Projeto artístico apresenta possibilidades a jovens infratores

09/10/2019 16h39 - Atualizada em 09/10/2019 17h40
Por Alberto Passos (FASEPA)

Os adolescentes mostram toda a sensibilidade artística nas oficinas de pintura predial artísticaTintas, traços, pincéis e o colorido de quem pretende pintar um futuro repleto de esperança e possibilidades. É diante desse cenário que dezenas de adolescentes e jovens custodiados na Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa) expressam sua sensibilidade artística durante as oficinas de pintura predial artística desenvolvidas nas unidades socioeducativas da instituição.

É consenso por parte da equipe multidisciplinar da Fasepa de que a arte com o viés da profissionalização, e as suas mais variadas formas de expressão, são uma excelente ferramenta pedagógica de inclusão social e transformação pessoal. Dessa forma, além de deixar os espaços mais agradáveis e acolhedores, a atividade faz com que os socioeducandos comuniquem seus sentimentos a partir de uma leitura e interpretação peculiar das situações vivenciadas por eles.

O muralismo é uma das artes incentivadas pela FasepaOportunidade - “É uma oportunidade de aprender algo novo aqui dentro. Eu me sinto em paz e espero participar cada vez mais de atividades aqui”, declarou um rapaz de 18 anos, inserido no projeto. Àquela altura, o jovem enxergava o projeto como uma maneira de receber as orientações de que precisava para seguir em frente, e melhor: “com as próprias pernas”, acrescentou.  

Além do muralismo, os arteeducadores da Fasepa também desenvolvem diariamente outras linguagens artísticas, como aulas de violão e percussão, teatro, dança, artesanato, pintura em tela, outros. “A nossa intenção é, também, oportunizar a iniciação profissional artística e proporcionar um ambiente agradável, de pertencimento, valorização e preservação do espaço”, esclareceu Lilian Mello, coordenadora do espaço artístico e cultural Apoena.

É importante ressaltar, porém, que essa atividade versa com o muralismo, no entanto, se diferencia quanto às orientações repassadas aos jovens sobre os processos em que a tela, neste caso, a parede, passará pelas intervenções no seu aparelhamento, ao preparar o local que será modificado, como raspar, emassar, lixar, respeitar o tempo de cura, tirar possíveis imperfeições, fazer textura.Os espaços ganham cores e esperanças com o resultado das oficinas

Atualmente, cerca de 50 adolescentes participam do projeto e a previsão, segundo os organizadores, é que  atenda todas as unidades socioeducativas localizadas na Grande Belém, além de Marabá e Santarém, situadas na região sudeste e oeste do Pará, respectivamente. Entre as unidades que já receberam ações do projeto estão o Centro Juvenil Masculino (CJM), o Centro de Internação do Jovem Adulto Masculino (Cijam), espaço cultural Apoena e o Centro de Atendimento em Semiliberdade Feminino (Casf).

O fato de estarem privados de liberdade não quer dizer que eles não sejam sujeitos de direitos, como está disposto no próprio Art. 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), quando diz que é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

A arte nas unidades da Fasepa é meio de expressão e de reinserção socialCom notórios serviços prestados à socioeducação, o arteeducador da Fasepa, Augusto Fonseca, diz que são observados alguns critérios para inclusão dos jovens que participam das atividades. “São analisados critérios da subjetividade e identificação por modalidade. Nós também observamos que de forma quase unânime, os jovens atendidos nesta oficina demonstram plena adesão, participação, entusiasmo e envolvimento na ação”, declarou.

Em linhas gerais, para que os socioeducandos sejam integrados a qualquer ação, “verifica-se o perfil de afinidade deles e também avaliativo da equipe técnica da unidade”, finalizou Augusto.