Estado fortalece ações com povos indígenas no enfrentamento às mudanças climáticas
No Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, a Sepi destaca iniciativas de proteção ambiental e combate à crise climática
No dia 16 de março é celebrado no Brasil o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, uma data dedicada à promoção da educação ambiental, à mobilização social e ao fortalecimento de ações voltadas à redução dos impactos da crise climática. No Pará, a Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi) tem desenvolvido iniciativas que articulam participação indígena, preservação ambiental e construção de políticas públicas voltadas à proteção dos territórios tradicionais.
A Amazônia ocupa posição estratégica no debate global sobre clima e biodiversidade, e os territórios indígenas são reconhecidos como áreas fundamentais para a conservação das florestas. Nesse cenário, a atuação da Sepi tem buscado fortalecer a presença dos povos indígenas nas discussões climáticas, ampliando espaços de diálogo, formação e construção de soluções sustentáveis.
A secretária de Estado dos Povos Indígenas, Puyr Tembé, destaca que os povos originários têm papel central no enfrentamento da crise climática. “Os povos indígenas sempre foram guardiões da floresta. Quando fortalecemos os territórios indígenas e valorizamos os conhecimentos tradicionais, também estamos protegendo o clima, a biodiversidade e o futuro de toda a humanidade”.
Mobilização indígena e participação na COP 30
De acordo com a Sepi, entre as iniciativas de destaque está a mobilização em torno da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), realizada em novembro de 2025, em Belém. A Sepi participou das discussões sobre os impactos das mudanças climáticas na Amazônia e sobre os desafios enfrentados pelos povos indígenas diante do avanço da crise ambiental.
Um dos marcos desse processo foi a realização das Caravanas dos Povos Indígenas rumo à COP 30. A iniciativa percorreu diferentes regiões do Pará levando informação, formação e sensibilização às lideranças indígenas sobre o debate climático e a importância da participação dos povos originários na conferência. Ao todo, foram realizadas oito caravanas, que qualificaram cerca de 1.200 lideranças indígenas de diferentes territórios do Pará.
Durante a conferência, a secretaria também esteve presente na Marcha Global pelo Clima, que reuniu mais de 15 mil pessoas nas ruas da capital paraense. Entre os participantes estavam cerca de 3.500 indígenas vindos de diferentes regiões da Amazônia, além de representantes de países como Venezuela, Guatemala, Quênia, Peru, Canadá e Austrália.
A realização da Aldeia COP também foi uma iniciativa relevante. O espaço foi idealizado em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas e organizações indígenas, como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa). Mais de 3.500 indígenas do Brasil e de outros países, participaram da programação voltada a debates, atividades culturais, feira de bioeconomia, casa de cura e trocas de saberes tradicionais.
Formação e participação nas políticas climáticas
Outro eixo de atuação da Sepi envolve a formação e a participação das comunidades indígenas na construção de políticas públicas relacionadas ao clima. Um exemplo foi a realização das Oficinas Etnorregionais de Mudanças Climáticas e REDD+, realizadas em diversos territórios indígenas do estado.
O REDD+ é um mecanismo internacional voltado à redução das emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal, incentivando a conservação das florestas e o manejo sustentável dos territórios.
Em 2026, a pasta também promoveu, em Belém, o Seminário de Governança e Construção do Plano de Consulta Indígena do Sistema Jurisdicional de REDD+ do Pará. O encontro reuniu cerca de 70 lideranças indígenas de diferentes etnorregiões do estado e marcou uma etapa importante para a definição da metodologia da Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI), instrumento que garante o direito dos povos indígenas de participarem das decisões que impactam seus territórios e modos de vida.
A Sepi cita, ainda, a participação de indígenas do Pará nas discussões do Plano ABC+ (2020–2030), iniciativa do Governo Federal voltada ao desenvolvimento de uma agropecuária sustentável e de baixa emissão de carbono. No Pará, 110 pessoas foram capacitadas em oficinas realizadas nos municípios de Marabá e Redenção, em um processo de escuta e construção coletiva que integra conhecimento técnico e saberes tradicionais.
Prevenção a incêndios e proteção territorial
A Sepi também tem atuado em ações voltadas à prevenção e ao combate aos incêndios florestais em territórios indígenas. Entre as iniciativas estão capacitações de brigadas comunitárias, que já formaram 93 indígenas de diferentes regiões, incluindo territórios como Alto Rio Guamá, Jacareacanga e Mãe Maria.
Na Oficina de Capacitação dos Guardiões da Floresta, indígenas aprenderam técnicas de brigada de incêndio. Foram formados 93 indígenas de diferentes regiões, incluindo territórios como Alto Rio Guamá, Jacareacanga e Mãe Maria. A Ação ainda contou com diálogo sobre legislação ambiental e discussões sobre medidas efetivas de proteção e gestão territorial.
Também foram entregues kits com equipamentos de proteção individual para fortalecer a atuação das brigadas nas comunidades. O combate aos incêndios é considerado uma estratégia importante no enfrentamento das mudanças climáticas, já que o fogo contribui para a emissão de gases de efeito estufa e para a degradação das florestas.

