Hospital Regional da Transamazônica recebe 56 novos internos do curso de Medicina da UFPA
Programa de Internato fortalece a formação prática de futuros médicos e amplia integração entre ensino e assistência em Altamira
O Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, sudoeste do Pará, iniciou uma nova etapa do Programa de Internato em Medicina, recebendo 56 acadêmicos da Universidade Federal do Pará (UFPA) para o Estágio Curricular Obrigatório do curso. Durante os próximos 24 meses, os estudantes terão contato direto com a rotina hospitalar, participando de atividades práticas supervisionadas por professores da universidade e profissionais da unidade de saúde.
Entre os novos internos está Fideli Tchiposi, natural do Gabão, país da África Central, que atravessou o Atlântico para realizar o sonho de se tornar médico. Agora, ele inicia uma das fases mais importantes da graduação. “Acho que será uma experiência incrível a gente iniciar esse rodízio. Iniciaremos com o ciclo básico e clínico para aproveitar e ir em frente, continuar na formação”, comenta o estudante, ansioso pela nova etapa.
Assim como Fideli, a acadêmica Glenda Pereira também começa o internato conciliando desafios pessoais e acadêmicos. Durante a graduação, ela teve um bebê e agora inicia o estágio grávida do segundo filho, experiência que, segundo ela, tem sido possível graças ao apoio recebido na universidade e no ambiente de aprendizado.
“A gente às vezes tem vontade de gritar, mas acaba que o apoio é muito grande. A gente traz os filhos e mesmo com um barulho ou choro, os professores pedem que a gente não saia da sala. Os amigos ajudam muito também e acaba se tornando um processo facilitado”, relata.
Formação prática
Durante o internato, os estudantes são divididos em turnos de manhã, tarde e noite, alternando horários e setores do hospital. A proposta é permitir que os futuros médicos conheçam diferentes áreas da assistência e se familiarizem com a rotina profissional antes da conclusão do curso.
O acadêmico Álvaro Riker, do 11º semestre, já está na etapa final da experiência prática e destaca a proximidade com os pacientes durante o período de estágio. “A gente passa em todas as clínicas, passa visita e acompanha o paciente todos os dias. É um convívio bem próximo. É uma prévia do que vamos ver quando formos médicos de fato”, afirma.
A supervisão das atividades é realizada por professores da UFPA e pela equipe de preceptoria do hospital. A coordenadora clínica do HRPT, Márcia Lima Duarte, explica que os estudantes participam de diversas etapas do atendimento, sempre acompanhados por profissionais experientes.
“A única coisa que fazem sozinhos é colher a história e examinar o paciente, porque isso já fazem desde o primeiro ano de faculdade. Intervenções, como intubar, pegar veia ou drenar tórax, só podem ser feitas sob supervisão do médico responsável pelo paciente”, ressalta.
Hospital que também forma profissionais
Localizado em Altamira, maior município do Brasil em extensão territorial, o Hospital Regional Público da Transamazônica é referência em assistência para mais de meio milhão de pessoas na região. A unidade também se destaca como centro de formação de profissionais da saúde, integrando ensino e prática hospitalar.
A parceria entre a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e a Universidade Federal do Pará, iniciada em 2018, já contribuiu para a formação de 167 novos médicos. Desses, 10 atualmente integram o corpo clínico do próprio hospital.
“Em todo o País, vários estados têm egressos da Medicina de Altamira, e sempre bem falados”, destaca a coordenadora clínica Márcia Lima Duarte. “Enquanto hospital, somos uma escola como nenhuma outra, porque aqui temos um espaço exclusivo para esse serviço. São sementes que caem em um grande território fértil e dão bons frutos. Esse hospital foi casa e ajudou a formar grandes profissionais”, avalia.
Integração e acolhimento
Antes de iniciarem as atividades práticas, os acadêmicos passam por um período de integração institucional, no qual são apresentados aos protocolos de segurança, direitos e deveres dos profissionais e usuários do sistema de saúde, além das diretrizes de atendimento da unidade.
O processo é conduzido pelo Núcleo de Educação Permanente (NEP) do hospital, responsável por organizar o primeiro contato dos estudantes com a instituição.
Segundo a coordenadora do setor, Shayne Pinheiro, a equipe acompanha todas as etapas de ingresso no programa. “Nós atuamos como apoio. Acompanhamos vacina, exames que precisam apresentar antes de ingressar no programa, a documentação e os termos de compromisso. Em caso de qualquer dúvida, os estudantes podem procurar o NEP, que é o setor de referência”, explica.
Texto: Ascom/HRPT

