Abertura da pesca do mapará em Abaetetuba marca fim do defeso e reforça manejo sustentável com Acordo de Pesca
Subida dos pescadores aos rios no tradicional “borqueio” integra retomada da atividade após fim do defeso do pescado
Os pescadores da região de Abaetetuba retomaram no domingo (1º) a tradicional pesca do mapará, na baía do Capim e rios da região, após o fim do período do defeso da espécie, que encerrou no dia 28 de fevereiro. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) acompanhou a programação que incluiu a prática do “borqueio”, quando embarcações se posicionam em círculo para realizar a captura do peixe, em um dos momentos mais simbólicos da cultura pesqueira local.
A ação integra o acompanhamento técnico do Estado na preservação da piracema, período de reprodução, e na retomada responsável da atividade pesqueira depois do defeso, garantindo que a tradição se mantenha alinhada à conservação dos recursos naturais e à segurança alimentar das comunidades ribeirinhas.
“A abertura da pesca do mapará é uma tradição que movimenta Abaetetuba e, ao mesmo tempo, uma reafirmação de que território, cultura e conservação caminham juntos. O trabalho da Semas é fortalecer a proteção da piracema e do defeso, para que, na retomada, a pesca aconteça com responsabilidade e o mapará continue garantindo sustento às famílias da região”, afirmou Rodolpho Zahluth Bastos, secretário adjunto da Semas.
No último dia 26 de fevereiro, a Semas homologou o Acordo de Pesca das comunidades dos rios Ajuaí, Paruru e Furo Grande, em Abaetetuba. A medida, implementada pelo Programa Regulariza Pará, fortalece a sustentabilidade de 886 famílias ribeirinhas, em um processo coletivo que envolveu cerca de 2.700 pessoas e abrange uma área de 736,83 hectares.
Desde a publicação do Decreto Estadual nº 1.686/2021, o Pará adota um modelo que reconhece os territórios como espaços de uso coletivo e valoriza os saberes tradicionais de pescadores e pescadoras artesanais. Até o momento, já foram registrados cerca de 637 mil hectares com pesca ordenada, com 15 Acordos de Pesca regulamentados e mais de 14 em fase de tratativas, beneficiando aproximadamente 334 comunidades e 20 mil famílias em diferentes bacias hidrográficas. As normas do acordo se aplicam a qualquer pessoa física ou jurídica que exerça atividade pesqueira na área definida no documento.
“O Acordo de Pesca é uma ferramenta que coloca as regras construídas com as comunidades no centro da gestão do território. Em Abaetetuba, ele dá segurança para quem vive da pesca, organiza o uso coletivo dos rios e fortalece a sustentabilidade de 886 famílias, garantindo que o recurso continue existindo para as próximas gerações”, afirmou o secretário adjunto.
Com o Acordo de Pesca, o Governo do Pará prevê a capacitação da comunidade com oficinas voltadas à sustentabilidade e ao fortalecimento da gestão participativa dos recursos pesqueiros, além da entrega de embarcações, placas de sinalização, kits de monitoramento com equipamentos de emergência e primeiros socorros, coletes salva-vidas, equipamentos de proteção, rádios comunicadores, GPS e dispositivos eletrônicos com aplicativos para registro e acompanhamento dos acordos.

