No terceiro dia, webinário debate práticas e autonomia da mulher

A comunicação com o público-alvo e o empreendedorismo feminino integram as ações nos Territórios pela Paz

29/04/2021 22h58 - Atualizada em 30/04/2021 08h56

O Webinário “Percursos para uma governança participativa: Experiências e Práticas do TerPaz” debateu na noite desta quinta-feira (29) os temas Mídia e TerPaz: Estabelecendo Relações com o Território e Mulheres Empreendedoras. Realizado pela Secretaria Estratégica de Articulação e Cidadania (Seac), o evento chegou ao terceiro dia com duas mesas-redondas.

A primeira abordou as iniciativas que ampliam a cobertura e o debate público na periferia, e os esforços da Rede Local de Cidadania da Terra Firme (um dos bairros atendidos pelo Programa Territórios pela Paz- TerPaz) no desenvolvimento de estratégias que alcancem o público-alvo dessa política social e de segurança pública.

Um dos participantes foi a gestora do Território da Terra Firme, Gabriella Oliveira, que falou sobre os desafios e as mudanças obtidas desde o início das ações de governo. “A comunicação se deu desde o início do programa. Utilizamos as redes sociais, que foi um ponto muito importante, e também a conversa presencial através de reuniões. Agora, durante a pandemia, a utilização dos meios digitais foi fundamental. Já tivemos muitas melhorias, mas o processo ainda está em andamento. Continuamos lapidando todas as formas de comunicação de gestão dentro do Território, para que melhorem sempre os resultados do TerPaz no bairro da Terra Firme”, informou a gestora.

Outro palestrante foi o jornalista e coordenador do Projeto Periferia em Foco, Wellingnton Frazão, que abordou o trabalho desenvolvido no bairro da Cabanagem. “A chegada do TerPaz ao bairro acabou se materializando em tudo aquilo que estávamos divulgando ao longo desses quase cinco anos de trabalho, ou seja, as coisas boas da periferia, potencializando o bairro da Cabanagem. O Programa Territórios pela Paz deu qualidade de vida para os moradores, que há muitos anos se sentiam renegados com a ausência do poder público”, enfatizou.

Para o mediador Paulo Garcia, coordenador do Núcleo de Comunicação da Seac, “é sempre um prazer falar sobre comunicação, principalmente sobre comunicação comunitária, e como ela se configura como ferramenta para se conectar com a população. Nesta mesa falamos sobre algumas iniciativas que ampliam a cobertura e o debate para o público dentro das periferias, assim como trocamos experiências e os esforços que a rede local da cidadania do governo do Estado desenvolve como estratégias de linguagens para alcançar o público do Programa Territórios pela Paz”.

Empreendedorismo - Na segunda mesa-redonda foram abordadas iniciativas no âmbito do TerPaz e como o empreendedorismo pode contribuir para a emancipação das mulheres e a interrupção de violências cotidianas. Participaram a gestora do Território do Benguí, Juliana Chaves, que reforçou a importância de políticas públicas voltadas ao público feminino.

“Acredito que todos os outros gestores encontraram alguma dificuldade inicial ao chegar ao Território. Felizmente, superamos essa fase, e hoje temos uma ocupação territorial do Bengui, onde conseguimos rodar as ações do TerPaz e atender às demandas da população de forma muito tranquila. Hoje fiz parte da mesa-redonda sobre empreendedorismo feminino, que é um dos grandes objetivos do Programa, já que as mulheres são parte do nosso público-alvo. O Território do Bengui foi escolhido para esse debate justamente por termos nos destacado em ações ligadas às mulheres, como foi o caso dos projetos Máscara para Todos e Ela Pode, que discutimos hoje”, contou.

A pesquisadora e assistente de Projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Amanda Pimentel, destacou em sua palestra os desafios enfrentados pela mulher. “Nesse período pandêmico nós vimos um aumento no número de casos de violência contra a mulher, principalmente depois que a quarentena foi decretada no Brasil, na segunda quinzena de março do ano passado. O que levou, inclusive, importantes organizações internacionais, como a ONU Mulheres, que é o escritório das Nações Unidas especializado em questão de direitos das mulheres, a afirmar que logo no início da pandemia estávamos vivendo uma dupla pandemia: primeiro a da Covid-19, e ao mesmo tem uma de violência contra a mulher. Nesse contexto, no Fórum trabalho assessorando uma série de projetos da instituição, em especial aqueles voltados ao tema da violência de gênero. Coletamos dados e informações junto aos órgãos estaduais e federais, além de lançarmos reflexões e propostas para o enfrentamento às diversas formas de violência, buscando também influenciar o debate público e a formação da opinião pública sobre esses temas”, disse a pesquisadora.

Autonomia financeira - O Projeto Ela Pode é uma parceria do governo do Estado, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), com a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), nas ações do TerPaz. A metodologia é do Instituto Rede Mulher Empreendedora, braço social da Rede Mulher Empreendedora, maior rede de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil, que visa capacitar duas mil mulheres nos sete bairros do TerPaz. “O ‘Ela Pode’ é um projeto voltado ao estímulo da autonomia financeira e socioemocional de mulheres pela perspectiva do empreendedorismo feminino, entendendo que é muito importante que a mulher construa sua autonomia financeira e socioemocional para que seja protagonista das suas escolhas”, explicou a coordenadora do “Ela Pode”, Jana Boghi.

Para a mediadora Carol Sales, “no Pará nunca houve um programa que trabalhasse de fato essa política de participação comunitária junto da gestão pública. Construir isso é um processo muito rico. Hoje, com quase dois anos nos Territórios, nós podemos entender um pouco melhor como funciona cada recorte e traçar um plano pra trabalhar isso junto dos nossos parceiros. No Bengui, por exemplo, existe uma representatividade feminina muito grande. É o único Território pela Paz que tem uma sede do Grupo de Mulheres Brasileiras. Já conseguimos desenhar quais os serviços que irão atender a mulher que também é mãe, empreendedora, dona de casa, servidora”.

O Webinário prossegue até esta sexta-feira (30), transmitido ao vivo, das 19 às 20h30. Após o evento, todo o conteúdo ficará disponível nas redes sociais da Seac.

Programação do 4° dia:
30 de abril de 2021
Das 19 às 19h40 - mesa-redonda 1
Participantes: Amanda Engelke, gestora do Território Nova União/São Francisco, e Delma Braga, gestora do Território Jurunas.
Luciane Patrício, Universidade Federal Fluminense
Mediação: Francisco, Coletivo Terra Firme
Tema: Arranjos locais para uma participação social efetiva 

Das 19h50 às 20h30 – mesa-redonda 2
Participantes: capitão PM Denison Souza, comandante da 4ª Companhia - 20° BPM, da Terra Firme, e Gabriella Oliveira, gestora do Território Terra Firme
Tenente PM Ellen Marques, GPA
Mediador: Vitor - Gestão do Território do Icuí
Tema: Estratégias de segurança pública para atuação no Território.

Por Elizabeth Teixeira (SEAC)