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Classe hospitalar garante direito ao ensino no 'Oncológico Infantil Octávio Lobo'

A classe mantida pela Seduc assegura que crianças e adolescentes continuem os estudos, reafirmando a educação como direito fundamental mesmo em meio ao tratamento

Por Ascom Sespa (SESPA)
27/02/2026 17h52
Atividades da classe hospitalar no Hoiol

O Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém, assegura a continuidade dos estudos a crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer por meio da Classe Hospitalar Professor Roberto França. A iniciativa garante o direito à educação, previsto na Constituição Federal de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394), mesmo durante o período de internação ou tratamento prolongado.

Atividades da classe hospitalar no Hoiol

Habilitado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), o Hoiol é referência para pacientes de 0 a 19 anos incompletos, oriundos dos 144 municípios paraenses. Muitos precisam permanecer na capital por semanas ou meses para receber atendimento especializado. Nesse período, contam com acompanhamento pedagógico que assegura a continuidade do processo de escolarização.

Parceria com a Seduc fortalece política pública

As atividades da Classe Hospitalar são desenvolvidas por meio de convênio de cooperação técnica com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), em parceria com o Núcleo de Educação Permanente (NEP) do hospital e a Coordenação Pedagógica da classe, vinculada à Coordenadoria de Educação Especial (COEES/Seduc).

Atividades da classe hospitalar no Hoiol

O corpo docente é formado por duas pedagogas e 11 professores de diversas áreas do conhecimento, como Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Biologia, Química, Filosofia e Sociologia. As modalidades de ensino e os conteúdos são adaptados às condições clínicas, ao ritmo de recuperação e às necessidades de cada estudante, priorizando o bem-estar integral.

O hospital disponibiliza computadores, acesso à internet e material escolar, obtido por meio de doações de voluntários, enquanto o material didático é fornecido pela Seduc. Em 2025, todos os alunos matriculados passaram a contar com tablets doados ao projeto, ampliando o acesso às atividades pedagógicas.

“Atuamos com modalidade presencial na sala de aula do 5º andar, com cronograma individualizado de acordo com os atendimentos de saúde, a fim de evitar impactos na rotina clínica e favorecer a adesão às atividades pedagógicas enquanto o aluno-paciente estiver na unidade. Também oferecemos atendimento à beira-leito para aqueles impossibilitados de comparecer à sala e atendimento pedagógico em domicílio, conforme estabelecido pela educação especial, para aqueles que não estão internados, mas não apresentam condições de frequentar a classe”, informou a coordenadora do NEP, Natacha Cardoso.

Educação como ponte para o futuro

A cada ano, o projeto atende, em média, 50 crianças e adolescentes, somando cerca de 650 alunos beneficiados ao longo de sua execução. O ensino ocorre de forma multisseriada, reunindo estudantes do Ensino Fundamental I e II e do Ensino Médio em um mesmo espaço.

“Apesar da diversidade de idades e séries, o currículo segue rigorosamente as diretrizes da Seduc-PA, assegurando que o tempo de internação não signifique uma pausa no aprendizado, mas sim a continuidade do desenvolvimento intelectual e social dentro do ambiente hospitalar”, afirmou a professora de referência da Classe Hospitalar do Hoiol, Elvira Santos.

Os estudantes são formalmente matriculados na Escola Estadual Barão do Rio Branco, o que garante a validade do percurso escolar. Segundo Elvira, o diálogo com pais e responsáveis é essencial para organizar dias e turnos sem comprometer os procedimentos clínicos.

“O acompanhamento individualizado e com foco na superação permite que muitos jovens concluam a educação básica durante o tratamento oncológico e consigam ingressar no ensino superior. Dessa forma, a educação hospitalar reafirma o papel essencial de transformar o hospital em um lugar de esperança e de preparação para novas etapas da vida”, concluiu.

Histórias de superação

A estudante Crislane Silva, 22 anos, hoje cursando o 7º semestre de Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade do Estado do Pará (Uepa), fez tratamento contra leucemia no Hoiol e foi aluna da Classe Hospitalar até ingressar no ensino superior.

“Lembro que na época da pandemia não haveria aula, então criei um e-mail e os professores se disponibilizaram a ministrar aula online. Sou muito grata por todo apoio pedagógico recebido para que eu pudesse estudar mais e aprender mais”, relatou.

Ela destaca que o incentivo recebido foi fundamental para a realização do sonho de cursar a universidade. “Os professores sempre me apoiaram no meu sonho de fazer faculdade e, quando passei, eles comemoraram junto comigo. A classe me deu apoio no momento mais difícil da minha vida e, através dela, pude concluir o ensino médio e entrar na faculdade”, afirmou.

Cauã Nogueira, 18 anos, morador de Baião, também encontrou na Classe Hospitalar o suporte necessário para concluir o ensino médio durante o tratamento contra um sarcoma de Ewing. Mesmo submetido a intervenções complexas e longos períodos de internação, manteve a rotina de estudos com o apoio da equipe pedagógica.

Cauã Nogueira, de 18 anos

“Meus planos para o futuro é me tornar médico psiquiatra. Desde que passei a viver essa rotina hospitalar, sempre observei o medo das pessoas de que algo ruim acontecesse com seus filhos e filhas. A ansiedade criava um clima tenso, quando deveria ser o contrário: um ambiente de esperança, força e coragem para enfrentar a doença, com a certeza de que buscamos a cura”, afirmou.

Para ele, o apoio da família e dos profissionais do hospital foi essencial. “Foi com fé, com o apoio da minha família e dos meus amigos, e com a ajuda de vários profissionais do hospital que consegui seguir em frente. Quero me tornar médico para ajudar outras pessoas a enfrentarem suas próprias batalhas”, declarou.

Atividades da classe hospitalar no Hoiol

Ao garantir o direito à educação durante o tratamento, o Governo do Pará, por meio da parceria entre o Hoiol e a Seduc, fortalece uma política pública que une saúde e ensino, promovendo dignidade, inclusão e novas perspectivas de futuro para crianças e adolescentes em tratamento oncológico.

Texto: Ascom/ Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo