Custodiados no Pará chegam ao curso superior com o Ensino a Distância

O sistema penitenciário paraense e uma rede de parceiros ampliam o acesso a várias graduações com o lançamento do Projeto Realize

08/04/2021 22h09 - Atualizada em 09/04/2021 08h18

"Mesmo com as lutas e dificuldades, e estando privado de liberdade, é uma conquista poder me formar e mudar de vida". A constatação de Regicleison Maciel, custodiado no Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC) e estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas na Faculdade Estácio do Pará, representa o novo caminho que vem sendo traçado por outras nove pessoas privadas de liberdade, custodiadas na Região Metropolitana de Belém, que cursam ensino superior na instituição, por meio do método Ensino a Distância (EaD).

Para ir além da educação superior e ampliar as ações já desenvolvidas em parceria com a Faculdade, nesta sexta-feira (09) será lançado virtualmente o Projeto Realize, com aula inaugural e abertura do cronograma de ações, que oferecerá aos custodiados atividades de ensino e empreendedorismo, com a participação dos professores da instituição de ensino. As primeiras beneficiadas são custodiadas do Centro de Reeducação Feminino (CRF) de Ananindeua.

Atualmente, são 48 custodiados cursando ensino superior no Estado. Desses, 10 estão matriculados na Faculdade Estácio.

Um parceiro importante do projeto é a Vara de Execuções Penais (VEP), do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJ-PA). Todos os parceiros assinaram um Termo de Cooperação para a execução do projeto, com a expectativa de o acesso ao ensino despertar o interesse por uma vida longe do ambiente prisional.

Oportunidade - Para Regicleison Maciel, a oportunidade de cursar o nível superior é muito importante para os internos que já concluíram o ensino médio. “Sou integrante do EaD e estou no 4º semestre. Estou aproveitando a oportunidade ofertada pela casa penal, e agradeço desde já aos servidores pelo empenho. Em nome de todos que estudam, agradeço à Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) pela oportunidade de estarmos aqui e por tudo aquilo que eles vêm fazendo para melhorar nossas condições”, ressaltou.

Além do CRC, há estudantes do Centro de Progressão Penitenciária de Belém (CPPB) e Centro de Recuperação Regional Anastácio das Neves (CRCAN), localizado no Complexo Penitenciário de Santa Izabel (na RMB). Eles estão matriculados nos cursos de Gestão Ambiental, Ciências Contábeis, Administração, Sociologia e Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

Diretriz - O fortalecimento das políticas públicas no sistema penitenciário é uma das diretrizes da Seap, concretizada por meio de parcerias com órgãos e instituições que têm interesse em ofertar a pessoas privadas de liberdade cursos de capacitação profissional e atividades que aperfeiçoem suas habilidades, em busca de reintegração e oportunidades de geração de renda quando estiverem em liberdade.

Alunos e professores da Estácio de Sá iniciarão as atividades com as internas do Centro de Reeducação Feminino (CRF) de Ananindeua, que incluirão técnicas de desenvolvimento de carreira; moda sustentável; microempreendedorismo; comunicação interpessoal e outros temas.

O Projeto Realize oferece acesso aos cursos de Administração, Ciências Contábeis, Design de Moda, Direito, Jornalismo e Publicidade e Propaganda, e Tecnologia da Informação. Os alunos serão selecionados e os professores visitarão a casa penal. Para comprovar a efetivação do projeto, será entregue ao Tribunal de Justiça um relatório semestral das ações desenvolvidas.

Empreender - Entre as ações previstas estão a implementação do Projeto “Empreender Você”, que será efetivada pela área administrativa, a fim de identificar competências e elaborar um plano de desenvolvimento de carreira para as internas, que também poderão participar de capacitação em empreendedorismo; palestras de educação financeira; oficinas de confecção de bijuterias sustentáveis; artesanato e inclusão digital, além de assistência jurídica e auxílio para habilidades nas relações interpessoais.

O projeto permitirá a preparação das internas para o mercado de trabalho e contribuirá para nova experiência aos docentes da instituição de ensino em ambiente penitenciário.

Por Vanessa Van Rooijen (SEAP)