Atendimento da Emater abre portas de política públicas para agricultores de Pacajá
Parceria com a Prefeitura documenta agricultores em ações presenciais nas comunidades
Ao longo deste semestre, agricultores da Transamazônica estão sendo documentados pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) de Pacajá, naquela região, para acesso imediato a políticas públicas do setor agrícola e fundiário, principalmente crédito rural.
Em parceria com as Secretarias Municipais de Agricultura (Semagri) e de Meio Ambiente (Semma), o movimento de emissão de pelo menos 40 Cadastros Nacionais da Agricultura Familiar (CAFs) beneficia, de antemão, quatro vicinais da Rodovia e suas respectivas redondezas, além de uma comunidade da pista: Chico Elias, Do Adão, Dos Mineiros, Nazaré, Vila Bom Jardim e 338-Norte. Na Vila Bom Jardim, a iniciativa tem o apoio da Cooperativa dos Produtores de Leite da Vila Bom Jardim (Cooperlight).
“O entendimento é de que não somos uma ilha institucional, de que trabalhamos conjugando ferramentas e metas, e por isso a Emater, junto com a Prefeitura, faz toda a diferença para que consigamos enxergar, identificar e satisfazer as demandas das comunidades. A contribuição da Prefeitura tem sido essencial. Uma das estratégias nossas é mobilizar os agricultores e organizações sociais a encontros presenciais em pontos convergentes, o que otimiza deslocamento, recurso e diálogo”, explica o chefe do escritório local da Emater em Pacajá, Uilton Vaz Júnior, especialista em Georreferenciamento.
Para Elisângela Martins, de 28 anos, da Vicinal Chico Elias, o fato de o Estado entrar de verdade na Chácara Boa Esperança é um “direito constitucional” concretizado: “A Emater aqui é muito bem-vinda. Ela traz nosso direito: mais do que isso, ela conscientiza antes, traz a informação sobre o direito, traz o documento, tudo dentro da nossa realidade, na compreensão das nossas necessidades”, diz. Martins e o marido, Augusto Oliveira, de 48 anos, criam galinha-caipira, porco e vaca leiteira.
O casal vive com quatro dos cinco filhos: Maria Cibele, de seis anos; Ewerton Júnior, de 11 anos; Ana Flávia, de 15 anos, e Neilton, de 19 anos. A primogênita, Radjilla, de 22 anos, casou e também mora na Comunidade.
“A nossa expectativa agora é conseguir vender direto nas feiras, com as certificações, e vender pra merenda escolar [via o Programa Nacional de Alimentação Escolar]. Sobre crédito, temos interesse, sim, pra comprar mais gado e aumentar a produção de queijo”, conta. Na atualidade, a família chega a produzir 40 quilos de queijo artesanal tipo “coalho” por mês.
Acelera Ater
Em Pacajá, ainda, a Emater está se preparando para emitir cafs de mais de 100 famílias do assentamento federal Rio Cururuí, na Vicinal do Adão, por meio do mutirão histórico de caf chamado “Acelera Ater”, do Governo do Pará.
O programa de abrangência em todo o Pará foi pré-lançado esta semana pela Emater, com previsão de lançamento oficial até o fim do mês.
Os CAFs habilitarão os assentados para projetos de crédito rural da linha B do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), ante a Caixa Econômica Federal (CEF), com valores individuais entre R$ 12 mil, para homens, e R$ 15 mil, para mulheres. As atividades prováveis são horticultura, mandiocultura e pecuária de corte.
Texto: Aline Miranda

