Maleta Juventudes conscientiza adolescentes e jovens em conflito com a lei sobre seus direitos e deveres

31/07/2021 21h53 - Atualizada em 31/07/2021 21h56

Uma maleta cheia de materiais didáticos com temas atuais presentes no cotidiano foi aberta para os adolescentes e jovens da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa) ampliarem seus conhecimentos sobre seus direitos e deveres. Esse foi o início dos primeiros encontros do Projeto Maleta Juventudes, do Canal Futura, nas unidades socioeducativas do estado paraense, ao longo de julho, que aproveitou também o mês em que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 31 anos de promulgação para refletir sobre as diretrizes previstas na lei. 

Tanto na Região Metropolitana de Belém, como no interior do estado, já começaram os encontros com as maletas. Na ação anterior, o projeto teve como público alvo os servidores da instituição para serem agentes multiplicadores da metodologia, aprimorando a formação deles para no segundo momento, colocarem em prática o que aprenderam. As próximas etapas do projeto serão programadas conforme o calendário das atividades pedagógicas de cada unidade, organizado pelas suas equipes técnicas. A cada encontro é debatida uma determinada temática extraída da maleta, conduzida pela metodologia proposta pelo projeto, além de possibilitar também que socioeducandos e servidores coloquem sua criatividade em prática durante os debates. 

O Maleta Juventudes traz como diferencial o fortalecimento do eixo diversidade étnico racial, gênero e orientação sexual do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE) nos espaços socioeducativos, segundo a psicóloga e coordenadora do Núcleo de Práticas Restaurativas (NPR) da Fasepa, Erika Rocha. "Avaliamos o fortalecimento deste eixo como uma iniciativa pioneira nesta gestão em parceria com o Projeto Maleta Juventudes, considerando a grande relevância e impacto das temáticas discutidas, tais como: diversidade religiosa, diversidade de gênero, racismo, orientação sexual, representação juvenil, participação social, entre outros", relatou Erika ressaltando que a ação permite o fomento ao conhecimento e debate do Estatuto da Juventude e sua interface com o ECA para toda a comunidade socioeducativa.   

Melina Marcelino é a mobilizadora do projeto nas regiões norte e nordeste pelo Canal Futura e contou como está sendo este processo pelo país, "a gente sentiu a necessidade de atuar com os socioeducandos em outros estados brasileiros e dessa vez, nesse segundo ciclo a gente está em vários estados das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul, a expectativa é justamente ampliar um pouco mais esse conhecimento do jovem sobre a questão dos direitos e deveres". O resultado desse trabalho realizado em vários lugares do Brasil tem sido compartilhado nas redes sociais do projeto que são "espaços para essa troca de experiência e divulgação, onde está sendo realizado um trabalho com esses jovens que muitas vezes a sociedade acaba se esquecendo". 

Sujeito de direitos e deveres

O dever de cumprir as regras sociais, o bom trato com as pessoas, assim como o direito à educação, a ser bem tratado, a ter uma assistência psicológica, social e jurídica fazem parte do conjunto de direitos e deveres muitas vezes descobertos quando o adolescente adentra os espaços socioeducativos como explica o Presidente da Fasepa, Luiz Celso da Silva. "Quando os socioeducandos entram na Fasepa, a maioria deles não tem noção dos direitos que eles têm. Eles se vêem como sujeitos de direitos violados. Esses projetos como o Maleta Juventudes que envolve todo o suporte técnico é muito importante para o atendimento socioeducativo. Então assim eles vão se ver como sujeitos de direitos", ressalta o gestor da Fundação. 

O preconceito foi o tema abordado pelo Centro Juvenil Masculino (CJM), em Ananindeua, onde os socioeducandos puderam debater, com o intuito de combater e desmistificar várias formas de preconceito presentes na sociedade. Um dos adolescentes que participou da ação na unidade disse como foi a experiência nesse primeiro momento de abordagem do tema, "eu gostei muito, eu acho que é uma coisa bem bacana, porque é uma atividade nas unidades que vai te fazer refletir e estimular a pensar mais sobre os atos, a relação de julgar, refletir antes de agir. Em relação ao preconceito, eu acho que é um câncer que impede muito, até hoje na sociedade, que a gente possa seguir em frente e ter um mundo melhor".  

Os relatos manifestados e transcritos em cada encontro são colocados em uma maleta itinerante que será aberta no último encontro para revelar os resultados construídos ao longo do projeto proposto pelo período de um ano. Depois disso, todo material didático ficará para a fundação para dar continuidade aos novos encontros para outros socioeducandos que ainda não participaram.  

Texto: Franklin Salvador/Ascom Fasepa

Por Governo do Pará (SECOM)