Sespa promove qualificações e ações à população em alerta sobre hanseníase
A programação envolve "lives", mutirão de atendimento dermatológico e simpósio voltado a estudantes e profissionais de saúde
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), por meio do Programa Estadual de Controle da Hanseníase, prossegue na mobilização para o "Janeiro Roxo", com o tema “Hanseníase tem cura”, alusivo ao mês alusivo à intensificação de ações de prevenção à doença. A programação envolve transmissões ao vivo, como as ‘lives’, mutirão de atendimento dermatológico e simpósio voltado a estudantes e profissionais de saúde.
As mensagens da campanha reforçam a conscientização da população sobre a Hanseníase no Estado, sobretudo em relação ao estigma e discriminação da doença, sobre o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno como forma de eliminar fontes de infecção e interromper a cadeia de transmissão da doença.
“Nossas abordagens de reforço à prevenção incluem ainda as repercussões da incapacidade física e das deformidades causadas pela doença, que são as responsáveis pelo estigma e discriminação às pessoas que tem ou tiveram a doença”, explica o coordenador do Programa Estadual de Controle da Hanseníase, Luiz Augusto Costa.
Na sexta-feira (23), de 8h30 às 11 horas, a programação continua com o mutirão de atendimento dermatológico no Centro de Referência Especializado em Dermatologia da Universidade do Estado do Pará (Uepa), localizados no campus do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), situado na travessa Perebebuí, em Belém, ao lado do Bosque Rodrigues Alves.
A ação oferecerá atendimentos dermatológicos gratuitos à população de Belém que apresente manchas na pele - especialmente brancas ou avermelhadas -, sintomas que podem indicar hanseníase.
Não é necessário agendamento prévio. Basta comparecer ao local no horário da ação, levando documento de identidade, cartão do SUS (Sistema Único de Saúde) e comprovante de residência.
Durante o mutirão, as pessoas serão avaliadas por dermatologistas. A iniciativa está alinhada ao reconhecimento, feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em maio de 2025, das doenças de pele como prioridade global em saúde pública.
No dia 28 de janeiro, entre 8h30 e 12 horas, acontecerá o simpósio “Hanseníase na infância e adolescência: diagnóstico, impactos físicos e psicoemocionais e direitos humanos”, no auditório da Unidade de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (UEAFTO), do CCBS da Uepa, no bairro do Marco, em Belém. Realizada mediante parceria entre Sespa e Uepa, a atividade será voltada a profissionais de saúde, universitários, conselhos de classe, entidades e movimentos sociais.
No dia seguinte, 29 de janeiro, ocorre uma atualização sobre hanseníase em ambiente virtual, com abordagem sobre diagnóstico diferencial e manejo das reações hansênicas, bem como avaliação neurológica simplificada, destinada a profissionais da Atenção Básica.
Mediante parceria entre a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Unidade de Referência Especializada (URE) Marcello Cândia, a atividade ocorrerá no Telessaúde da Uepa e será ministrada pela coordenadora do Departamento de Hanseníase da SBD, Carla Pires, e pela fisioterapeuta Sabrina Sampaio Bandeira, da URE Marcello Cândia.
Em relação aos dados epidemiológicos, a Sespa informa que em 2024 foram diagnosticados 1.437 casos de hanseníase no Pará e, em 2025, 1.468 casos. Até o momento, não há registro de casos em 2026. A Sespa informa, ainda, que o diagnóstico, tratamento e prevenção da doença são realizados na atenção primária de saúde (UBSs e Estratégia da Saúde da Família) e que os casos mais graves são encaminhados para a Unidade de Referência Especializada (URE) Marcello Candia, em Marituba.
Ainda segundo Luiz Augusto, a população deve suspeitar quando apresentar sintomas, como manchas na pele que não coçam e não doem, além de manchas avermelhadas esbranquiçadas com perda de sensibilidade na pele e caroços. “Como uma pessoa suspeita em casa, é prudente que as Secretarias Municipais de Saúde examinem as outras pessoas que residem no imóvel para um melhor controle da doença e descoberta de novos casos precocemente. O exame dos contatos é uma forma de prevenir a doença”, acrescenta.
Sobre a Hanseníase
A hanseníase é uma das doenças mais antigas da humanidade, atinge pele e nervos, e quando não tratada pode causar incapacidades físicas e deformidades. A doença acomete pessoas de qualquer sexo e idade. A transmissão se dá por meio de vias aéreas respiratórias (pelo ar), através do convívio prolongado com paciente sem o tratamento.
Principais sinais e sintomas são: lesões ou manchas na pele (esbranquiçadas, acastanhadas ou avermelhadas) com alteração da sensibilidade térmica (ao calor e frio) e/ou dolorosa (à dor) e/ou tátil (ao tato); formigamentos, choques e câimbras nos braços e pernas, que evoluem para dormência (a pessoa se queima ou se machuca sem perceber); áreas com diminuição dos pelos e do suor; diminuição e/ou ausência da força muscular na face, mãos e pés; edema de mãos e pés e ressecamento da pele.
O diagnóstico é essencialmente clínico epidemiológico, realizado por meio de exame da pele e dos nervos, para identificar lesões com alteração de sensibilidade e alterações motoras. O tratamento é realizado através da associação de medicamentos, fornecidos gratuitamente pelo SUS, disponíveis em qualquer unidade de saúde.
