Expedição do Estado leva serviços de saúde a Territórios Indígenas do Oeste do Pará

Indígenas das aldeias Kabakrô, Kenkudjoy e Potkrô tiveram acesso a consultas, exames e encaminhamentos para outros serviços, via Central de Regulação 

15/10/2021 19h57 - Atualizada em 15/10/2021 20h32

A Expedição do Governo do Pará chegou ao Distrito Sanitário Especial Indígena de AltamiraIndígenas da etnia Xikrin da Trincheira do Bacajá são os primeiros a receber a segunda etapa da Expedição Saúde por todo o Pará em Territórios Indígenas. As aldeias Kabakrô, Kenkudjoy e Potkrô, que fazem parte do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Altamira, na região oeste do Pará, foram atendidas nesta sexta-feira (15).Guerreiro Bepmrore, da Aldeia Kabakrô

O guerreiro Bepmrore, 23 anos, da Aldeia Kabakrô, e toda a sua família fizeram testes, exames e passaram por consultas médicas. "Todo mundo veio participar da ação, tanto crianças e adultos, como idosos tiveram acesso aos atendimentos, que são muito importantes para que a gente se cuide e tenha saúde. Estávamos esperando a equipe, porque se tiver algum problema com o nosso corpo, eles vão nos falar e poderemos tratar", disse Bepmrore. 

Foram realizadas 117 triagens de enfermagem e atendimentos médicos; 465 testes de Hepatite B e C, sífilis, HIV, IGG e IGM; um teste de antígenos; 32 atendimentos nutricionais; 29 avaliações da fonoaudiologia; 20 de terapia ocupacional; 25 atendimentos de fisioterapia; cinco atendimentos de serviço social; 105 exames de bioquímica (glicose, colesterol e triglicerídeos); cinco exames de urina; três exames de Beta HCG e seis exames de EPF. O atendimento às crianças inclui também os testes da orelhinha e da linguinha

A liderança da Aldeia Kenkudjoy, Beptum, 45 anos, assegurou que os territórios indígenas estão de portas abertas ao governo do Estado. "Nossa maior dificuldade é o deslocamento para fazer o exame e a demora nos resultados para começar o tratamento. Agora, com os serviços dentro da aldeia, tá bom demais. Conseguimos o resultado rápido. Nós estávamos precisando, por isso todo mundo está gostando muito de receber atendimentos e informações", afirmou. Cacique Beptum, liderança da Aldeia Kenkudjoy

Serviços - Além da equipe multiprofissional da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), a Expedição conta com a participação de profissionais da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR). 

Entre os serviços ofertados estão: atendimento com clínica médica; exames laboratoriais (relacionados à bioquímica, à hematologia, de fezes e urina); avaliação e aconselhamento nutricional; testes da orelhinha e da linguinha; avaliação de desenvolvimento infantil; entrega de kits de higiene bucal; testes rápidos de HIV, Sífilis, Hepatite B e C, exames de IGG, IGM e antígenos para Covid-19; orientações de saúde da mulher, criança e homem, além dos serviços da regulação. 

Putira Sacuena, coordenadora da Expedição da SespaRegulação - Segundo a coordenadora da Expedição da Sespa, a indígena Putira Sacuena, um dos diferenciais deste trabalho é poder contar com uma profissional da Regulação in loco nos territórios. "Os encaminhamentos para consultas ou exames específicos são marcados via Regulação, da própria aldeia, quando tem internet, para as regionais mais próximas ou para Belém, quando necessário. O indígena já sai com exame, consulta e cirurgia marcada. É atendimento de qualidade, diferenciado e especializado", frisou a coordenadora.

Neste primeiro dia foram feitos encaminhamentos para 12 indígenas, entre consultas e exames especializados.Cacique Beporê, da Aldeia Potkrô

"Trazer os doutores para dentro da nossa aldeia significa felicidade pra gente. A comunidade está muito animada, e está realmente vindo fazer os atendimentos. Estou muito agradecido a esse povo que veio atender o meu povo, que sofre com dificuldades ao acesso à saúde, como a distância, os poucos veículos e o complicado deslocamento", ressaltou o cacique Bepôre, da Aldeia Potkrô, uma das maiores comunidades da região.

Etapas - A primeira etapa da Expedição envolveu aldeias do DSEI Kaiapó, no mês de setembro. Nesta segunda etapa, mais de 20 aldeias do DSEI Altamira serão contempladas, das etnias Xikrin do Bacajá, Juruna e Arara.

A Expedição prossegue até o dia 23 deste mês. Em novembro será a vez dos indígenas do DSEI Rio Tapajós e Gua-Toc receberem os serviços de saúde.Houve coleta de sangue e urina para a realização de vários exames

Por Giovanna Abreu (SECOM)