Uepa e IPT ensinam a tratar água e resíduos do manejo da mandioca

13/11/2019 16h37 - Atualizada em 13/11/2019 17h59
Por Nailana Thiely (UEPA)

Aproximar a sociedade das pesquisas tecnológicas, dividir conhecimentos e experiências sobre a destinação sustentável de resíduos da mandioca em ciclos de produção e circulação, bem como amparar ações voltadas ao auxílio de pequenos e médios produtores de mandioca do Estado, em áreas urbanas e rurais, são os objetivos do curso Tecnologias de Tratamento de Águas e Resíduos, realizado por profissionais do Instituto de Pesquisa Tecnológica do Estado de São Paulo (IPT), até esta quinta-feira (14), no Centro de Ciências Naturais e Tecnologia (CCNT), da Universidade do Estado do Pará (Uepa).

O curso é voltado a professores e pesquisadores das áreas de Ciências Ambientais e Tecnologia de AlimentosO curso é ministrado pela diretora do Centro de Tecnologias Geoambientais e pesquisadora no Laboratório de Resíduos e Áreas Contaminadas no IPT, Cláudia Teixeira, e pelo doutor em Engenharia Civil e pesquisador do Instituto, Luciano Zanella, por meio do Termo de Cooperação Técnica assinado entre Uepa e IPT, durante o XVII Congresso Brasileiro de Mandioca, realizado ano passado, em Belém.

O Termo tem a duração de cinco anos e garante a mútua cooperação técnica, científica e acadêmica para o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão, entre IPT, Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e curso superior de Tecnologia em Alimentos, da Uepa, garantindo auxílio científico por meio de treinamentos, intercâmbios e consultorias.

Voltado para professores e pesquisadores das áreas de Ciências Ambientais e Tecnologia de Alimentos, o primeiro curso desta parceria pretende oferecer uma visão abrangente sobre manejo de águas e demais resíduos, incluindo aspectos normativos e tecnológicos de processos de tratamento, aliado aos conceitos de sustentabilidade, considerando a viabilidade econômica, social e ambiental.

A pesquisadora do IPT, Cláudia Teixeira, aborda no curso tópicos de gestão de resíduos sólidos. Para ela, a principal contribuição que esse conhecimento pode trazer para a região é enxergar as possibilidades de integração da sociedade no manejo sustentável de resíduos orgânicos, tanto domésticos quanto da agroindústria, de forma a fechar ciclos de aproveitamento sem o despejo arbitrário no meio ambiente. “Neste curso, expomos nossa experiência de aproveitamento de água residuária da produção da fécula de mandioca, transformando as lagoas de estabilização em biodigestores. A economia circular é uma alternativa de agregação de valor a estes resíduos, uma abordagem mais sustentável, que gera receita e emprego. O objetivo é adaptar esta expertise à realidade da região”, disse a estudiosa.

Visitas técnicas - Além da abordagem teórica, o curso inclui visitas técnicas a produtores de farinha e outros derivados da mandioca. Luciano Zanella é o responsável no curso pelos tópicos de tratamento de efluentes, que são resíduos provenientes das indústrias, dos esgotos e das redes pluviais, lançados no meio ambiente na forma de líquidos ou gases.

Segundo ele, a produção regional de farinha pode ser adaptada ao melhor aproveitamento de resíduos. “Apesar do engajamento de profissionais e do poder público local, verificamos que há melhorias que podem ser implantadas neste ciclo de agricultura da mandioca. Fomos visitar algumas farinheiras e verificamos que alguns esgotos gerados são lançados no próprio terreno. A forma como esse despejo vem sendo feito pode receber intervenção da universidade de forma a evitar contaminações do solo, gerando melhorias na saúde da população”, informou Luciano Zanella.

Os desdobramentos práticos dos conhecimentos adquiridos no curso envolvem estudantes e professores em pesquisas aplicadas a pequenos e médios produtores de derivados da mandioca. Para o próximo ano, no âmbito do convênio, está prevista a busca de recursos para financiamento de projetos de pesquisa, selecionados por meio de edital.

Parcerias - Há também uma parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) e Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio) para articulação com comunidades e produtores locais.

O professor Werner Terrazas, coordenador do convênio Uepa/IPT, disse que a expectativa é o curso oferecer uma base para a criação de projetos para o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) e dissertações de mestrado. “A principal demanda das unidades de processamento de farinha da região é o destino adequado para os resíduos. Este curso fornece conhecimentos para uso de água e outros recursos, dentro de certos padrões de qualidade, gerando efluentes e resíduos com padrões de qualidade que permitam sua disposição final com impactos dentro de limites aceitáveis”, explicou o coordenador.