Crianças atendidas na Santa Casa entrevistam profissionais que cuidam do tratamento delas

No Dia das Crianças, elas perguntam sobre as boas coisas da vida aos que compõem as equipes do hospital, referência em atendimento neonatal e pediátrico  

12/10/2021 12h00 - Atualizada em 12/10/2021 15h16

Fernanda Lobato, terapeuta ocupacional e uma das entrevistadas pelos pequenos pacientes: "Amigos são uma riqueza na minha vida"Referência em atendimento neonatal e pediátrico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região Norte, a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará é o hospital público do Pará no qual milhares de crianças nascem, têm acesso a cirurgias de alta complexidade que salvam vidas e a consultas ambulatoriais nas mais diversas especialidades, com qualidade e tratamento humanizado. A instituição funciona por 24h, de forma ininterrupta, com emergência obstétrica de portas abertas, ambulatório pediátrico, serviço de terapia renal pediátrica, transplante renal pediátrico e cirurgia de correção de fissuras labiopalatais, entre outros.  Neste 12 de outubro a Santa Casa convidou cinco de seus pequenos pacientes para celebrar a data conversando diretamente com os profissionais de saúde responsáveis pelo tratamento delas na instituição. O conteúdo das conversas, você confere em seguida.

Erick Rafael, o Homem-Aranha, está em fase de pós-operatório Erick Rafael Neves, 5 anos, mora no bairro do Bengui, em Belém, e está no pós-operatório de uma cirurgia de hérnia umbilical.  

"O que você quer ganhar de Dia das Crianças?'

Clenilda Jardim, enfermeira do Ambulatório Pediátrico

“Eu quero ganhar a alegria de, mesmo adulta, nunca deixar de ser criança dentro de mim. Eu quero ganhar a alta de todos os nossos pacientes pequeninos, quero vê-los felizes, sorrindo, saudáveis. Eu sei que ser criança é ser feliz, é ter paz e amor, é saber brincar e saber ver beleza em tudo, até de cima de uma cama de hospital. Vamos comemorar a vida”. 

Vitória Castro, 10 anos, mora no Paracuri I, em Icoaraci, Belém, sofre de síndrome nefrótica (distúrbioVitória Castro faz hemodiálise e tem um sonho: ser transplantada nos vasos sanguíneos microscópicos nos rins que têm pequenos poros através dos quais o sangue é filtrado), e está em tratamento de hemodiálise, na fila de transplante de rim.

“Meu sonho é ser transplantada. Qual o seu maior sonho?” 

Josiane Pompeu, nutricionista da Clínica de Neonatologia do Banco de Leite Humano (BLH)

“Meu sonho é que a gente consiga captar mais doadoras de leite humano e que a gente consiga lembrar à humanidade sobre a importância da doação do leite para os bebezinhos que nascem prematuros e para os bebezinhos com outras necessidades, como baixo peso. Também tenho o sonho de terminar logo o mestrado em Neurociências e Comportamento na UFPA [Universidade Federal do Pará]”. 

Alef torce pelo Paysandu, mas levantou a bola para o remistaAlef Leonan Costa, 10 anos, morador do bairro da Sacramenta, em Belém, sofre de doença renal crônica e está em tratamento de hemodiálise, na fila de transplante de rim.  

“Eu sou torcedor do Paysandu, mas quero saber: será que o Remo vai ganhar o campeonato da série B?”

Nathanael Silva Júnior, técnico em enfermagem da Terapia Renal Substitutiva (TRS)

“Ora se não vai ganhar: já ganhou! O Remo só não é o melhor time do mundo porque o melhor time é o time da Terapia Renal da Santa Casa: nosso jogo é pela vida, e estamos lutando pra ganhar. O segundo melhor time do mundo é o Remo e o terceiro melhor é o Flamengo”.

Analu Lisboa, 3 anos, moradora da comunidade de Caratatuba, em Bragança, na região do Salgado, temAnalu, de Caratatuba, em Bragança, tem interesse por amizades hidrocefalia e faz acompanhamento anual com neurologista e urologista.  

“Você tem amigos?”

Fernanda Lobato, terapeuta ocupacional da Terapia Renal Substitutiva (TRS)

“Eu tenho muitos amigos. Amigos são uma riqueza na minha vida. Tenho amigos muito mais velhos do que eu, amigos idosos. Tenho amigos crianças, amigos que são meus pacientes, ou amigos que são dos meus filhos e que se tornaram meus amigos. Amigos fazem a gente a amar a vida porque são uma das melhores coisas da vida e ajudam a gente a amar a vida quando a vida fica difícil, porque nos dão apoio”. 

Antônio Lucas, do Parque Verde: drone do Capitão AméricaAntônio Lucas Souza, 6 anos, morador do bairro Parque Verde, em Marituba, na Região Metropolitana de Belém, tem mielomeningocele (falha no fechamento do tubo neural, a estrutura que origina a medula e o cérebro no embrião) e faz acompanhamento quadrimestral com neurologista e urologista. 

“No meu aniversário eu vou ganhar um drone do Capitão América. O que você vai ganhar no seu aniversário?”

Nilcielle Salheb, fonoaudióloga da Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) A1

“No meu aniversário eu quero ganhar uma viagem pra uma praia da região Nordeste, com meus dois filhos, que também são crianças: o Eduardo, de 6 anos, e o Bernardo, de 8 anos. Nós vamos pular ondinhas, fazer castelos de areia e correr bastante. Eu acho que no dia do nosso aniversário a gente vira o super-herói daquele dia: pode fazer tudo que é bonito e maravilhoso, pode fazer o bem e salvar o mundo”.

INTEGRAÇÃO 

Para a pediatra da Santa Casa, Vilma Hutim, presidente da Sociedade Paraense de Pediatria (Sopape), a Santa Casa representa um pólo de atendimento e integração social: “O Hospital promove desde atenção básica, com campanhas e prevenção, relacionando-se com vários organismos nacionais e internacionais, e tem, sim, destaque no cuidado extremo com essa criança amazônica, que exige um olhar único, de rede, de contexto”, pontua. 

*Texto de Aline Miranda (Fundação Santa Casa do Pará)

Por Governo do Pará (SECOM)