dos internos para promover novas oportunidades de reinserção social. Esse é um dos objetivos do projeto Unidades Prisionais Produtivas da Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) que, nesta quinta-feira (26), recebeu os representantes do Sindicato das Indústrias Minerais do Pará (Simineral), Federação das Indústrias do Estado (Fiepa), Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Sindicato da Indústria da Construção do Pará (Sinduscom), além de outros empresários, no Complexo Penitenciário de Santa Izabel.

Na ocasião, os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer os espaços da unidade prisional, detalhes do projeto e ainda o trabalho de atuação da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP). "Nós vamos mostrar aqui que o Complexo de Americano está cada vez mais seguro e nós temos mão de obra no sistema penitenciário que quer trabalhar e produzir", disse o secretário Extraordinário para Assuntos Penitenciários, Jarbas Vasconcelos. 

O governador Helder Barbalho também participou da visita técnica e expôs aos empresários a importância dessa parceria para a ressocialização dos  internos. "Nós estamos trazendo empresários e líderes de segmentos da nossa economia para fazer um chamamento, para que eles possam aproveitar esta mão de obra, que é ociosa e mais barata, mas acima de tudo pela oportunidade de ressocialização. Nós temos a obrigação de demonstrar ao apenado que é possível ter um horizonte, uma esperança e uma oportunidade nova para sua vida”, ressaltou. 

De acordo com a Susipe, o modelo do projeto de utilizar o espaço das unidades prisionais para executar atividades produtivas com a mão de obra carcerária é uma tendência moderna.O chefe do Executivo estadual estava acompanhado da primeira-dama, Daniela Barbalho, do vice-governador, Lúcio Vale, e do deputado Chicão. O vice-governador pontuou os benefícios mútuos do programa. "Os empresários, além de poderem contribuir com a reinserção do apenado, também ganham no sentido do custo que é menor", disse Lúcio.

O coordenador institucional da FTIP, Maycon Rottava, fez uma apresentação do trabalho dos agentes nas unidades prisionais do estado e mostrou a evolução da organização nas unidades prisionais onde o grupo atua diretamente. Ele também destacou a importância da ocupação dos internos durante o cumprimento da pena.

"Esse é um dos protocolos que a Força de cooperação busca. Fazemos o primeiro contato, que é a ocupação, a implementação de procedimentos, para no final das ações chegarmos ao trabalho de ressocialização e busca de presos com disciplina que cumpram os requisitos para sair do sistema penitenciário com algum encaminhamento", destacou Maycon. 

O coordenador institucional da FTIP, Maycon Rottava, fez uma apresentação do trabalho dos agentes nas unidades prisionais do estado e mostrou a evolução da organização nas unidades prisionais onde o grupo atua diretamente. De acordo com a Susipe, o modelo do projeto de utilizar o espaço das unidades prisionais para executar atividades produtivas com a mão de obra carcerária é uma tendência moderna. A intenção é aumentar a quantidade de presos que trabalham e estudam, porque não há reincidência com a criminalidade com os apenados que realizam as duas atividades. Outro ponto importante é que a cada 3 dias de trabalho a pena do interno é reduzida em 1 dia.

Os empresários que participaram da visita ao Complexo Penitenciário de Santa Izabel avaliaram de uma forma positiva as transformações que a unidade passou com a atuação da FTIP, e têm expectativas para atuar em parceria com o projeto.

"Estrategicamente falando, o Complexo Penitenciário de Santa Izabel é o ideal para a implantação de um polo industrial das mais variadas atividades, desde que compatíveis com a segurança dos internos e, naturalmente, com a segurança do local. A Faepa vê com muito bons olhos isso", disse Vilson Schuber , vice-presidente da Federação. 

Quem contratou internos para trabalhar na produção compartilha as experiências positivas obtidas e estimula os outros empresários a participarem desse projeto. É o caso do Júnior Zamperlinni, empresário de Capitão Poço, que trabalha na produção de laranjas no nordeste do Pará e há quatro anos contratou internos do sistema prisional. No início, contava com 10 apenados e hoje são 30, e a ideia é expandir ainda mais.

"Nunca tivemos problema algum com os internos. Economicamente é bom e é bom também poder fazer a parte social. Esse convite de trazer a empresa para dentro do sistema prisional é uma oportunidade boa e pretendemos instalar uma fábrica de sacolas para que sejam fabricadas aqui dentro”, planejou Zamperlinni.

Os empresários que participaram da visita ao Complexo Penitenciário de Santa Izabel avaliaram de uma forma positiva as transformações que a unidade passou com a atuação da FTIP, e têm expectativas para atuar em parceria com o projeto.

Unidades Prisionais Produtivas – A Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará fez um chamamento, por meio de um edital público, para os empresários que têm interesse na utilização do espaço público das unidades prisionais, para executar atividades produtivas com mão de obra carcerária. A exigência é que a empresa atenda todos os termos do edital, aberto até o dia 4 de outubro. 

Força-Tarefa – 120 agentes da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária continuam a atuação nas unidades prisionais. O trabalho do grupo iniciou em agosto deve se estender por pelo menos mais 30 dias – prazo este que pode ser prorrogado. O governador do Estado destacou a importância dessa parceria.

"A parceria da Força de Cooperação tem sido fundamental para que possamos estabelecer um novo ambiente no sistema penitenciário do estado, estabelecer regras, normas, garantir direitos e, acima de tudo, assegurar que o Estado é capaz de fazer valer as decisões da Justiça, que este seja um ambiente adequado para a custódia e o cumprimento das penas, mas também adequado para o processo de reeducação, de ressocialização", finalizou Helder Barbalho.

Por Laíse Coelho (SECOM)