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JUSTIÇA HÍDRICA

Programa do Governo do Pará transforma água da chuva em potável nas escolas ribeirinhas de Belém

Sistema instalado na EMEF São José, na ilha Grande, capta, trata e distribui água potável sem aditivo químico; iniciativa já soma dez sistemas na Região Metropolitana de Belém

Por Arthur Sobral (SEMAS)
11/02/2026 17h32

A rotina dos 198 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) São José, na comunidade da ilha Grande, em Belém, ganhou um reforço concreto de saúde, dignidade e sustentabilidade: a unidade é uma das quatro escolas que concluíram a implementação do sistema de aproveitamento de água pluvial purificada para consumo humano, utilizada nos bebedouros e também na cozinha, no preparo da alimentação escolar. 

A iniciativa faz parte do programa Água para Todos, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas). O secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental (Sagra), Rodolpho Zahluth Bastos, da Semas, realizou entrega de garrafinhas ecológicas aos estudantes da escola São José, um complemento que fortalece o impacto do programa para ampliar o alcance do projeto para além da área escolar, incentivando que as crianças possam levar água para casa.

Na escola, a água da chuva passa a ser vista como solução baseada na natureza e como resposta prática a uma realidade amazônica: comunidades cercadas por água, mas com dificuldade de acesso à água potável. “O programa Água para Todos nasce de uma condição de realidade amazônica, ribeirinha, onde as pessoas habitam em lugares cercados de água, mas não têm acesso à água potável. Dessa forma o projeto proporciona dignidade de justiça hídrica, de acesso a água de qualidade para as comunidades ribeirinhas”, afirmou Rodolpho Zahluth Bastos.

Além das escolas, a iniciativa também contempla uma Unidade Básica de Saúde (UBS), quatro empreendimentos de sociobiodiversidade de base comunitária e um sistema instalado na comunidade de Santo Amaro, em Benevides, totalizando 10 sistemas de captação, armazenamento e tratamento de água da chuva já implantados.

Como funciona o sistema

A estrutura instalada na Emef São José conta com três cisternas de cinco mil litros e um reservatório elevado de mil litros, que armazenam a água que será tratada sem nenhum aditivo químico, através de filtros, garantindo abastecimento para os pontos de consumo na cozinha e no bebedouro. 

Engenheira civil da Startup Pluvi, Simeia Domingos explicou que o dimensionamento varia conforme a área de captação e a demanda de cada local. No caso da São José, o projeto considera 300 m² de telhado como área de captação e uma reserva total de 15 mil litros, distribuída nas cisternas e no reservatório elevado. Ela detalhou ainda o fluxo de funcionamento: a primeira água, que “lava” o telhado, é separada em um reservatório inicial, e a água seguinte, limpa, segue para as cisternas, depois para o reservatório elevado e, por fim, para o sistema de filtragem e tratamento que a torna própria para beber, chegando aos pontos de consumo na escola.

Para Rodolpho, a escolha das escolas como equipamentos prioritários amplia o alcance social da política pública. “A escola, na verdade, traz uma capilaridade para todos os moradores. No momento que a gente atinge as crianças desses moradores da ilha, a gente vai atingir, na verdade, todos eles. Então acho que foi um recorte de política pública essencial… instalar em escolas e não individualmente na casa das pessoas”, destacou.

Ele reforçou ainda que o projeto une segurança hídrica e desenvolvimento sustentável, com impacto direto no cotidiano e na economia local. “É um projeto de solução baseada na natureza. A partir daí a gente faz um tratamento através de uma tecnologia social e passa a possibilitar que as pessoas tenham segurança hídrica, tanto no consumo humano, mas também na produção dos alimentos dessas escolas”, disse. 

Rodolpho também citou a contribuição para empreendimentos comunitários: “As mulheres extrativistas vão utilizar a água potável para a produção dos óleos de andiroba, tem um impacto social enorme e para o fomento da sociobiodiversidade e da bioeconomia”.

Na avaliação da coordenadora da escola, Luciene Rocha, a mudança tem reflexo direto na qualidade de vida dos estudantes e na rotina da unidade. “Os alunos, eles vão estar consumindo, usufruindo uma água mais potável, mais limpa pro seu consumo, tanto de alimentação também… essa água que vai ser consumida desse projeto, com certeza em relação à outra água que nós utilizávamos antes, é 100% com certeza renovável”, afirmou.