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Exposição “Trans Amazônica” celebra dez anos de trajetória artística de Rafaela Moreira na FCP

Mostra selecionada pelo Prêmio Branco de Melo 2025 reúne obras monumentais e promove diálogos sobre arte, memória e identidade na Amazônia

Por Aycha Nunes (FCP)
12/02/2026 21h36

A Fundação Cultural do Pará (FCP) realizou, na última quinta-feira (12), na Galeria Benedito Nunes, em Belém, a abertura da exposição “Trans Amazônica”, da artista visual Rafaela Moreira. A mostra, selecionada pelo edital “Prêmio Branco de Melo 2025”, integra a política de fomento à produção artística no Estado e celebra os dez anos de trajetória da artista, além da conclusão de seu mestrado em Artes pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

O evento reuniu artistas, estudantes, pesquisadores, representantes do setor cultural e o público em geral, em uma noite marcada por emoção, encontros e reflexões. A exposição apresenta obras monumentais em técnicas mistas que atravessam pintura, memória e identidade, reafirmando o papel da arte como instrumento de expressão e debate.

Conexões entre territórios e narrativas

Com curadoria dos pesquisadores Eduardo Bruno, doutor em Artes pela UFPA, e Waldírio Castro, doutorando em Artes, a mostra estabelece conexões entre produções da Amazônia e do Nordeste, ampliando o diálogo entre regiões historicamente marginalizadas no circuito artístico nacional.

Logo na entrada da galeria, a obra que retrata Sofia Chagas Aires, mulher trans nascida em Ananindeua (PA) e radicada em Fortaleza (CE), chamou a atenção do público, que permaneceu por longos minutos observando os detalhes da pintura.

Logo na entrada da galeria, a obra que retrata Sofia Chagas Aires, chamou a atenção dos visitantes

A modelo Tiana Ferreira, de 31 anos, que teve um retrato pintado por Rafaela em 2021, destacou a importância da representatividade na arte. “É incrível ver outra travesti ocupando esses espaços, principalmente na arte, e colocando sua visão de mundo. Em 2021, tive um quadro meu feito por ela, quando estava no início da minha transição. Quando olho para a obra, lembro de tudo que eu sentia naquele momento”, relatou.

A quadrinista Tina Kley também participou da abertura e ressaltou o impacto da artista em sua trajetória. “O diferencial está em ver toda essa caminhada reunida, além dos novos quadros. Ela é uma inspiração para mim, tanto pela representatividade quanto pela estética das obras”, afirmou.

Arte como percurso e resistência

O título “Trans Amazônica” faz referência à rodovia que conecta diferentes territórios do país, simbolizando também o percurso artístico e pessoal da autora. Durante a abertura, Rafaela Moreira destacou a relevância dos editais públicos para a manutenção da produção cultural na região.

“Editais de incentivo aqui no Norte são fundamentais, porque são uma forma de existir e resistir na Amazônia. Fico muito feliz por ser contemplada por um edital com tantos anos de relevância no cenário artístico”, declarou.

Ao longo da noite, rodas de conversa espontâneas se formaram diante das obras, evidenciando o impacto da exposição ao propor novas centralidades para pensar a arte produzida na Amazônia.

Programação complementar

A programação da exposição inclui, nesta quinta-feira (13), às 10h, uma roda de conversa com os curadores Eduardo Bruno e Waldírio Castro, com a participação da doutoranda da UFPA Paula Maués.

No dia 6 de março, será realizada uma oficina gratuita de retrato em pastel seco, com público livre. Com iniciativas como o Prêmio Branco de Melo, a Fundação Cultural do Pará reafirma o compromisso do Governo do Estado com o fortalecimento da produção artística, a valorização de novas narrativas e a democratização do acesso à cultura.

Serviço: A exposição “Trans Amazônica” segue aberta para visitação até o dia 27 de março, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, na Galeria Benedito Nunes (Av. Gentil Bittencourt, 650 – Nazaré). A entrada é gratuita.

Texto: Matheus Maciel  - Ascom/FCP