Hospital Regional Público do Leste encerra atendimento a pacientes com Covid-19

Unidade foi referência para tratamento da doença, designada pela Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), desde abril de 2020, atendendo 515 pessoas

29/10/2021 16h59 - Atualizada em 30/10/2021 13h09

“Iniciamos nossas internações em abril do ano de 2020, e foram dias difíceis, pois tudo era muito novo não tínhamos protocolos de tratamento, iniciamos tratamento baseado em sinais e sintomas, com a experiência prévia de doenças virais respiratórias. Eram pacientes graves, muito graves, psicologicamente e emocionalmente, não estávamos preparados para perder pacientes, que por causa da gravidade dos casos, poderiam evoluir a óbito. O medo de contaminação e de óbito era muito grande, e entre os profissionais de saúde, tivemos perdas em nossas fileiras, o que aumentava a dor e o medo”.

O relato do médico intensivista, plantonista e coordenador da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Público do Leste (HRPL), Everaldo Marques de Oliveira Júnior, evidencia a luta no enfrentamento da Covid-19, pela equipe do HRPL, desde quando a pandemia iniciou, em março de 2020, no Pará.

A Unidade foi designada pelo governo do Estado, por meio da Sespa, para assumir o perfil assistencial a usuários com Covid-19 em abril do ano de 2020, até agosto deste ano de 2021. Nesse período, 515 pacientes foram admitidos no hospital para serem assistidos na UTI e na unidade de Internação da instituição. Destes, a equipe multiprofissional do Hospital teve êxito em 65% das internações, equivalente a 335 pacientes que tiveram suas vidas salvas.

De acordo com Everaldo Júnior, a equipe multiprofissional, formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeuta ocupacional, assistente social, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e fonoaudiólogos, teve que se desdobrar em um esforço quase sobre-humano, para que o hospital pudesse atender com qualidade tantos usuários infectados pelo coronavírus; a maioria, graves.

Médico Everaldo MarquesAinda conforme relatou o intensivista, muitos profissionais médicos desistiram do trabalho por conta do risco de contaminação e da falta de tratamento preconizado pelas autoridades de Saúde no tratamento da Covid-19.

Sobre o êxito de 65% de vidas salvas, o médico atribui as vitórias à expertise e união da equipe multiprofissional, alinhada às pesquisas e experimentações de tratamentos com sucesso na sobrevivência de pacientes infectados pelo coronavírus.

“Em pleno século XXI, um diminuto vírus, flagelando o mundo inteiro e expondo nossas fragilidades como ser humano, mas nada era capaz de desanimar os que decidiram na batalha contra a Covid-19. Com 30 a 40 dias antes de protocolarem a dexametasona como eficaz no tratamento, já estávamos usando-a em nosso protocolo, e dia a dia, plantão a plantão começamos a ter uma resposta positiva com nossos pacientes, tivemos paciente que ficou internado em nosso hospital por até 100 dias, e hoje se tornaram nossos amigos e estão no seio de suas famílias, este fato reconforta nosso coração", relatou o intensivista.

O coordenador Assistencial do HRPL, Ederson Brito, foi um dos colaboradores da unidade que foi infectado pelo coronavírus no período em que o Hospital enfrentava uma das fases mais intensas da pandemia. O enfermeiro ficou internado 16 dias, destes, 10 esteve lutando contra a doença na UTI. Ederson vivenciou a pandemia da covid-19, nos dois lados, da assistência e entre os assistidos, mas, e saiu vitorioso e grato por ter a vida salva com a atuação de seus colegas de trabalho da equipe multiprofissional. 

"Primeiro, agradeço a Deus por ter me dado mais uma chance e ter me dado forças para lutar. Digo a vocês, meus colegas, que quando estamos do lado de cá, enquanto profissionais, nós procuramos sempre em prestar a melhor assistência possível para nossos pacientes. Entendemos e compartilhamos da dor do outro, do sofrimento e do medo. Não esperamos passar para o outro lado. Mas, quando nos tornamos pacientes e estamos longe de casa, é bom receber palavras de apoio de quem está ao nosso redor. Vocês foram família para mim que estava longe da minha, vocês fizeram tudo e digo tudo que estava ao alcance de vocês para que esse dia chegasse. Por isso, agradeço por cada um: médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogo, técnicos de enfermagem, auxiliares de limpeza, auxiliares de farmácia, farmacêuticos, biomédicos, nutricionistas, pessoal da cozinha, psicólogos, assistentes sociais, recepcionais, pessoal da portaria, enfim, todos", reconheceu o enfermeiro. 

Atualmente, o HRPL não é mais referência no tratamento da Covid-19, e desde o mês agosto nenhum usuário foi admitido no hospital para tratamento contra a Covid-19. A unidade hospitalar voltou a ser referência para média e alta complexidade para 23 municípios, com várias especialidades médicas disponíveis para mais de 900 mil habitantes, que dependem de assistência de alta complexidade em trauma, cirurgia geral e neurocirurgia. Além disso, o HRPL possui reconhecida atuação na linha do cuidado aos usuários acometidos por Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Diretor assistencial Clóvis GusePara o diretor Assistencial do HRPL, Clóvis Guse, o fato de o HRPL ter sido escolhido pra ser um dos hospitais públicos do governo do estado referência para o atendimento da Covid-19, foi um motivo de muito orgulho. "Tivemos uma experiência ímpar. Partimos do desconhecido, pois não sabíamos o impacto da pandemia, e com uma boa gestão e comprometimento de todos os colaboradores, médicos, terceiros e fornecedores, enfrentamos as adversidades e o saldo final foi um sucesso. Salvamos muitas vidas, centenas de usuários presenciaram as nossas lutas. Vivemos juntos essas lutas, o medo, as frustrações, mas houve muito mais o sucesso e as vitórias. A pandemia veio fortalecer os laços entre o HRPL e a população, que juntos podemos fazer acontecer um sistema de saúde único, acessível, igualitário, universal para todos especialmente com qualidade, humanizado e de excelência na assistência", ressaltou o diretor Assistencial.

"Tenho certeza absoluta que cumprimos nosso papel perante a sociedade, na atuação junto ao enfrentamento da Covid-19 e dentro do nosso perfil. Muita coisa mudou depois da Covid-19 em relação a protocolos, tratamento tanto medico quanto fisioterapia e ventilação mecânica, por exemplo. Aprendemos muito com a Covid-19. O mundo conseguiu dar uma resposta nunca vista perante uma pandemia. Demonstrou que a união faz a força, que a multiprofissionalidade é a melhor das condutas em um quadro clínico tão complexo. Gostaria de deixar meus agradecimentos a todos os profissionais que estiveram nessa luta na UTI, mas quero estender a todo hospital, aos que colaboraram diretamente ou indiretamente, como retaguarda, citei anteriormente “a união faz a força “, e um time só tem resultado positivo, quando todos participam. Meu muitíssimo obrigado a todos", finaliza o intensivista, Everaldo Marques de oliveira Júnior. 

*Texto de Joelza Silva (Ascom HJB).

Por Governo do Pará (SECOM)