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MEIO AMBIENTE

Curso de Educação Ambiental na Usina da Paz transforma vida de paraense em Belém

Capacitação na UsiPaz Jurunas/Condor impulsiona produção de biojoias e ecojoias e fortaleceu a consciência sobre o uso responsável dos recursos naturais

Por Arthur Sobral (SEMAS)
27/01/2026 08h00

Para Elenice Gomes, 61 anos, mãe de duas filhas, a educação ambiental virou prática diária e também fonte de renda. A partir da capacitação em biojoias realizada, em 2023, com apoio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), na UsiPaz Jurunas/Condor, em Belém, ela passou a transformar sementes, papel reutilizado e retalhos de jeans em peças vendidas em feiras itinerantes e pela internet. Uma experiência que mostra como o consumo sustentável pode gerar oportunidades e autonomia para as pessoas.

O que hoje aparece em forma de colares, brincos e pingentes nasceu de um recomeço que não foi simples. Elenice viveu um relacionamento marcado por violência doméstica e, ao decidir se separar, passou a reconstruir a vida ao lado das filhas. A mais nova tinha cerca de cinco anos quando ela se viu mãe solo, responsável por garantir alimento, segurança e o mínimo de conforto para as meninas. Para seguir em frente, trabalhou na feira e atuou como vendedora de roupas autônoma, sustentando a casa com esforço diário e a certeza de que precisava continuar.

Com o tempo, as filhas cresceram, hoje têm 30 e 40 anos, e, mesmo morando em outras casas, Elenice segue presente no apoio à família, especialmente no cuidado com o neto. Foi nesse período, quando as despesas apertaram e a necessidade de alternativas ficou mais evidente, que ela encontrou na Usina da Paz um lugar de acolhimento e oportunidade. Frequentadora dos serviços oferecidos no equipamento público, ela decidiu se inscrever assim que surgiu a chance de participar do curso de biojoias.

'Curso me garantiu renda extra e maior consciência ambiental', diz moradora

“O curso me garantiu renda extra. Essa renda me ajudou a comprar sofá e geladeira para casa. Ajuda também a cuidar do meu neto. Além disso, me ajudou a ter consciência maior sobre o meio ambiente e o aproveitamento das coisas”, contou.

Elenice Gomes destaca que a capacitação não só abriu portas para melhorar a renda, como mudou a percepção sobre o que pode ser reaproveitado no dia a dia e sobre o valor dos recursos que o meio ambiente oferece.

A produção acontece dentro de casa. Na sala, ela organiza materiais e cria biojoias e ecojoias a partir de itens do cotidiano, como bula e caixa de remédios, revistas e outros papéis reutilizados, além de casca de árvores e sementes e caroços, com destaque para o açaí. “Hoje, tudo que eu vejo que posso utilizar para produzir as minhas joias, eu reaproveito e ainda peço para amigas me darem todos esses materiais que utilizo”, afirmou.

Bioeconomia: valor para o que seria descartado

No dia a dia, a bioeconomia também acontece em pequena escala, quando conhecimento e criatividade transformam recursos naturais e materiais reaproveitados em produtos com valor. Ao trabalhar com sementes, papel e retalhos de jeans, Elenice une consumo consciente e geração de renda. Um exemplo sobre como a educação ambiental pode estimular novas  práticas sustentáveis dentro das comunidades.

As peças com sementes e com retalhos de jeans estão entre as mais procuradas. Já um colar com pingente da Nossa Senhora de Nazaré, produzido com papel reutilizado, chama atenção pela simbologia e pelo cuidado artesanal, e se tornou um dos itens mais lembrados por quem conhece o trabalho.

A comercialização ocorre em feiras itinerantes e também pela internet: Elenice mantém um perfil no Instagram onde expõe os produtos e recebe encomendas. Durante a primeira semana da COP30 (30ª Conferência Mundial sobre Mudanças do Clima), realizada em novembro do ano passado, em Belém, ela relata ter faturado cerca de R$ 5 mil em poucos dias. Esse resultado reforça como a capacitação, reaproveitamento e o consumo sustentável podem se converter em oportunidade real, especialmente para quem não desistiu de recomeçar.

Ao transformar sementes, papel e jeans em peças que circulam em feiras e redes sociais, Elenice traduz, na prática, um princípio essencial da educação ambiental: quando o cuidado com o meio ambiente vira hábito e oportunidade, ele deixa de ser discurso e se torna uma forma de viver, com mais consciência, dignidade e possibilidades. “Com a renda extra posso ajudar um pouco as minhas filhas, quando precisam, e também melhorar a minha moradia com sofá e geladeira nova, por exemplo”, disse contente.

Semas ampliam práticas sustentáveis

Por meio da Coordenadoria de Educação Ambiental (CEAM), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) realizou 93 atividades em 2025, atendendo 1.680 pessoas em diversas regiões do Pará. Entre os 910 atendimentos feitos pela coordenadoria, foram promovidos cursos de Agentes Ambientais e capacitações em educação ambiental, além de oficinas de reaproveitamento de resíduos para usuários de 16 Usinas da Paz (Usipaz) e palestras em municípios.

Além de Belém e Região Metropolitana, as ações ocorreram em Bragança, Benevides, Parauapebas, Canaã dos Carajás, Marabá, Abaetetuba, Capanema, Castanhal, Tucuruí e Moju. As atividades da coordenadoria têm como objetivo desenvolver práticas sustentáveis, capacitar a população e estimular a geração de renda por meio do reaproveitamento de resíduos, fortalecendo a educação ambiental alinhada aos princípios ecológicos, às políticas públicas de planejamento e à transformação da realidade local.