Iniciativa Amazônia+10: resultados garantem protagonismo de pesquisadores amazônidas em prol do desenvolvimento científico
Com três anos de resultados promissores, a Amazônia+10 mobilizou mais de R$ 160 milhões por meio de sete chamadas públicas, apoiando 61 projetos de pesquisa e 25 workshops internacionais
Lançada com o intuito de valorizar e apoiar um modelo econômico mais justo e sustentável ao bioma amazônico, a Iniciativa Amazônia +10, é uma aliança de agências financiadoras de Ciência, Tecnologia e Inovação, existentes através do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). No Pará, a coordenação e ampliação de financiamentos para pesquisa e inovação dá-se com recursos do Governo do Estado, por meio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).
Aumentar o financiamento à ciência, tecnologia e inovação na Amazônia, reduzir as desigualdades regionais no acesso a recursos para Centros de Tecnologia e Inovação (CT&I) e garantir o protagonismo de pesquisadores e instituições científicas e tecnológicas amazônidas são os objetivos da Iniciativa Amazônia +10. Criada em junho de 2022, já mobilizou R$ 162,9 milhões para pesquisadores da região, por meio de sete chamadas públicas, apoiando 61 projetos de pesquisa e 25 workshops internacionais.
Após três anos de atuação da Iniciativa Amazônia+10, um mapeamento dos resultados foi realizado junto aos projetos já financiados nas duas chamadas lançadas, em parceria com as FAPs integrantes, o CNPq e os parceiros internacionais. Esse levantamento coletou dados com a participação de 1265 pesquisadores, e permitiu aprofundar a compreensão dos projetos e das pessoas por trás deles.
Com essa proposta, atualmente, há pesquisadores da Iniciativa vinculados a instituições em todas as Unidades Federativas do Brasil e em outros seis países: 17,2% dos pesquisadores estão vinculados a instituições paraenses; 14,7%, a instituições paulistas e 12,7%, a instituições amazonenses. Das dez instituições com mais pesquisadores da Iniciativa Amazônia+10, seis são da Amazônia Legal. Destaque para a concentração de 124 pesquisadores vinculados a Universidade Federal do Pará (UFPA), e 41 pesquisadores vinculados a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).
O protagonismo amazônida pode ser evidenciado, também, na seleção das duas chamadas da Iniciativa: na primeira chamada, dos 39 projetos aprovados, 20 projetos contaram com a participação e/ou coordenação de pesquisadores vinculados a universidades paraenses. Na segunda Chamada de Expedições Científicas, dos 22 projetos selecionados, 13 propostas têm pesquisadores vinculados a universidades paraenses, recebendo financiamento da Fapespa.
Entre resultados já mapeados, estão 10 Projetos que têm impacto verificado em políticas públicas, a exemplo do “Partilha da água e resiliência de um sistema sócio-ecológico único na Volta Grande do Xingu, coordenado por pesquisadores de três ICTs: Universidade Federal do Pará (UFPA), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Universidade de São Paulo (USP). No âmbito desse projeto em 2019, com base nos dados do monitoramento dos Juruna, o Ibama considerou a vazão de água da barragem insuficiente e obrigou a Norte Energia a aumentar temporariamente a vazão, reduzindo a quantidade de água entregue às turbinas de energia, além de cobrar que a empresa realizasse novos estudos de impacto ambiental. No Pará, o projeto é coordenado pela pesquisadora Janice Cunha.
Outro projeto já com resultados, das duas patentes registradas dentro da iniciativa, uma das patentes pertence ao projeto BIORE-AMAZONIA - Biorrefinaria das cadeias de frutos Amazônicos: uma abordagem para intensificação da recuperação de óleos essenciais, moléculas bioativas e produtos de alto valor, coordenado pela pesquisadora da UFPA, Luiza Helena Silva. O projeto desenvolve processos sustentáveis para extração e aproveitamento de óleos essenciais e moléculas bioativas de frutos amazônicos por meio de uma rede colaborativa de inovação entre universidades, empresas, produtores e comunidades.
Na rede de conexão entre os estados da Amazônia Legal, que coordenam os projetos, e as localidades das instituições parceiras, destaca-se a conexão do Pará com os demais estados participantes da Iniciativa, cujas conexões são Pará-São Paulo, Amazonas-Pará e Pará-Paraná. O recente levantamento mostrou que em relação à naturalidade dos pesquisadores, destacam-se os belenenses e manauaras. Desta estimativa, 43% dos pesquisadores da Iniciativa nasceram na Amazônia Legal.
Incentivo- Os dados coletados ressaltam os resultados da Iniciativa, assim como, ajudam na identificação de boas práticas dos mantenedores dos projetos, práticas estas que serão incentivadas de maneira estratégica e intencional. A expectativa do monitoramento é que os resultados também sejam inspiradores para as FAPs e pesquisadores parceiros.
Em três anos, a Iniciativa Amazônia+ 10 lançou três chamadas de financiamento à pesquisa, e contou com mais quatro chamadas lançadas por parceiros internacionais. A viabilização do recurso contou com o envolvimento de 16 parceiros nacionais e internacionais que apoiam a Iniciativa, além das 25 Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) que a integram. Foram 1.265 pesquisadores já alcançados, 171 instituições envolvidas, sendo 133 ICTs e 7 países.
Resultantes da coalizão de instituições, foram realizados 20 workshops bilaterais com parceria entre Brasil e Reino Unido e 5 workshops trilaterais da parceria entre Brasil, França e Guiana Francesa. Além disso, foi proporcionado o financiamento de 12 fellowships de pesquisadores da Amazônia Legal no Reino Unido e 61 projetos de pesquisa, que envolvem mais de 1.950 pesquisadores e colaboradores.
1ª Chamada – Nessa chamada, os projetos estão em fase mais avançada de execução, com dados parciais e resultados preliminares disponíveis. Foram financiados 39 projetos, com cerca de R$ 54 milhões mobilizados pelas FAPs participantes e mais de 1.200 pesquisadores envolvidos. Com execução prevista até 2026, as pesquisas concentram-se nos problemas atuais da Amazônia, com foco nas interações natureza-sociedade e na construção de soluções de desenvolvimento sustentável e inclusivo, em parceria com atores locais e formuladores de políticas públicas.
2ª Chamada Expedições Científicas – Nesta, os projetos ainda estão em estágio inicial, com o apoio a expedições multidisciplinares, especialmente, em áreas remotas e pouco estudadas, promovendo a coleta e a correta guarda de materiais e dados em instituições da Amazônia Legal. Estas expedições são voltadas à ampliação do conhecimento sobre a biodiversidade e sociobiodiversidade amazônica, bem como ao fortalecimento da infraestrutura de pesquisa local, a formação de recursos humanos e a valorização dos conhecimentos tradicionais de povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais.
Com início das atividades em 2025, a iniciativa financiou 22 projetos, com cerca de R$ 95 milhões mobilizados, envolvendo mais de 700 pesquisadores e 24 agências financiadoras. Como obrigatoriedade para participação nesta Chamada, foi necessário o envolvimento de representantes de comunidades tradicionais como pesquisadores nas equipes, a catalogação e depósito de material coletado em acervos regionais, e as ações de divulgação e devolutiva científica aos territórios.
Nesse cenário, a Iniciativa Amazônia +10, além dos já citados objetivos, buscou também essa integração de povos e comunidades tradicionais, aumentando a visibilidade a seus sistemas de conhecimentos e saberes no fazer da ciência. Investir em ciência e inovação com impactos concretos na vida das populações amazônidas.
Mapeamento- Nas duas Chamadas, já foram disponibilizadas 102 Bolsas de iniciação científica, 104 Bolsas de mestrado, 80 Bolsas de doutorado e 119 Bolsas de pós-doutorado, com perfil geral de pesquisadores em 52,8% mulheres, 43,2% pretos, pardos e indígenas, sendo entre os bolsistas, 57% de mulheres, e 51,5% pretos, pardos e indígenas.
A finalidade desse monitoramento, é ressaltar os resultados já mapeados. Em cerca de dois anos, quando mais de 365 produtos acadêmicos e tecnológicos foram contabilizados, além da melhoria da infraestrutura de pesquisa das ICTs envolvidas. Já contabilizam 243 artigos científicos, 89 dissertações de mestrado, 27 teses de doutorado, 2 patentes e 165 equipamentos científicos.
O essencial é o acompanhamento desses resultados científicos e tecnológicos, o fortalecimento de capacidades locais em CT&l, a atuação em rede entre diferentes estados e instituições, e a geração de evidências que possam subsidiar políticas públicas e iniciativas concretas nos territórios amazônicos.
“A iniciativa Amazônia +10 é sem dúvida o maior conjunto de ações de financiamento para pesquisas na região já realizada de forma coordenada. Os resultados vão muito além das pesquisas em si. Temos a formação de redes e grupos de pesquisadores, temos o protagonismo, temos a internacionalização, temos a valorização e temos o sentimento de pertencimento e se importar com os problemas e soluções das nossas realidades, a realidade amazônica!”, pontuou Marcel Botelho, presidente da Fapespa e do Confap.
*texto de Jeisa Nascimento, estagiária sob supervisão da jornalista Manuela Oliveira da Ascom/Fapespa

