Com apoio da Emater, peconheiros do Marajó têm acesso a crédito rural fortalecido e tecnologias sustentáveis
Projeto ‘Manejaí’ qualifica agricultores familiares de Soure e Salvaterra a produzirem o fruto com redução de custos e com mínimo impacto ao meio ambiente
O Governo do Pará, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater-Pará), realizou, nesta semana, uma capacitação para peconheiros de Soure e Salvaterra, no Marajó, para serem incluídos no projeto “Manejaí”, que qualifica agricultores no aumento da produção e de forma sustentável de açaizais.
O projeto é uma iniciativa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com outras instituições, como a Emater-Pará. Na capacitação em Soure, 12 extrativistas participaram. Entre eles, estava Luciene Melo, secretária da Associação dos Peconheiros e Peconheiras do Rio Paracauari de Soure e Salvaterra (APPRPSS).
“Para nós, é muito importante essa iniciativa de capacitar os peconheiros da nossa região, porque não vai apenas beneficiar e melhorar a qualidade de vida deles, mas de toda uma cadeia da sociedade. Com a capacitação, os próprios peconheiros vão poder produzir o açaí, sem precisar de atravessadores, o que gera uma redução de custos e também ao consumidor. A Emater sempre nos estendeu as mãos para nos ajudar e a nossa inclusão nesse projeto vai nos trazer muitos benefícios”, disse.
De acordo com o chefe do Escritório Local da Emater em Soure, Sandro Pinheiro, a parceria estratégica conta, além da Embrapa, com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Secretaria de Meio Ambiente (Semma) de Soure e a Associação dos Usuários da Reserva Extrativista Marinha de Soure (Asuremas).
“A ação faz parte de um trabalho contínuo com a associação de peconheiros, iniciado no ano passado. Atendemos os peconheiros de Soure e Salvaterra e a gente já vem fazendo algumas ações com eles, como esclarecimentos sobre participação em políticas públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Entre outras ações, uma delas era incluí-los no projeto que a Embrapa tem, que é do ‘Manejaí’. Essa atividade fez parte de um planejamento que a gente tem com a associação, de incluir eles nas capacitações, em parceria com outros órgãos.
Os extrativistas fazem uso da área coletiva da Reserva Extrativista da Marinha de Soure e o objetivo principal é que eles aprendam a ter boas práticas de manejo do fruto. “Durante o encontro, a Embrapa entregou ‘kits de facilitadores’ para as instituições parceiras apoiarem as atividades de campo e agora a gente aguarda os recursos para iniciarmos o treinamento em técnicas de manejo de mínimo impacto, conforme previsto no planejamento, além da manutenção desses encontros, para alinhamentos e estreitamento de laços com os nossos parceiros, para consolidar o projeto e levar essa melhoria para os peconheiros da nossa região do Marajó”, finalizou.
Salvaterra - No outro município marajoara, além da Emater-Pará, o encontro contou com a participação da Embrapa, das cooperativas Cooperativa Agropecuária e Pesca Artesanal de Monsarás (Coopapam) e da Cooperativa de Agricultura Familiar do Marajó (Coopafam), além de agricultores familiares do município.
Para este ano, segundo o chefe do Escritório Local de Salvaterra, Orlando Lameira, as ações previstas do Manejaí reafirmam o compromisso com o fortalecimento da agricultura familiar.
“A iniciativa promove a organização produtiva e a sustentabilidade nos territórios, por meio de estratégias integradas de acesso ao crédito, estímulo aos negócios comunitários e ampliação do uso de tecnologias e práticas já consolidadas pelas famílias agricultoras.
Ainda de acordo com ele, “as atividades de 2026 terão como foco a multiplicação e o fortalecimento de tecnologias e práticas sustentáveis já adotadas no território, com destaque para o manejo de açaí nativo, promovendo a conservação ambiental associada ao aumento da produtividade e da renda; a meliponicultura, como alternativa de geração de renda, conservação da biodiversidade e fortalecimento da polinização dos sistemas produtivos; a implantação e ampliação de quintais produtivos com cultivares biofortificadas, contribuindo para a segurança alimentar e nutricional das famílias; a adoção da fossa séptica biodigestora, como solução de saneamento rural, melhoria da qualidade de vida e proteção dos recursos naturais”.
Paralelamente, conforme o chefe local, o Manejaí inicia a estruturação de um trabalho voltado ao Turismo de Base Comunitária. “Será uma ação de integração de aspectos técnicos, científicos e culturais do território, com o objetivo de valorizar os saberes locais, a identidade cultural e as experiências produtivas das comunidades rurais”, concluiu.

