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Pará leva 20 propostas de desenvolvimento urbano à 6ª Conferência Nacional das Cidades

Estado quer garantir que demandas urbanas, principalmente nos eixos de habitação, saneamento, mobilidade e regularização fundiária, ganhem destaque na política nacional

Por Camila Guimarães (SECIR)
25/02/2026 08h02

O Conselho Estadual das Cidades do Pará (ConCidades-PA), órgão que integra a Secretaria de Estado das Cidades e Integração Regional (Secir), apresenta as principais propostas de desenvolvimento urbano para o Estado na 6ª Conferência Nacional das Cidades (CNC), maior fórum de participação social para definição de políticas públicas urbanas no Brasil. O evento foi aberto na terça-feira (24), em Brasília (DF), com 67 representantes do Pará, que levaram demandas da sociedade civil, do Estado e municípios.

A 6ª CNC é a etapa nacional, após outras conferências já realizadas nas esferas municipal e estadual. No Pará, a Conferência Estadual foi realizada pelo ConCidades em agosto de 2025, em Belém, contando com a contribuição de mais de 100 municípios. O evento terminou com a aprovação de 20 propostas de políticas públicas urbanas nos eixos de habitação, saneamento, mobilidade e regularização fundiária, que formam hoje as contribuições do Pará ao processo de elaboração da Política Nacional de Desenvolvimento (PNDU).

Ministro Jader Filho (c) na abertura da 6ª Conferência Nacional das Cidades

"Hoje, o Pará está sendo representado aqui, em Brasília, por nós, do poder público, mas também pela sociedade civil. Estaremos acompanhando esse momento ímpar de gestão democrática, que vai permitir a construção coletiva da PNDU. É um passo importante para garantir que demandas regionais e locais do Pará tenham expressão e impacto na política nacional", ressaltou a secretária de Estado das Cidades, Fernanda Paes, que preside o ConCidades.

Cidades resilientes - Com o tema "Construindo a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano: caminhos para cidades inclusivas, democráticas, sustentáveis e com justiça social", o evento busca soluções para enfrentar os desafios históricos das cidades brasileiras, como o déficit habitacional, a precariedade do saneamento e as dificuldades de mobilidade, sempre sob a ótica da justiça climática e redução das desigualdades.

“Pensar nas cidades é pensar em pessoas. Discutir moradia digna, mobilidade, saneamento, sustentabilidade, inclusão social e oportunidade para todos. O Brasil é, hoje, profundamente urbano: mais de 87% das pessoas vivem nas cidades”, enfatizou o ministro das Cidades, Jader Filho, na abertura do evento.

O ministro também defendeu mais investimentos para prevenir as consequências das mudanças climáticas. “Nós retomamos os investimentos em prevenção neste País, com investimentos de R$ 32 mil a R$ 5 bilhões para obras de drenagem urbana e contenção de encostas. É importante levar isso adiante”, destacou Jader Filho, citando o alagamento em Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais, na madrugada de terça-feira (24).

Conferência mobiliza diversos segmentos da sociedade na capital federal

A Conferência prossegue até sexta-feira (27) com painéis, salas temáticas e plenárias deliberativas, nas quais o exercício do controle social sobre a elaboração das políticas urbanas será evidente, informou o secretário-executivo do ConCidades-PA, Antônio Kether.

Segundo ele, o evento "é um espaço de diálogo entre diferentes segmentos da sociedade: movimentos populares, setor produtivo, trabalhadores, gestores públicos. É onde todos têm espaço para construir políticas urbanas nacionais, que levem em conta as peculiaridades de municípios e regiões. Assim, o Brasil consegue desenvolver uma política mais assertiva para cidades resilientes e justas para toda a população brasileira".

Propostas estaduais - No ano passado, o Pará realizou a 7ª Conferência Estadual das Cidades, que fechou em 20 propostas de políticas públicas urbanas levando em conta as sugestões de mais de 100 municípios paraenses. O caderno de propostas é a contribuição do Estado no processo de elaboração da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU).

"Foi um processo intenso, com bastante discussão, debate e apreciação. Nós gostaríamos de levar todas as propostas para o Conselho Nacional, porque consideramos que todas são importantes. Porém, precisamos filtrar e escolher 20. Mas eu considero que essa foi uma Conferência histórica, vitoriosa, que vai fazer com que o Pará seja beneficiado com políticas compatíveis com as nossas necessidades", declarou o secretário executivo do ConCidades do Pará, Antônio Kether.

Paulo Cohen: participação popular mostra a realidade do povo

Entre as propostas aprovadas para a etapa nacional do Conselho está a obrigatoriedade de que projetos de habitação sigam princípios de sustentabilidade ambiental, com uso consciente da água, tratamento e destinação adequados de esgoto e resíduos sólidos, fazendo uso de energias renováveis, respeitando áreas de preservação permanente (APP) e contemplando todos os povos e comunidades tradicionais, com criação de linhas de financiamento específicas.

Outra proposta aprovada para a etapa nacional é a construção de um Sistema Único de Mobilidade (SUM), para integrar e organizar as políticas de mobilidade no Brasil, visando promover a articulação entre os diferentes modais de transporte, ampliar a eficiência da gestão e assegurar o acesso universal e inclusivo à mobilidade.

“As chances de as propostas do Pará integrarem a PNDU são altas, porque as demandas do Estado, principalmente em saneamento, mobilidade e habitação, são comuns no Brasil inteiro. Eu acredito que, principalmente as questões de mobilidade envolvendo transporte fluvial, são fortes nesta Conferência”, avaliou Antônio Kether.

O conselheiro estadual Paulo Cohen, representando a sociedade civil, por meio da Central de Movimentos Populares (CMP), ressaltou a importância do processo democrático de tomada de decisões. "Não existe construção de política pública para um país sem a participação da sociedade civil organizada. A participação popular traz a realidade do povo para a construção das políticas. E, nesse momento, em especial, a gente constrói um momento em que a escuta e as deliberações contam com a participação de todos", acrescentou.gu