Semas realiza 1ª edição do programa Trilha de Capacitação em Bioeconomia
Oficina abordou a replicação territorial do programa, estratégia que promove o compartilhamento de conceitos e experiências adaptadas às realidades das comunidades locais
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), promoveu a 1ª oficina de replicação territorial do programa Trilha de Capacitação em Bioeconomia, programa de qualificação voltado para servidores públicos e representantes de Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais, Agricultores Familiares e Extrativistas (PIQCTAFs). A oficina ocorreu entre os dias 25 e 27 de fevereiro, no Hotel Beira-Mar, no bairro do Guamá, em Belém.
A iniciativa integra o Programa Floresta em Pé por meio do Projeto Realiza Pará, financiado pelo banco alemão KWF, orientado pela implementação do Plano Estadual de Bioeconomia (Planbio) e tem como objetivo alinhar os servidores públicos do Pará às diretrizes do plano, além de capacitar e formar multiplicadores em áreas específicas relacionadas a bioeconomia, para promover a implementação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável na Amazônia, e qualificar os territórios para transformar a bioeconomia em práticas sustentáveis, incorporando o tema de forma estratégica nas ações e nos planejamentos locais.
Durante a programação, lideranças e representantes de diferentes territórios destacaram a relevância da iniciativa. Jordy Chipaia, presidente da Associação Indígena Takuraré, ressaltou a importância do evento como um intercâmbio cultural e um ambiente essencial para a troca de conhecimentos técnicos e tradicionais. “A importância maior é trazer os povos da base para que possamos ter mais esclarecimentos. Às vezes, a gente não tem conhecimento de como funciona uma programação ou de como elaborar um projeto”, afirmou.
Chipaia também destacou que a capacitação fortalece as organizações indígenas ao permitir que apresentem suas demandas e busquem soluções conjuntas. “O objetivo final é capacitar essas lideranças para acessar e submeter projetos que atendam às necessidades reais de suas comunidades”, completou.
Para Joelma Nunes, presidente da Cooperativa de Primavera (Coprima), a oficina proporcionou um novo olhar sobre a realidade local. “Essa oficina me deu suporte para entender onde eu não estava explorando a nossa vivência. Ela nos mostrou a realidade da nossa cultura, que às vezes passava despercebida e não colocávamos no papel”, disse.
A iniciativa também contou com a participação da academia. Gabriel Silva, docente da Universidade do Estado do Amapá e membro da Rede de Saberes Amazônicos (Resaberes), explicou que um dos objetivos é promover a integração de professores que atuam em territórios de povos tradicionais. “A principal motivação é aproximar as universidades dos povos e comunidades para que, com metodologias adaptadas, possamos contribuir para transformar a realidade desses locais”, destacou.
Maria de Souza, representante da comunidade Macapá da Barreta, em Vigia, enfatizou que a oficina ofereceu ferramentas fundamentais para compreender a verticalização da bioeconomia e o conceito de floresta viva. “A bioeconomia é o aproveitamento do que temos na nossa propriedade, na nossa floresta, e transformar isso em um produto final que gere renda”, explicou.
A servidora da Semas e ponto focal do tema, Larissa Rodrigues, ressaltou que a Trilha nasce do próprio Planbio por meio do seu comitê executivo, com o propósito de preparar servidores públicos e lideranças para atuar conjuntamente nos territórios.
“A Trilha capacita servidores e PIQCTAFs para replicarem o conhecimento em seus territórios, utilizando metodologias participativas, realizando diagnósticos locais e estruturando projetos conectados às políticas públicas. Mais do que formação, a iniciativa fortalece a sociobioeconomia e aproxima o poder público das comunidades, construindo soluções junto com quem vive e protege a floresta”, afirmou.
Segundo ela, em uma região como a Amazônia, iniciativas dessa natureza são fundamentais para gerar impacto social, fortalecer a economia local e valorizar quem ajuda a manter a floresta viva.
A iniciativa conta com o apoio da Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf), da Escola de Governança Pública do Pará (EGPA), a Rede de Saberes Amazônico em Extensão Rural, Agroecologia e Sociobiodiversidade (RESABERES), Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Também conta com a parceria do projeto Bioeconomia para Florestas, que integra a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável e é implementado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, pelo MMA, por meio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), com recursos do Ministério Federal da Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha.
A representante da GIZ, Marccella Berte, assessora técnica, explicou que a Trilha é fruto da parceria com o Governo do Pará e tem como base a metodologia CapGestão, desenvolvida pela GIZ em parceria com diversas instituições. “A trilha é baseada no CapGestão, uma metodologia participativa voltada à formação de formadores. Ela prepara servidores para atuarem em campo, ouvindo a realidade dos territórios e construindo soluções a partir dos problemas identificados junto às comunidades. É um método que já vem sendo aplicado em diferentes regiões do país e que, de forma inovadora, o Estado do Pará passa a replicar na formação de seus servidores para fortalecer os empreendimentos da bioeconomia junto a povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares”, destacou.
Texto: Vitor Hugo Ribeiro/ Ascom Semas

