Mostra Multi Artística no Arquivo Público homenageia a capital paraense

21/01/2020 14h35 - Atualizada em 21/01/2020 15h20
Por Thaís Siqueira (SECULT)

As homenagens ao aniversário de Belém seguem até o final deste mês com a Mostra Multi Artística, realizada pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). As obras de três artistas do campo da fotografia, literatura e artesanato estão expostas na sede histórica do Arquivo Público. Os visitantes podem prestigiar o trabalho até o dia, 31, de 8h às 15h. A entrada é gratuita e livre para todos os públicos.

A literatura está presente por meio da obra do poeta Juraci Siqueira sobre a cidade. São 12 textos, entre poemas e crônicas, dedicados à capital paraense e expostos no espaço. “Eu escrevo sobre Belém, e sobre a Amazônia de um modo geral, porque acredito que devemos passar para as novas gerações um pouco da nossa cultura. Ninguém ama ou defende aquilo que não conhece, então coloco Belém no papel não apenas enquanto arquitetura, mas enquanto povo, personagem da nossa história”, disse o autor, que já escreve há 40 anos. Os escritos foram extraídos dos livros “Simplesmente Belém” e “Belém nossa de cada dia”. São materiais produzidos desde a década de 1980 com a temática da cidade.

Já o fotógrafo Faustino Castro, com 24 anos de profissão, conta que ainda se encanta com as belezas da capital paraense e revela o que mais o motiva a registrar as imagens da cidade. “Belém é repleta de cartões-postais, mas no dia a dia não damos muita atenção a eles. Quando são imortalizados nas fotografias, eles passam a ter outro significado e despertam um olhar mais atento das pessoas”, disse. As oito fotografias escolhidas para serem expostas no Arquivo Público fazem parte da coleção “Os marcos de Belém”, que traz cliques de monumentos emblemáticos da cidade.

Os barcos que formam o cenário característico dos rios da Amazônia inspiraram o artesão José Irineu dos Santos. Nordestino e morador de Belém há 57 anos, ele não deixa de se encantar com a vista da cidade e transmite essa paixão para seu trabalho. “Cheguei aqui de barco e acredito que daí veio essa inspiração. Mas só anos depois de me mudar para a cidade foi que comecei a produzir essas esculturas", conta o artesão. O material que o artista mais usa é a madeira, principalmente cedro, ipê e jatobá. Além dos barcos, ele faz toca de índios, maquete de casa, casa de forno de farinha, entre outros produtos.

Para o diretor do Arquivo Público, Leonardo Torii, a iniciativa busca democratizar esses espaços. "A ideia é atrair um público bem diversificado, além daquele que já visita o local para fazer pesquisas. Queremos transformar o Arquivo também em um lugar de exposições, fotografias, artesanatos e de diversas outras formas de se expressar".

Leonardo Torii conta que o processo de escolha das peças procurou chamar a atenção para a história da capital. "É importante contextualizar a tradição desses monumentos com a própria história da cidade. Então, selecionamos algumas obras que retratam bem o cotidiano de Belém e das pessoas que a formam", explicou o diretor.