Programa estadual Obesidade Zero transforma e garante mais qualidade de vida à população

A data 4 de março é considerada o Dia Mundial da Obesidade, que funciona como um alerta à população para os riscos provocados pela doença

04/03/2021 12h44 - Atualizada em 04/03/2021 13h08
Por Giovanna Abreu (SECOM)

“Com 15 anos tive a minha primeira gravidez e de lá para cá engordei cerca de 60 kg. Os meus filhos são a minha motivação para operar, porque eu tenho muito medo de não ver eles crescerem. Obesidade não é brincadeira, é uma doença séria. E o Programa Obesidade Zero, do governo do Estado, veio para salvar vidas e eu posso dizer que sou muito feliz por fazer parte dele. Os efeitos vão além do físico, são mentais”, conta Paula Karolina Campos, 27 anos, que já começou a preparação para a cirurgia bariátrica.

Paula Karolina Teixeira de Campos, de 27 anos, se prepara para a cirurgia bariátrica pelo programa estadualNesta quinta-feira (4), é celebrado o Dia Mundial da Obesidade, como forma de alerta à população para os riscos provocados pela doença. O Programa Obesidade Zero, desenvolvido pelo governo do Estado, oferece avaliação clínica, exames, consultas, cirurgias por meio de videolaparoscopia e acompanhamento no pré e pós-operatório de pessoas obesas no Hospital Estadual Jean Bitar. O programa faz parte do Projeto Fila Zero, que tem como objetivo acabar com as esperas por atendimento em saúde do Estado.

“Quando lançamos o ‘Obesidade Zero’, em setembro de 2020, sabíamos que essa era uma demanda da sociedade que precisava de atenção especial. O programa tem levado mais qualidade de vida aos pacientes e nós sabemos que isso, em longo prazo, também ajuda a desafogar outros serviços de saúde”, afirma o secretário de Saúde Pública (Sespa), Rômulo Rodovalho.

O médico cirurgião Carlos Armando Santos, coordenador do programa, explica que todo paciente é recebido por uma equipe multidisciplinar e cumpre os protocolos de atendimentos, passando por consultas com o cirurgião, endocrinologista, psicólogo, nutricionista, assistente social, cardiologista, anestesiologista e pneumologista (risco cirúrgico), além de realizar todos os exames preparatórios para a bariátrica.

“A obesidade é um problema de saúde pública mundial e traz consigo inúmeras comorbidades. Se eu pudesse dar um conselho para alguém, eu diria: não engorde, porque eu sei como a obesidade dificulta que a gente ofereça um tratamento adequado e todos os riscos da doença. Sabemos ainda que o combate à obesidade também melhora a resposta inflamatória do paciente contra o Covid-19”, explica o médico.

A resistência insulínica é uma das principais complicações geradas pela doença e, com isso, o paciente apresenta maior chance de desenvolver a hipertensão e, especialmente, a diabetes. De acordo com relatório público do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, referente a 2020, no Pará, a obesidade afeta 6,37% das crianças de zero a 5 anos; 5,82% das crianças de 5 a 7 anos; 7,2% das crianças de 7 a 10 anos; 8,5% dos adolescentes; 25,01% dos adultos e 47,41% dos idosos. O programa já realizou 67 cirurgias. Por conta da pandemia, as cirurgias, que também eram realizadas no Hospital Público Galileu, estão concentradas no Hospital Jean Bitar.

NOVA VIDA

Roberta Peron Alves Garcia, de 33 anos, já foi operada no Hospital Jean Bitar e agora se recupera do procedimentoA cabelereira Roberta Garcia, 33 anos, fez em dezembro de 2020 a cirurgia bariátrica pelo ‘Obesidade Zero’. A paciente, com 1,54 m, pesava 112 kg, com um Índice de Massa Corpórea (IMC) de 43, e já perdeu 26 kg em três meses. “Eu sentia muitas dores no meu corpo, principalmente no meu pé, tive problemas na vesícula por conta da obesidade, e agora posso dizer que eu estou super bem, minha recuperação foi maravilhosa, muito por conta do acompanhamento excelente antes e depois da cirurgia dos profissionais do Jean Bitar. Fazer a cirurgia foi a melhor decisão que eu tomei, está mudando a minha vida”, ressalta.

 A doméstica Alcione Bastos, 42 anos, já está na fase preparatória para a cirurgia e relata as dificuldades que enfrenta por ser obesa. “Nós sofremos chacota e preconceitos, o que mexe muito com o nosso psicológico. Eu não gosto de sair porque eu tenho vergonha, nenhuma roupa fica boa, andar no ônibus é difícil. Esse programa nos dá a oportunidade de mudar de vida e ainda é gratuito, o que faz com que muitas pessoas que não têm condições de pagar particular tenham acesso”, explica.

Indicação – São candidatas à cirurgia bariátrica pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 40 kg/m2, e aqueles com IMC entre 35 e 40 kg/m2, que tenham pelo menos uma doença associada à obesidade.

Para tirar dúvidas e ter acesso ao cadastro, acesse Obesidade Zero. O interessado faz uma autoavaliação, por meio do cálculo do IMC e preenche informações solicitadas pelo hotsite. Caso haja indicação para cirurgia, o paciente marcará seu atendimento pelo próprio site e receberá a confirmação do hospital, informando dia e horário que deverá comparecer à consulta.