'Trilha Socioeducativa' aponta novos rumos para mais de 200 socioeducandos no Pará

A parceria da Fasepa com o Sest/Senat está oferecendo cursos profissionalizantes para jovens atendidos pelo sistema socioeducativo

02/10/2021 17h10 - Atualizada em 02/10/2021 20h03

O aprendizado é o principal aliado no processo da socioeducação, já que é por meio dele que os jovens têm a oportunidade de expandir seus conhecimentos, descobrir novos interesses e mudar a visão de mundo. É com essa concepção que a Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), em parceria com o Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest/Senat), está colocando em prática a “Trilha Socioeducativa”.

Essa iniciativa pioneira no Brasil consiste na concretização de cursos profissionalizantes para os jovens inseridos no sistema socioeducativo, que poderão ser certificados após a conclusão, como auxiliar de logística ou auxiliar de escritório. Atualmente, já estão sendo contemplados 217 socioeducandos no Pará.

O diferencial do projeto é que os socioeducandos poderão concluir seus cursos mesmo quando não estiverem mais sob a responsabilidade da Fasepa, uma vez que essa formação é realizada de forma remota pela plataforma do Sest/Senat, explica a diretora de Atendimento Socioeducativo, Vilma Moraes.

“Os adolescentes estão se educando a partir do momento que entram na unidade de socioeducação, desde a provisória até a internação ou pós-medida. Eles trilharão a formação continuada, começando com vários cursos. Então, ele conclui e se forma em uma determinada área, com uma carga horária de duzentas horas em média. E esse é o compromisso da instituição: garantir a profissionalização, a formação continuada do nosso socioeducando”, enfatiza Vilma Soares.

Itinerário formativo - O coordenador de Desenvolvimento Profissional do Sest/Senat, João Alberto Soares, destaca como foi feito o desenvolvimento da Trilha.“De início, nós fomos provocados pela Fasepa para que tivéssemos um programa de formação voltado ao atendimento da socioeducação. Então surgiu a possibilidade de fazermos essa Trilha de Formação, que é um itinerário formativo que junta alguns cursos individuais. Ao fim, esse jovem ganha uma certificação completa, no caso, uma certificação de assistente ou de auxiliar de logística, que é a área que a gente trabalha no transporte”, informa o coordenador, ressaltando a iniciativa pioneira no Brasil, que poderá servir de exemplo para futuros projetos.

Além da certificação, o objetivo também é considerar a possibilidade de garantir novos rumos para os adolescentes que vêm de uma cultura de violência, de privação de vários direitos. “Foi pensando justamente nisso que a gente criou esse modelo de formação. É para dar oportunidade para esses jovens que vêm dessa realidade, que ele possa ter acesso a um curso de profissionalização e possa estar inserido no mercado de trabalho”, completa João Alberto Soares.

Um socioeducando de 19 anos, que está cumprindo medida de internação na Unidade de Atendimento Socioeducativo (Uase) Benevides, na Região Metropolitana de Belém, já concluiu um módulo do curso e conta que o aprendizado tem sido muito importante para sua mudança de perspectiva. “Esses cursos significam muito, porque na liberdade eu não tinha essas oportunidades. Pretendo continuar, trabalhar, para ter uma renda melhor e poder investir nos meus estudos e ajudar minha família”, diz o jovem, custodiado na Fasepa há um ano e cinco meses.

Texto: Kauanny Cohen - Ascom/Fasepa

Por Governo do Pará (SECOM)