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Adepará reforça ações educativas para proteger produção de mandioca no Sudeste do Estado

Agência percorre comunidades rurais e terras indígenas para orientar agricultores sobre o combate à vassoura de bruxa e garantir o sustento de centenas de famílias

Por Rosa Cardoso (ADEPARÁ)
08/01/2026 15h38
Agricultores assentados recebem orientações

O Sudeste do Pará, conhecido por sua forte produção de soja e criação de gado, também possui produção de mandioca, um cultivo essencial para o sustento de muitas famílias de pequenos agricultores. Para ajudar na proteção dessas plantações, a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) promoveu ações educativas nos municípios de Bom Jesus do Tocantins, Abel Figueiredo, Rondon do Pará e Dom Eliseu.

Em Bom Jesus do Tocantins, a equipe de educação sanitária da Adepará visitou a Comunidade Gaúcha, onde cerca de 600 agricultores, a maioria produtores de farinha de mandioca, participaram de uma roda de conversa sob a sombra de uma mangueira. A fiscal agropecuária Marluce Bronze, agrônoma da Adepará, explicou os cuidados necessários para evitar a propagação da vassoura de bruxa, uma praga que ameaça as plantações de mandioca.

Equipe em Bom Jesus do Tocantins

A equipe também reuniu agricultores de dois assentamentos da Comunidade Bacabal Grande, com aproximadamente 80 a 90 famílias em cada projeto. A produção local de farinha é expressiva, com cerca de 34 toneladas produzidas por semana, abastecendo as feiras de Marabá e Bom Jesus do Tocantins e atendendo o comércio local.

O técnico agrícola Alisson Santos, da Secretaria Municipal de Agricultura, destacou a importância da prevenção. "Orientar os produtores sobre o controle da vassoura de bruxa e o uso de sementes de qualidade é fundamental para garantir uma produção saudável", explicou.

Prevenção 

Seu Cícero Lima, agricultor de Bom Jesus do Tocantins, compartilhou sua experiência sobre a produção de mandioca. "Quando a safra é boa, conseguimos vender. Quando é pequena, usamos para consumo próprio. Já ouvi falar dessa doença, mas graças a Deus, aqui ainda não chegou. É importante diversificar as culturas, para não depender apenas da mandioca", comentou.

Na Terra Indígena Mãe Maria, a palestra abordou os sintomas da vassoura de bruxa e houve distribuição de material

Na Terra Indígena Mãe Maria, onde vivem os indígenas do povo Gavião Parkatejê, localizada à margem da BR-222, a comunidade se mobilizou  para participar das atividades educativas. A palestra abordou os sintomas da vassoura de bruxa e houve a distribuição de material informativo sobre a praga, que já foi registrada em áreas indígenas isoladas no Pará, mais precisamente no Parque do Tumucumaque.

Na reserva, o saber tradicional indígena se mostrou um valioso aliado na luta contra a praga. "Trabalhamos o tradicional e o moderno, valorizando o nosso conhecimento e respeitando a natureza", afirmou a liderança local, Kátia Silene Tonkyre. 

A TI Mãe Maria possui área de 62.488 hectares e abriga cerca de 670 pessoas de diferentes grupos Gavião. A agropecuária é uma das principais fontes de sustento dos Akrãtikatêjê, que cultivam mandioca, maracujá, peixe e castanha-do-Pará, além da recente criação de gado.

Preservando o cultivo da mandioca

Agricultores participaram de rodas de conversa em Rondon do Pará

Em Rondon do Pará, na divisa com o Maranhão, a economia é impulsionada pela agricultura, pecuária e comércio. No Assentamento Campo Dourado, agricultores de diversas comunidades participaram da roda de conversa e tiraram dúvidas sobre a vassoura de bruxa.

A agricultora Elissandra Lima Silva expressou sua preocupação: "Plantei uma roça de três alqueires e sei que a produção exige muito investimento. A doença é uma ameaça, mas as orientações da Adepará foram muito valiosas para nos ajudar a prevenir".

Em Abel Figueiredo, os técnicos visitaram uma casa de farinha e alertaram o produtor Josimar Pereira dos Santos Souza, que produz dez quilos de farinha por mês. "Se essa doença chegar, será um grande problema. Acredito que a higiene das ferramentas e do maquinário pode ajudar a retardar sua chegada", disse ele.

Sustento familiar

Em Dom Eliseu, a equipe de educação sanitária se reuniu com agricultores de quatro comunidades: Alto Bonito, Bonito I, Vila Nazaré e Colônia União. 

Maxwell França é produtor de mandioca em Dom Eliseu

Maxwell França, produtor de mandioca na Comunidade Alto Bonito, afirmou que as orientações da Adepará foram importantes para ele, que está iniciando seu terceiro plantio anual. "É muito bom aprender desde o começo, assim podemos evitar problemas futuros", disse.

Rivelino Silva, produtor de mandioca, melancia, açaí e cacau, compartilhou a experiência de sua família, que vive da roça. Ele também falou sobre a importância de se prevenir contra a vassoura de bruxa: "Aprendemos que é possível conviver com a praga e evitá-la, além de aprender a higienizar nossas ferramentas".

Parceria com prefeituras

As prefeituras têm sido grandes aliadas da Agência de Defesa no controle e combate às pragas agrícolas. "Contamos com o apoio das prefeituras para mobilizar as comunidades e garantir o sucesso dessa campanha de prevenção. Agradeço imensamente aos produtores, aos agricultores familiares e aos povos indígenas pela receptividade  e interesse. A simplicidade e o entusiasmo de todos foram fundamentais para o sucesso das atividades", disse Marluce Bronze, fiscal agropecuária da Adepará.