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INCLUSÃO SOCIAL E ECONÔMICA

Feira do Empreendedorismo Inclusivo reforça inclusão produtiva e a economia criativa

A 42ª edição no Porto Futuro fortalece a autonomia de famílias atípicas no Pará. Evento neste sábado (31), segue também no domingo (1º), das 16h às 21h.

Por Giullianne Dias (SESPA)
31/01/2026 20h12
Em Belém, a Feira do Empreendedorismo Inclusivo oferta uma variedade de produtos artesanais e autorais no Porto Futuro

Entre cores, sabores, criatividade e histórias de superação, o Parque Urbano Belém Porto Futuro, no bairro do Reduto, se transforma, neste final de semana, em um espaço onde inclusão e geração de renda caminham juntas. Neste sábado (31) e no domingo (1º), das 16h às 21h, o público pode conferir a 42ª edição da Feira do Empreendedorismo Inclusivo, uma iniciativa do Governo do Estado, realizada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), por meio da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (Cepa).

Consolidada como uma política pública de inclusão socioeconômica, a feira reúne 12 empreendedoras e vai além da comercialização de produtos. O evento oferece visibilidade, fortalece a economia criativa e amplia o olhar da sociedade sobre as potencialidades de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), seus familiares e associações.

Nos últimos dois anos, a Feira do Empreendedorismo Inclusivo já alcançou R$ 171 mil em renda gerada, 6.331 mercadorias comercializadas, 264 empreendedores envolvidos e 41 eventos realizados. Resultados expressivos que impactam positivamente à vida de centenas de famílias paraenses.

Durante os dois dias de programação, neste final de semana, os visitantes encontram uma grande variedade de produtos artesanais, regionais e autorais, como roupas, acessórios, alimentos, itens de papelaria, brinquedos educativos, artigos personalizados e fantasias de carnaval, aproveitando a proximidade do período festivo. Cada peça carrega não apenas criatividade, mas também histórias de dedicação, autonomia e resiliência.

Entre essas histórias, está a da empreendedora autista Helen Brasil, que participa da feira há cerca de três anos. Pedagoga, psicopedagoga e neuropedagoga, ela também é autista e encontrou no empreendedorismo uma forma de unir conhecimento, vivência e inclusão. É a partir dessa trajetória acadêmica e pessoal que ela produz e comercializa brinquedos pedagógicos voltados ao desenvolvimento infantil, especialmente para crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Neuropedagaga, Helen Brasil é autista e participa da feira há 3 anos. Ela sonha em criar uma ONG para crianças com autismo.

Para Helen, o espaço representa mais do que uma oportunidade de venda. “É muito bom participar da feira. Ajuda bastante”, afirma. Helen explica que a renda obtida com a comercialização dos produtos tem um propósito social ainda maior. “Eu quero montar uma ONG para poder atender crianças autistas que não têm acesso a terapias e nem plano de saúde. Essa renda ajuda a realizar esse sonho”, relata.

Além do trabalho na feira, Helen conta que sua formação faz com que seja frequentemente convidada para palestrar para mães de crianças autistas. “Muitas mães me procuram para ouvir minha história e entender que seus filhos também podem chegar lá. Eu sou prova disso”, destaca.

As empreendedoras Daniele Quadros e Luciane Queiroz ressaltam que a feira dá visibilidade para o trabalho delas

Para a empreendedora, Daniele Quadros, que participa da feira, pela segunda vez, o evento representa uma oportunidade concreta de inserção no mercado de trabalho. “É uma forma de divulgar o nosso trabalho, porque o nosso tempo é muito corrido. Somos mães atípicas e precisamos dar uma atenção especial aos nossos filhos. Aqui é uma oportunidade de mostrar o que a gente sabe fazer e, ao mesmo tempo, gerar renda para a nossa família”, relata.

Daniele é mãe de uma adolescente de 12 anos e conta que a renda obtida na feira tem sido essencial para as despesas domésticas. “Hoje, essa renda ajuda diretamente em casa, principalmente porque meu marido está desempregado”, completa.

Quem também vê na feira uma fonte fundamental de sustento é a empreendedora Luciane Queiroz, que participa pela quinta vez do projeto. “Participar da feira representa divulgar meu trabalho e garantir minha renda. Essa é a minha principal fonte de renda hoje”, afirma. Mãe de uma criança de cinco anos, Luciane destaca que a feira possibilita manter o negócio ativo e contribuir para a organização financeira da família.

A titular da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo, Brenda Maradei, reforça que o projeto nasceu justamente para atender uma necessidade recorrente das famílias atípicas. “Muitas mães têm dificuldade de manter um emprego formal por conta da rotina de terapias e cuidados com os filhos. A feira surge para apoiar esse empreendedorismo, oferecendo um espaço seguro, bem localizado e com grande circulação de pessoas, onde elas podem vender seus produtos e gerar renda”, explica.

Coordenadora estadual de políticas para o autismo, Brenda Maradei: "Temos quase 300 empreendedoras cadastradas na feira"

A coordenadora estadual enfatiza que o projeto promove a comercialização, capacitação e a troca de experiências entre as participantes. “Antes de cada feira, realizamos reuniões de orientação, apresentando tendências de mercado. Nesta edição, por exemplo, incentivamos produtos com temática de carnaval, o que aumenta o potencial de vendas”, acrescenta.
Brenda destaca ainda que o projeto segue em expansão.

“Já temos quase 300 empreendedoras cadastradas e fazemos um rodízio a cada edição. Nossa intenção é ampliar a feira para outros espaços e órgãos públicos, fortalecendo ainda mais essa política de inclusão produtiva”, afirma.

O impacto positivo da feira também é percebido pelo público visitante. A turista Erika Souza, que veio de Recife e aproveitou a programação, destacou a importância da iniciativa.
“Eu acho muito importante. Além de ajudar pessoas com autismo, contribui para a cultura do estado e valoriza essas pessoas. Mesmo não sendo daqui, a gente gosta de conhecer e prestigiar”, comentou.

Além de movimentar a economia local, a Feira do Empreendedorismo Inclusivo contribui para romper preconceitos e ampliar a compreensão da sociedade sobre as vivências ligadas ao autismo, promovendo empatia, respeito e pertencimento. Com entrada gratuita, a expectativa é de grande circulação de público ao longo do fim de semana, garantindo visibilidade às empreendedoras e fortalecendo um projeto que já se tornou referência em inclusão socioeconômica no Pará.