Governo do Pará e Petrobras vão qualificar trabalhadores para a Margem Equatorial
Reunião técnica na próxima semana definirá estratégias para antecipar a formação de mão de obra local e garantir vagas de alta remuneração para paraenses
O Estado do Pará avança para assumir protagonismo em uma das mais estratégicas fronteiras energéticas do País. A qualificação prévia de trabalhadores paraenses para atuar nas futuras atividades de exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial será pauta de uma reunião entre equipes técnicas da Petrobras e do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), prevista para a próxima semana.
O encontro tem como principal objetivo estruturar um amplo plano de capacitação profissional, voltado à preparação da mão de obra local para ocupar os postos técnicos, operacionais, administrativos e estratégicos que devem surgir com os investimentos previstos para a nova fronteira petrolífera na costa paraense.
A iniciativa faz parte de uma articulação, construída após o avanço das discussões sobre a exploração da Margem Equatorial, e ganhou força após a autorização para prospecção na área.
Após receber orientação da governadora do Pará, Hana Ghassan, para construir o projeto em nome do governo do Pará, o titular da Seaster, Inocêncio Gasparim, participou de uma reunião em Brasília (DF), com o objetivo de alinhar as diretrizes da cooperação técnica, impulsionando uma nova etapa de desenvolvimento econômico no Estado.
A proposta busca evitar a repetição de um cenário histórico vivido pelo Pará em grandes projetos minerais e energéticos, nos quais a maior parte das vagas técnicas e especializadas acabou sendo ocupada por profissionais vindos das regiões Sul e Sudeste, enquanto os trabalhadores locais ficaram restritos a funções temporárias ou de menor remuneração.
Qualificação profissional e fortalecimento da economia
Com o possível acordo, a estratégia será antecipar a formação profissional dos paraenses, garantindo que a população esteja preparada para absorver empregos qualificados e funções de alta remuneração, antes mesmo do início das operações produtivas.
Além da geração de empregos, a iniciativa deverá fortalecer diversos setores da economia paraense, movimentando cadeias produtivas ligadas à logística, indústria, transporte, serviços, comércio, hotelaria, alimentação e empreendedorismo regional.
A expectativa é que os investimentos ligados à exploração de petróleo e gás impulsionem diretamente o desenvolvimento socioeconômico do Estado, e ampliem a arrecadação por meio de royalties e novos investimentos públicos.
Mais empregos
De acordo com estimativas apresentadas no Programa PETRUS, desenvolvido pela Seaster, a projeção é de mais de 50 mil postos de trabalho diretos e indiretos no Pará, além da qualificação de cerca de 30 mil trabalhadores, entre os anos de 2027 e 2030. O programa pretende atender municípios das regiões de integração do Caeté, Guamá, Guajará, Marajó e Tocantins - consideradas estratégicas para a cadeia produtiva da Margem Equatorial.
A proposta também prevê prioridade para trabalhadores em situação de vulnerabilidade social, além da inclusão de públicos como ribeirinhos, quilombolas, povos tradicionais, pescadores artesanais, mulheres chefes de família, jovens, pessoas com deficiência e trabalhadores de comunidades periféricas.
Inocêncio Gasparim destaca que o Pará vive um momento decisivo para transformar riqueza natural em oportunidade concreta para a população paraense.
“Os paraenses devem ocupar os espaços estratégicos e as vagas de maior qualificação. É um compromisso do governo do Estado preparar a nossa população com antecedência, garantindo que esse novo ciclo econômico represente geração de emprego, renda, inclusão social e desenvolvimento sustentável para quem vive aqui. Estamos trabalhando para que o povo paraense seja protagonista desse processo”, reiterou o secretário.
Cooperação técnica
O plano de cooperação técnica pretende firmar um acordo entre a Seaster e a Petrobras que integra o Programa PETRUS, política pública estadual voltada à qualificação profissional e geração de emprego e renda, diante dos impactos econômicos previstos com a implantação da cadeia produtiva do petróleo e gás na Margem Equatorial.
A iniciativa também prevê a articulação com municípios paraenses, instituições de ensino, órgãos federais, setor privado e entidades de financiamento, criando uma rede de preparação técnica capaz de atender às futuras demandas da indústria petrolífera e das atividades derivadas do setor energético no Pará.
A reunião que tratou sobre a articulação do plano de cooperação técnica, entre o Governo do Estado e a Petrobras, foi viabilizada pelo Senador Beto Faro.

