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OBSERVAÇÃO DE AVES

‘Vem Passarinhar Belém’ abre 2026 com ciência cidadã e novas descobertas no Parque Estadual do Utinga

Entre brincadeiras sobre o frio e a tradicional resenha paraense, os participantes seguiram pela via principal em busca de aves e de experiências que unem lazer, educação ambiental e ciência cidadã

Por Vinícius Leal (IDEFLOR-BIO)
02/03/2026 14h44

A primeira edição de 2026 do “Vem Passarinhar Belém” reuniu dezenas de participantes na manhã de domingo (1º), no Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna, em Belém. A iniciativa é promovida pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), por meio da Gerência da Região Administrativa de Belém (GRB), em parceria com o Clube de Observação de Aves do Pará (Coapa).

Com concentração às 6h, no Centro de Acolhimento do Parque, a atividade teve início em um cenário típico das primeiras horas da manhã amazônica: 22 graus e uma leve neblina que reforçava o clima de floresta viva em plena área urbana. Entre brincadeiras sobre o frio e a tradicional resenha paraense, os participantes seguiram pela via principal em busca de aves e de experiências que unem lazer, educação ambiental e ciência cidadã.

Nesta edição, a condução da atividade ficou sob responsabilidade da estudante de Ciências Biológicas Carla Rafaela Costa Dantas, integrante do Coapa. Pela primeira vez à frente de uma passarinhada, ela celebrou a oportunidade de contribuir com sua experiência e engajar novos participantes. A jovem destacou a alegria em liderar o grupo e manifestou entusiasmo para as próximas edições, ressaltando a importância de ampliar o diálogo entre ciência e sociedade.

Ao longo de cerca de duas horas de caminhada, foram registrados exemplares de tucano-do-papo-branco, acauã, sanhaço-do-coqueiro, araçari-de-pescoço-vermelho, pica-pau-amarelo, urutau, gavião-carrapateiro e ararajuba, além de ninhos de beija-flor-de-veste-preta e de bem-te-vi. Cada avistamento foi anotado e compartilhado, fortalecendo o monitoramento participativo da avifauna e contribuindo para a produção de dados relevantes à gestão da unidade de conservação.

Conscientização - Um dos momentos mais comentados da manhã foi o flagrante de um urutau em perfeito “modo estátua”, imóvel sobre o tronco, exibindo sua impressionante camuflagem. A cena arrancou risos e reflexões sobre as estratégias da natureza para sobreviver. A experiência reforçou o reconhecimento do Utinga como um dos maiores refúgios de fauna em área urbana no Brasil, espaço onde a biodiversidade se manifesta de forma exuberante e acessível à população.

A programação também revelou encontros para além das aves. Uma preguiça acomodada no topo de uma embaúba, em movimento lento e silencioso, despertou a atenção do grupo e simbolizou a proposta maior da atividade: desacelerar, observar e respeitar o tempo da floresta. Educação ambiental, ali, se traduz em vivência prática, escuta atenta e contemplação responsável.

Pertencimento - Para o gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, Júlio Meyer, ao reunir observadores experientes, iniciantes e curiosos, o “Vem Passarinhar Belém” reafirma seu papel estratégico na promoção da cultura da conservação. Segundo ele, a cada edição, a atividade amplia o conhecimento sobre a biodiversidade local, estimula o sentimento de pertencimento e transforma as trilhas do Utinga em sala de aula a céu aberto, onde ciência e cidadania caminham lado a lado em defesa do patrimônio natural amazônico.

“O 'Vem Passarinhar Belém' reafirma a vocação do Parque Estadual do Utinga como espaço de aprendizagem, convivência e contemplação. Mais do que observar aves, a iniciativa convida a população a ouvir os sons da floresta e reconhecer, no cotidiano da cidade, a força e a diversidade da natureza amazônica”, frisou Meyer. O gestor também ressaltou que a ação fortalece o compromisso do Estado com a valorização das unidades de conservação e com o estímulo à participação social.