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LIDERANÇA FEMININA

Protagonismo feminino impulsiona a ciência e a bioeconomia na Amazônia paraense

No Dia Internacional da Mulher, dados da Fapespa revelam que pesquisadoras já são maioria entre bolsistas no Estado e lideram projetos estratégicos em áreas como genética, saúde e geologia

Por Manuela Oliveira (FAPESPA)
06/03/2026 09h00

No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a trajetória de pesquisadoras paraenses evidencia como ciência, inovação e políticas públicas convergem para fortalecer a bioeconomia e ampliar a liderança feminina na academia. No Pará, projetos apoiados pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) abrangem desde o estudo do câncer de mama até a nanobiotecnologia sustentável. Entre esses nomes está o da doutoranda Thaiana Pampona, que atua no desenvolvimento de soluções farmacêuticas a partir de resíduos da floresta. “Ser mulher na pesquisa é ocupar espaços que por muito tempo não foram pensados para nós. Cada mulher que escolhe pesquisar, ensinar e inovar abre caminho para outras que virão. A ciência precisa da nossa voz, da nossa liderança e da nossa coragem”, afirma a pesquisadora.

A presença feminina na ciência brasileira segue em ascensão e os dados locais confirmam essa tendência. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as mulheres já representam 52% dos grupos de pesquisa vinculados ao CNPq. No cenário paraense, o levantamento da Fapespa aponta que, das 1.002 bolsas ativas, 622 são ocupadas por mulheres, mantendo a maioria em todos os níveis acadêmicos: são 407 bolsistas na iniciação científica, 139 no mestrado e 62 no doutorado. 

Apesar do avanço, conciliar a carreira com responsabilidades pessoais ainda é um desafio central. A pesquisadora Renata Coelho, que coordena estudos de genética aplicada em Barcarena, relata que enfrentou dificuldades para equilibrar a maternidade com a exigência intensa da carreira. “Ser mulher em áreas como genética aplicada e biotecnologia, historicamente dominadas por homens, exigiu que eu constantemente demonstrasse competência e resiliência”, pontua Renata.

Para combater essas desigualdades estruturais, o governo do Pará tem implementado ações afirmativas. Em 2024, um edital exclusivo para grupos liderados por mulheres destinou R$ 6 milhões a dez projetos de excelência. Além do fomento, a Fapespa adotou medidas de suporte prático, como auxílio para recreação infantil em eventos científicos e a ampliação de prazos para gestantes. De acordo com a coordenadora de Ciência e Tecnologia da Fundação, Carina Silva, esses programas “são essenciais para corrigir desigualdades estruturais e ampliar o acesso de mulheres à liderança científica, gerando o aumento de coordenadoras de projetos tecnológicos e de inovação”. 

A visão diversificada das mulheres também alcança áreas como a geologia, onde a cientista Gilmara Regina Feio estuda a formação da crosta terrestre para orientar políticas públicas e combater a mineração ilegal. “Acredito que a presença feminina amplia as formas de pensar e produzir conhecimento”, avalia Gilmara.

O impacto dessa produção científica com identidade regional reforça a estratégia de desenvolvimento sustentável do Estado. Para o presidente da Fapespa, Marcel Botelho, o 8 de março é um dia para celebrar vitórias e reafirmar o compromisso com a equidade. “Mulheres cientistas e pesquisadoras apoiadas pelo governo estão fazendo a diferença e trazendo impactos positivos para a sociedade. A ciência está à frente desse processo, mostrando todo o potencial das paraenses com projetos altamente relevantes”, destaca.

Ao garantir condições equitativas, o Pará assegura que suas pesquisadoras continuem liderando a construção de soluções inovadoras, como incentiva Renata Coelho: “Cada desafio enfrentado fortalece minha convicção de que investir em educação e ciência é o caminho para construir uma sociedade melhor e sustentável na Amazônia”.