Agência Pará
pa.gov.br
Ferramenta de pesquisa
ÁREA DE GOVERNO
TAGS
REGIÕES
CONTEÚDO
PERÍODO
De
A
MEIO AMBIENTE

Governo realiza transplante inédito de samaumeiras na BR-316

Replantio das árvores faz parte do projeto de paisagismo da rodovia

Por Michelle Daniel (NGTM)
02/02/2020 12h25

“Eu pensei que ela seria completamente cortada, mas, achei ótimo quando soube que seria transferida. Vou ficar sempre perto dela. Para mim, é algo muito especial olhar para uma árvore vendo ela crescendo a cada dia. Fico muito satisfeito”, comentou o operário Eliseu Ramos da Silva, de 81 anos, morador do bairro Guanabara, em Ananindeua, ao acompanhar o transplante de uma das duas samaumeiras que estavam localizadas no canteiro central da BR-316, no KM-3, na manhã do sábado (1º). A iniciativa inédita, desenvolvida pelo Governo do Estado por meio do Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano (NGTM), na grande Belém, integra o projeto de paisagismo da Nova BR que nos primeiros 10, 8 km prevê o plantio de 26 diferentes tipos de árvores e 1.594 mudas nos canteiros central e lateral da rodovia.

O trabalho contou com a participação de engenheiros e especialistas na área ambiental, além de representantes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). A primeira árvore a ser transplantada foi a menor, na tarde da sexta-feira (31), o que durou cerca de 2 horas. Já a árvore maior, foi retirada logo no início da manhã de sábado (1º) e levou aproximadamente 6h todo o procedimento. Agora, as árvores passam a se desenvolver em uma das pétalas do viaduto do Coqueiro, sentido Belém-Marituba.

Todas as etapas da ação foram realizadas em cinco dias, períodos do dia e da noite, conforme o cronograma, para gerar menor impacto no fluxo de veículos naquele trecho da BR-316. Também foi necessário a poda total das árvores devido a uma passarela localizada a caminho do destino das samaumeiras. A árvore maior possui em torno de 25 anos, tem 10 metros de alturea (sem folhagem) e pesa cerca de 15 toneladas. Já a menor, tem em torno de 12 anos, atinge altura de 7 metros (sem folhagem) e pesa cerca de 5 toneladas.

Projeto – Inicialmente, o projeto da Nova BR previa o corte com supressão vegetal das duas árvores, porque elas estão na faixa de domínio das obras. Mas, o Governo do Estado, sensível à causa ambiental, decidiu pela manutenção das samaumeiras por meio do transplante.

“Ainda que elas continuassem ali, não resistiriam aos impactos da construção. Então, procuramos uma empresa especializada e estamos fazendo o possível para salvá-las”, explica o engenheiro Eduardo Ribeiro, diretor-geral do NGTM.

O projeto foi apresentado para representantes de entidades ligadas à preservação do meio ambiente e que atuam na região pelo NGTM e Iderflor-Bio, parceiro na ação no dia 21 de janeiro, no Parque do Utinga.

"Entendemos que o transplante das samaumeiras se configura como alternativa de compensação louvável, dada a importância dessa espécie, que é uma árvore mitológica para nossa região, tanto pelo seu imponente tamanho mas principalmente pelo serviço ecossistemico que desempenha no nosso bioma amazônico. O Governo do Pará e todos os municípios que compõe este Estado tem a obrigação de defender nossos recursos naturais e nossa biodiversidade, por isso congratulamos o Governo do Estado do Pará na atenção as Samaumeiras da BR 316. Reflorestamento urbano e rural pode trazer maior qualidade de vida e desenvolvimento econômico e sustentável para a população em geral", comentou Brenda Lopes, deiretora de projetos do Instituto Manguezal.

Outras três samaumeiras, duas delas localizadas na rodovia próximo ao viaduto do Coqueiro, e uma na área onde está sendo construído o prédio do Centro de Controle Operacional (CCO) – no complexo do Comando Geral da Polícia Militar, na Augusto Montenegro – também serão integralmente preservadas devido a uma readequação no projeto e não precisarão ser retiradas do local. O Ideflor-bio fará a doação de 10 mudas da mesma espécie para o plantio no Parque do Utinga, área de conservação estadual.

A samaumeira é protegida por Lei do Município de Belém nº 7.709/1994, que prevê a permanência da espécie existentes nos logradouros públicos por integrarem o patrimônio histórico e ambiental da cidade. “A gente reconhece o valor que essa espécie tem para o ambiente urbano e rural. Ela se destaca entre as espécies e tida como a árvore rainha da floresta”, afirma Kleber Perotes, diretor de Desenvolvimento da Cadeia Florestal do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio).

Trabalho - De acordo com Amauri Chaves, engenheiro civil e agrônomo da contratada no Pará, o transplante envolveu uma equipe especializada e inúmeros cuidados para o sucesso da operação. “A primeira dificuldade foi quanto à logística, pois estamos às margens de uma rodovia extremamente movimentada. Depois, foi o corte do vegetal, sendo necessário estudar detalhadamente todos os pontos de poda e corte de raiz. Fizemos o sistema de esteio para segurar, com cabos, e garantir a estabilidade delas até o momento do içamento”, disse.

Todos os cuidados foram tomados para que os processos ocorressem dentro do planejado. “Tudo foi feito com muita calma, paciência e segurança tanto para a integridade física de todos os envolvidos quanto dos vegetais”, acrescentou Chaves. Ainda segundo o especialista, o tempo estimado para que as samaumeiras retomem o volume da copa que possuíam é de, no mínimo, um ano.

Jorge Sakai, engenheiro agrônomo que atua há 45 anos nessa atividade em São Paulo e que veio dar apoio à ação, disse que o transplante de árvores nesse porte é comum em outras regiões do país. E, pela experiência dele na atividade, as chances de sucesso são grandes. “Essa espécie, normalmente a chance de sobrevivência é muito grande porque é nativa da região. É uma operação muito grande e não existe outro jeito de se fazer”, comentou.

Ainda segundo Sakai, outra característica propícia ao desenvolvimento no novo destino é o inverno amazônico. “Estamos no melhor período de fazer essa operação. Em São Paulo, árvores grandes eu não faço fora do período do inverno porque elas precisam ser regadas após o transplante. E, a gente aproveita a oportunidade para fazer isso nessa época e provocar um estresse muito menor para a árvore”, detalha. “Louvo a iniciativa do Governo em preservar essa árvore que é significativa para a região”, acrescenta.