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ORIENTAÇÃO ESPECIALIZADA

Terapeuta ocupacional do HC desenvolve guia para preparar famílias de bebês cardiopatas após alta hospitalar

Trabalho de conclusão de residência no Hospital de Clínicas Gaspar Vianna fortalece o cuidado domiciliar e promove mais segurança e autonomia para pais e responsáveis

Por Lucila Pereira (HC)
02/03/2026 13h07

A preparação das famílias para o cuidado de bebês cardiopatas após a alta hospitalar foi o foco do trabalho de conclusão de residência desenvolvido pela terapeuta ocupacional Jade da Silva, residente da Universidade do Estado do Pará (Uepa) no Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, em Belém. A iniciativa buscou capacitar pais e responsáveis por meio de curso prático e orientação especializada, promovendo mais segurança no cuidado domiciliar e contribuindo para a continuidade do tratamento fora do ambiente hospitalar.

Intitulado “Atuação terapêutica ocupacional junto à família do bebê cardiopata: promoção do envolvimento e desempenho em co-ocupações”, o trabalho teve como principal objetivo fortalecer o envolvimento dos familiares no cuidado cotidiano dos bebês, por meio da realização de atividades específicas.

Segundo Jade, a proposta foi pensada especialmente para atender famílias de bebês internados na UTI Neonatal e na UTI Pediátrica, considerando os desafios enfrentados no período pós-alta. “Nosso objetivo foi preparar essas famílias, principalmente para o cuidado em casa, com ênfase em atividades do dia a dia e nas especificidades do bebê cardiopata”, explicou.

A Terapia Ocupacional contribui para a continuidade do cuidado, reduz complicações e fortalece o vínculo entre família e bebê no pós-internação.

Curso educativo e orientação especializada

A terapeuta ocupacional organizou o curso em sete eixos principais, abordando temas essenciais como alimentação, higiene, sono, desenvolvimento infantil, acompanhamento de saúde, prevenção de acidentes e autocuidado dos pais. O curso incluiu metodologias ativas, como demonstrações práticas, discussões e um guia de apoio elaborado especialmente para os participantes.

“O foco foi trabalhar as chamadas co-ocupações, que são atividades realizadas de forma conjunta entre o cuidador e o bebê, como alimentar, dar banho, brincar, acompanhar o desenvolvimento e organizar de rotina. Essas ações têm papel fundamental no vínculo e na recuperação da criança”, destacou Jade.

O curso foi organizado em sete eixos, com temas como alimentação, higiene, sono, desenvolvimento infantil e prevenção de acidentes, incluindo atividades práticas e material de apoio aos participantes.

Ela também enfatizou a importância de orientar os familiares sobre sinais de alerta que exigem atenção médica. “Treinamos os pais para identificar sinais e sintomas que possam indicar riscos e complicações, permitindo que eles busquem assistência no momento certo e contribuindo para evitar agravamentos do quadro clínico”, afirmou.

Outro ponto importante do trabalho foi o cuidado com a saúde emocional dos pais e responsáveis. “Incluímos estratégias de autocuidado, porque sabemos que esse é um momento de grande sobrecarga emocional. Cuidar de quem cuida também é fundamental para garantir o bem-estar do bebê”, ressaltou.

Dona de casa Maria dos Santos, 42 anos, de Parauapebas

Impacto positivo para as famílias - A iniciativa teve impacto direto na rotina dos familiares, que passaram a se sentir mais preparados e confiantes para cuidar dos bebês após a alta hospitalar. A dona de casa Maria dos Santos, de 42 anos, moradora de Parauapebas, participou do curso e  destacou a importância das orientações. “Aprendemos sobre as brincadeiras adequadas, os cuidados com a medicação e até a forma correta de dar banho. É diferente de cuidar de um bebê sem problemas de saúde. Achei muito importante e me sinto mais preparada para cuidar do meu filho”, relatou.

Formação qualificada e cuidado humanizado

O trabalho foi apresentado como requisito final da Residência Multiprofissional em Saúde e recebeu nota máxima. A iniciativa reforça o compromisso do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna com a formação de profissionais qualificados e com a promoção de um cuidado integral, que inclui não apenas o tratamento clínico, mas também o suporte às famílias.

A atuação da Terapia Ocupacional nesse contexto contribui para a continuidade do cuidado, reduz riscos de complicações e fortalece o vínculo entre família e bebê, promovendo mais qualidade de vida e segurança no período pós-internação.

Texto: Jonas Vila / Ascom HC