Hemopa é referência no Pará na realização de exames de compatibilidade para transplantes

27/09/2021 14h24 - Atualizada em 27/09/2021 17h26

A equipe multiprofissional da Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa) celebra, na próxima segunda-feira (27), o Dia Nacional da Doação de Órgãos, tendo em vista o importante papel do hemocentro paraense dentro do Programa Estadual de Transplante, ao ser referência na realização de exames de compatibilidade, entre os doadores e pacientes. Sem seu Laboratório de Imunogenética, seria impossível saber o HLA (Antígeno Leococitário Humano) dos envolvidos no procedimento.

O transplante de órgãos é um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão (coração, fígado, pâncreas, pulmão, rim) ou tecido (medula óssea, ossos, córneas) de uma pessoa doente (receptor) por outro órgão ou tecido normal de um doador, vivo ou falecido. Na maioria dos casos, o transplante é o melhor ou único tratamento curativo disponível para determinados pacientes.

Equipe laboratorial HemopaDesde a implantação do Laboratório de Imunogenética, em 2002, a Fundação  monitorou 4.890 pacientes renais com necessidade de transplante, sendo que 399 deles, já foram transplantados no Pará. Segundo o DATASUS, havia 1.985 pacientes em diálise no Estado do Pará em  2012. Conforme o Censo Brasileiro de Nefrologia de 2019, o número de pacientes em diálise crônica mais que dobrou entre 2005 e 2019 com previsões de continuar aumentando nos próximos anos com o aumento da prevalência do diabetes, obesidade e hipertensão arterial sistêmica.

De acordo com a gerente do Laboratório de  Imunogenética, a biomédica Patrícia Jeanne, o Hemopa garante o apoio para 26 unidades de saúde de diálise e/ou transplantes, das esferas pública e privada, no Pará, atendendo 456 pacientes, em fila de espera por um transplante renal no Estado.

A profissional explica ainda que o serviço também tem atendido pacientes candidatos ao transplante de medula óssea, afetados por doenças hematológicas benignas e malignas, como anemias aplásticas, doenças falciformes, talassemias, síndromes mielodisplásicas, leucemias linfoides e mielóides agudas e crônicas.

Flamarion no Hospital após o transplanteO agrônomo Flamarion Gomes de Almeida, 48, descobriu que tinha Leucemia Melóide Aguda (é o tipo mais comum e mais agressivo da doença). Em 2019, durante exame pré operatório, coincidentemente, no dia do aniversário da filha, em 24/07, o paraense, residente no Amapá, entrou em choque com a descoberta da doença até o transplante, realizado em abril deste ano, Flamarion, passou por muitas sensações como medo, angústia, insegurança, mas nunca perdeu a fé de encontrar um doador compatível, que descobriu estar dentro de sua casa: a irmã Ellen Cristina Gomes Almeida, 44, que fez o exame de compatibilidade na Fundação Hemopa, juntamente com outra irmã, Helizângela Gomes de Almeida, 49 anos. As irmãs realizaram exame no Hemopa, porque o procedimento não é feito no Amapá.

“Eu não tinha mais recursos pra fazer os exames delas particular, por isso o Hemopa foi muito importante em todo o processo, sem esses exames não poderia ter feito o tão esperado transplante de medula óssea. Elas fizeram o exame dia 08/03/2021”, relembrou Flamarion, que finalmente pode realizar o transplante, dia 02/06 deste ano, em São Paulo.

Hoje ele está com 112 dias pós transplante. “Graças a Deus, a minha esposa e todas as pessoas me ajudaram. hoje estou ótimo, não estou mais internado, só fazendo acompanhamento duas vezes por semana no hospital. Sou muito grato a todos que participaram desse processo, muito grato a minha irmã Ellen por ser minha doadora e à Fundação Hemopa. O sentimento é de pura gratidão”, destaca Flamarion.

Dentro dessa assistência de média e alta complexidade, o Hemopa  atua na compatibilidade entre pacientes e doadores aparentados;  no cadastro e tipagens de doadores voluntários de medula óssea e  na busca por doadores não aparentados com fundamental suporte nas ações do Registro Brasileiro de Medula Óssea (Redome), que funciona no Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, onde é  mantido pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT)/Ministério da Saúde (MS).

“Nossa equipe tem auxiliado 314 pacientes hematológicos candidatos ao transplante de medula óssea, no Estado do Pará. Atualmente, a Fundação Hemopa já realizou cerca de 120 mil cadastros de doadores voluntários de medula óssea junto ao Redome”, ressaltou Patrícia Jeanne.

Para melhorar cada vez mais e agilizar  o processo de compatibilidade entre doador e receptor, o Ministério da Saúde, com a finalidade de melhorar ainda mais e agilizar o processo de compatibilidade, entre o paciente e o doador, publicou as portarias GAB/SAES/684 e 685, de 16/06/2021, determinando a adoção de novas técnicas de diagnóstico laboratorial.

Segundo Patrícia Jeanne, essa iniciativa do MS, garante a redução do tempo entre a identificação do HLA e a seleção do doador de medula óssea, de seis meses para cerca de 45 dias, tendo em vista que passou a usar uma nova metodologia com sequenciamento de DNA de última geração, cuja entrega de resultados se dá em menor espaço de tempo.

Já para o transplante renal, determinado pelas mesmas portarias ministeriais, foi incorporado a tipagem de mais um gene HLA, promovendo maior segurança ao procedimento.

Estrutura na Imunognética do Hemopa

Os usuários podem contar com uma equipe de sobreaviso 24h, composta por biomédicos, farmacêuticos e técnicos em patologia clínica.

Referência - O Brasil é referência mundial na área de transplantes e possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Atualmente, cerca de 96% dos procedimentos de todo o país são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em números absolutos, o Brasil é o 2º maior transplantador do mundo, atrás apenas dos EUA. Os pacientes recebem assistência integral e gratuita, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante, pela rede pública de saúde.

Por Vera Rojas (HEMOPA)