Fundação de Atendimento Socioeducativo valoriza convivência familiar na socioeducação

Fasepa considera convívio familiar um valioso fator para processo de ressocialização de adolescentes que cumprem medidas socioeducativas em unidades da Fundação

21/10/2021 16h28 - Atualizada em 21/10/2021 17h07

Participação da família é fundamental para o processo de ressocialização de socioeducandos, considera a Fasepa A convivência familiar é um dos principais fatores que agregam na formação de uma pessoa. É na família que as primeiras relações são criadas e surgem vínculos que se tornam pontos de referência. Esse tema é valorizado nas unidades da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará. Para Fasepa, o convívio familiar dos jovens inseridos no sistema é de extrema importância para a efetivação de um atendimento de qualidade, com consequências positivas para o processo de ressocialização, por isso, o valor da família é reforçado nesta quinta-feira, 21 de outubro, Dia Nacional de Valorização da Família. 

Para alguns dos socioeducandos da instituição, o vínculo familiar se fortalece, a partir do momento que jovens se tornam pais. “O nascimento de um filho pode fazer toda a diferença, porque um pai que cuida, se responsabiliza e se envolve emocionalmente com o filho, está amando a si próprio como filho também, resgatando e cuidando de si. Quando ele supre a necessidade afetiva do filho, ele está suprindo a própria necessidade afetiva também e pode assim adquirir um equilíbrio emocional mais saudável. Muitas vezes vemos na Unidade, um adolescente, que é pai, e por conta disso se motiva mais a transformar sua história de vida para buscar novos focos. Muitos jovens, que já atendi, disseram ‘não quero ser para o meu filho o que o meu pai foi para mim’ e assim isso traz um contexto de esperança”, completa a psicóloga do Centro de Internação do Adolescente Masculino (CIAM) Sideral, Clea Corecha. 

A participação do ciclo familiar pode se tornar um elemento determinante para que jovens em conflito com a lei possam ter uma referência afetiva que os faça refletir sobre as escolhas e os caminhos que desejam seguir futuramente. Um socioeducando de 18 anos, que está há dois meses no Centro de Adolescentes em Semiliberdade (CAS) 2, atualmente é pai de um menino de 11 meses e tem convivido com o bebê e a família da companheira dele, por meio de visitas.

“Depois que meu filho nasceu, ele me deu a chance de mudar de vida e o meu modo de pensar. Quando ele nasceu tentei fazer o meu melhor para não ser mau exemplo, quero dar o melhor para ele. Eu estou em convivência com a família e, depois que ele nasceu, me ensinou a enxergar de outra forma”, conta o jovem sobre a mudança dele, após se tornar pai. 

A assistente social da fundação, Mônica Calandrine, comenta que a família e os profissionais da socioeducação devem caminhar sempre juntos para conseguir beneficiar o jovem atendido. “O documento técnico operativo do Sinase (Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo) traz a família como um eixo central na socioeducação. Nesse sentido, o trabalho social desenvolvido na Fasepa junto aos familiares dos socioeducandos tem objetivo de garantir a preservação e o fortalecimento do vínculo, através da garantia da convivência familiar”, ressalta Mônica.

A companheira do socioeducando que é pai, observa mudanças e mantém otimismo em relação à transformação que o filho do casal vem causando no jovem. "Eu acredito que o nosso filho vai ajudar nessa mudança. Ele já tem demonstrado bastante amor pelo filho, quando ele vai para lá, ele escolhe passar mais tempo com o neném, e antes ele ficava com os amigos”.

A mãe da jovem, que também participa das visitas de convivência familiar, se mostra uma grande aliada no processo de socioeducação do rapaz. “Eu quero uma vida melhor para ele, que possa ter um futuro melhor. Que ele aproveite os cursos que estão oferecendo na Fasepa, porque nós temos que ter algo como profissão”, ressalta a senhora, que é quem oferece o suporte familiar necessário a qualquer adolescente que esteja inserido no sistema socioeducativo na busca na ressocialização.  

*Texto de Kauanny Cohen (Ascom Fasepa).

Por Governo do Pará (SECOM)