Redução no estoque de sangue do Hemopa pode afetar hospitais

31/03/2017 00h00
Por Redação - Agência PA (SECOM)

O estoque de sangue da Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa), em Belém, já está reduzido em 50%, uma situação considerada crítica, que pode interferir no atendimento transfusional e obrigar os hospitais a priorizar demandas de urgência e emergência, e acabar adiando cirurgias eletivas (sem risco de morte).

Na sala destinada aos doadores na sede da Fundação Hemopa estão sobrando cadeiras, por absoluta falta de voluntários. Em média, são coletadas a cada mês 5 mil bolsas de sangue. Além dos 200 hospitais no Pará para os quais o Hemopa envia sangue, todos os meses a própria instituição atende mais de mil pacientes hematológicos, que recebem plaquetas, hemácias, plasma e são medicados na sede da Fundação.

Entre essas pessoas atendidas a maioria é portadora de anemia falciforme, doença hereditária caracterizada por alteração nos glóbulos vermelhos, que provoca o rompimento da membrana das células sanguíneas e, consequentemente, uma anemia profunda.

A doença atinge os dois filhos, de 13 e 16 anos, do autônomo Roseni Pereira. A família, que vive no município do Acará (na região nordeste), recebeu o primeiro diagnóstico quando o filho mais velho tinha sete anos. “Ele vivia com uma febre alta e muitas marcas roxas pelo corpo. Até que foi internado, muito mal, com uma anemia muito profunda, e o médico mandou a gente pro Hemopa fazer uma transfusão. E aqui descobrimos o que ele realmente tinha”, relata Roseni Pereira.

Logo após receber esse diagnóstico do filho mais velho, o filho menor começou a apresentar os mesmos sintomas. Hoje, os meninos tomam medicamentos específicos para amenizar os sintomas da anemia falciforme e precisam fazer transfusão de sangue, em média, a cada dois meses.

Apesar das dificuldades, Roseni agradece por saber que os filhos estão recebendo o tratamento adequado. Para ele, “se não fossem essas pessoas, que doam o próprio sangue, não sei o que seria dos meus filhos. E com uma única doação, as pessoas podem salvar a vida de muita gente”.

Mudança - Thainá Rabelo, que trabalha como subgerente em uma panificadora, é mãe de um menino de seis anos que tem baixa de plaquetas. Desde o início deste mês, ela leva o filho ao Hemopa duas vezes por semana para receber medicação de hemoglobina, e logo o garoto deve receber transfusão de plaquetas.

A mãe conta que a vida mudou completamente após a doença do filho. “Mudou tudo, tanto a minha rotina de trabalho e em casa, quanto minha forma de pensar. Não passava pela minha cabeça que, se não tivesse um parente ou amigo precisando de sangue, eu precisava doar. Desde quando passei a vir pro Hemopa vi que muita gente precisa de sangue. A partir de agora vou doar e vou chamar amigos também”, informa Thainá Rabelo.

Mobilização - O desafio da Fundação Hemopa é conscientizar as pessoas sobre a importância da doação de sangue. A gerente de Captação de Doadores da instituição, Lílian Bouth, explica que, para isso, são realizadas várias parcerias e campanhas ao longo do ano. “Sempre mobilizamos grupos nas igrejas e comunidades para que venham doar”, diz ela.

Atualmente, estão em curso ações para estimular a doação de sangue entre torcedores do Clube do Remo e do Paysandu. Essas ações são prévias para o próximo dia 7 de abril, o “Dia D” da Campanha Doadores Futebol Clube, promovida pela Rede Cultura de Comunicação, em parceria com a Fundação Hemopa.

A maior preocupação é afetar o abastecimento para os hospitais devido à redução no estoque. “Quando o estoque de sangue está muito baixo priorizamos o atendimento de urgência e emergência. Ou seja, aqueles procedimentos hospitalares que precisam de sangue, mas que podem ser agendados, podem ficar comprometidos”, alerta Lílian Bouth.

Chuva e virose - A diminuição do número de doações pode ser motivada pelo intenso período chuvoso na região, o que dificulta o deslocamento das pessoas, além de facilitar a propagação de viroses, deixando o doador inabilitado temporariamente. Quem toma a vacina contra a febre amarela também fica impossibilitado de doar por 30 dias. A orientação é fazer a doação antes da vacinação.

Há 10 anos, para ajudar um amigo, que sofreu acidente de trânsito, o funcionário público Antônio Eduardo Rodrigues doou sangue pela primeira vez. Hoje, ele doa com frequência. Na doação mais recente, Antônio foi ao Hemopa acompanhado pelo filho de 13 anos. “Trouxe pra que ele veja como a doação é simples, e como é importante. incentivando, pra que quando ele estiver maior, doar também”, ressalta o voluntário.

No momento em que Antônio Rodrigues fazia a doação de sangue, na sala de coleta estava apenas mais uma doadora. “Não entendo o medo das pessoas em doar. É um ato simples, que ajuda tantas pessoas. Não dói nada. Nada mesmo”, garante Antônio. (Colaboração de Jaqueline de Menezes).

Quem pode doar: Para ser doador de sangue basta ter entre 16 e 69 anos (menores devem estar acompanhados do responsável), ter mais de 50 kg, estar bem de saúde e portar documento de identificação original e com foto. Os homens podem doar com intervalo de cada dois meses, e as mulheres a cada três meses.

Serviço: A sede da Fundação Hemopa fica na Travessa Padre Eutíquio, 2109, bairro Batista Campos. As doações também podem ser feitas na Estação Coleta Castanheira, no térreo do Pórtico Metrópole, na Rodovia BR-316, KM-01. O horário de funcionamento é das 7h30 às 18 h, de segunda a sexta-feira, e das 7h30 às 17 h, aos sábados.