'Pesquise na Quarentena' incentiva troca de conhecimento durante a pandemia

Envolvendo bolsistas, iniciativa da Fapespa conta com a parceria de várias instituições de ensino superior

28/07/2020 20h57 - Atualizada em 28/07/2020 22h37
Por Carol Menezes (SECOM)

Uma forma de fazer os pesquisadores continuarem a compartilhar os resultados de seus estudos motivou a criação da campanha "Pesquise na Quarentena", iniciativa da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). A primeira etapa, envolvendo a adesão de bolsistas de cursos de graduação ao projeto, já foi encerrada, e uma nova deve se abrir em agosto para mestrandos e doutorandos.A Fapespa está à frente da campanha de incentivo à produção de conhecimento

De acordo com o coordenador de bolsas da Fapespa, Alexandre Diniz, a campanha surgiu da discussão sobre como disponibilizar o conteúdo produzido pelos profissionais de pesquisa. "Em vez de conteúdo por meio de artigo, que é mais demorado, exige criação de comissão, pensamos em fazer depoimentos por podcast, ainda mais agora em quarentena. Veio a ideia de algo voltado a esse momento", informou. Atualmente, cerca de 500 pesquisadores integram a iniciativa.

Com o apoio de pró-reitorias da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), que têm convênios com a Fundação pelo período 2019-2020, bolsistas de diferentes áreas do conhecimento foram contatados. Layane Sena, estudante do 8º semestre de Terapia Ocupacional na UFPA, foi uma das participantes da primeira etapa do "Pesquise na Quarentena", com um projeto voltado ao ensino de repertório de leitura, construção e escrita à mão para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A estudante Layane Sena, de Terapia Ocupacional, é uma das participantes da primeira etapa da campanha"Recebi um convite por e-mail, falando que estavam realizando essa campanha, e quis participar para mostrar o trabalho que tem sido desenvolvido, que não parou por causa da pandemia. Até porque eu conto com o apoio dos pais, que receberam treinamento antes da crise sanitária e desenvolvem as atividades em casa com os filhos, e me passam os resultados", contou a estudante.  

Troca de conhecimento - O ponto alto da campanha é que na plataforma criada para o compartilhamento todos os pesquisadores têm acesso aos conteúdos dos demais bolsistas - inclusive por meio dos podcasts de um minuto, que resumem os resultados obtidos. "Isso foi muito importante. A troca é muito válida, porque a Universidade é muito grande, há vários projetos sendo desenvolvidos, e assim podemos conhecer um pouco melhor sobre", disse Layane Sena. "A gente parou o presencial, mas a pesquisa não para", reforçou a estudante.O coordenador Alexandre Diniz ressaltou a ideia de usar ferramentas atuais para compartilhar as pesquisas

"É muito legal criar a oportunidade de os estudantes se ouvirem. Nesta segunda etapa, a abordagem é diferente, porque são trabalhos que variam entre 24 e 48 meses de duração, e a ideia é mostrar o que já temos de resultados obtidos. A atuação em campo pode ter parado, mas todos os outros processos não: conferências, reuniões e defesas seguem no remoto. O ganho é circular a informação. Não é uma campanha desenvolvida para apresentar relatório, mas de estimular a disseminação da pesquisa", enfatizou Alexandre Diniz.Flávia Alcântara Coutinho trabalha na pesquisa sobre doença hemolítica do recém-nascido

Estímulo – A estudante Flávia Alcântara Coutinho, do 8º semestre de Biomedicina do Centro Universitário Metropolitano da Amazônia (Unifamaz), desenvolve uma pesquisa sobre doença hemolítica do recém-nascido, pela Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa). Ela também integrou o grupo de estudantes de graduação que fez parte da primeira etapa do "Pesquise na Quarentena". "Achei muito importante, porque me incentivou a continuar pesquisando, buscando eventos on-line para submeter resultados que eu já tinha. Pelos podcasts deu para conhecer outros laboratórios, setores de outros bolsistas", contou Flávia, que desenvolve a pesquisa há um ano.

"O ganho, além da contribuição para minha formação pessoal e profissional, é divulgar a respeito de uma doença tão importante para a comunidade científica, não só para a hematologia, mas para a comunidade obstétrica e médica em geral", ressaltou.