’Rede de Sementes e Mudas do Tapajós’ avança com apoio de instituições e comunidades tradicionais
Encontro em Santarém reuniu parceiros, organizações e povos tradicionais para estruturar cadeia sustentável de restauração florestal
O auditório do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), em Santarém, sediou na última terça-feira (26) o evento “Sementes e Mudas do Tapajós: Trilhas e Conexões para a Restauração Socioprodutiva”. A programação reuniu gestores públicos, parceiros institucionais e representantes de comunidades tradicionais com o objetivo de fortalecer a Rede de Sementes e Mudas do Tapajós, iniciativa que busca estruturar uma cadeia sustentável capaz de atender às metas do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (PLANAVEG) e do Programa de Regularização Ambiental do Pará (PRVN).

Organizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e pela Conservação Internacional, o encontro destacou a importância da cooperação entre sociedade civil, setor produtivo e poder público para transformar compromissos em resultados concretos de restauração e geração de renda na Amazônia.
O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) participou de dois painéis temáticos. O primeiro, “Sementes do Tapajós: cooperação e inovação socioprodutiva”, discutiu como o trabalho em rede pode impulsionar o protagonismo das comunidades na coleta e comercialização de sementes. O segundo, “Rede de Sementes e Mudas do Tapajós: Estruturação e Operacionalização”, tratou dos caminhos para garantir escala e sustentabilidade à iniciativa.
Para a gerente de Contratos Florestais do Ideflor-Bio, Cíntia Soares, a consolidação da rede é estratégica. “O fortalecimento da Rede de Sementes e Mudas do Tapajós é fundamental para que possamos transformar planos em ações concretas de restauração. Esse movimento integra quem vive e cuida da floresta com políticas públicas estruturantes, abrindo caminho para resultados sólidos, inclusivos e duradouros”, destacou.
Desenvolvimento socioprodutivo e inclusão
Os debates ressaltaram que a restauração florestal deve ser entendida não apenas como cumprimento de metas ambientais, mas também como oportunidade de desenvolvimento socioprodutivo. A criação de cadeias estruturadas de sementes e mudas contribui para a geração de renda, valorização dos saberes tradicionais e fortalecimento de práticas sustentáveis no território.
Representantes locais lembraram que, com assistência técnica, acesso a mercados e apoio institucional, é possível transformar o potencial da sociobiodiversidade em benefícios concretos para comunidades e famílias da região.
Ao final do encontro, os organizadores reforçaram que a consolidação da rede exige investimento, cooperação e continuidade. A expectativa é que a experiência iniciada em Santarém se torne referência regional, garantindo que a restauração aconteça efetivamente no chão da floresta e deixe um legado positivo para as futuras gerações.