Governo do Pará consolida Parque de Bioeconomia como polo estratégico de inovação na Amazônia
Em seis meses, espaço no Porto Futuro fortalece o ecossistema de negócios sustentáveis e integra conhecimento científico à sabedoria das comunidades tradicionais
Referência global em desenvolvimento sustentável e epicentro da bioeconomia no Brasil, o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, do governo do Estado, localizado no Complexo Porto Futuro, em Belém, completa seis meses de funcionamento, com a realização, neste período, de mais de 50 eventos, com a participação de 13 mil pessoas, além de cerca de 100 atendimentos no Balcão Único, espaço no qual se faz o diagnóstico das necessidades de cada negócio. Mais de 40 startups foram atendidas e passaram a experimentar os recursos do Laboratório-Fábrica, com suporte técnico para melhorar a capacidade de produção.
O empreendedor Gilberto Nobumasa, da empresa Fortparaoil, que atua com a produção de óleos e manteigas vegetais, conseguiu obter, após o atendimento especializado no Parque, com acompanhamento técnico e a infraestrutura do laboratório, pelo menos, 15% a mais de óleo com alto grau de pureza. Com o objetivo de verticalizar a produção da agricultura familiar em Acará, a empresa passou a funcionar como um elo entre 70 famílias que atuam na agricultura com empreendedores.
“Buscamos o aproveitamento de resíduos e bioativos da floresta, o que faz com que o pequeno agricultor, que antes trabalhava somente com a polpa do cupuaçu, por exemplo, hoje passe a trabalhar também com a amêndoa, com a extração da manteiga e consiga agregar valor no trabalho, e, consequentemente, ter maior renda e menos custos. Nosso foco é trabalhar com um mercado consciente, que evite o desperdício. Ter acesso a esses equipamentos e testes em escala maior no Parque é um grande diferencial para todos nós e possibilita todo esse movimento”, celebra.
Pioneiro no mundo, o espaço já nasceu como o maior polo desse segmento da América Latina e único parque tecnológico do planeta que usa o potencial da floresta para atender e beneficiar comunidades tradicionais e startups da área. A iniciativa faz parte do Plano Estadual de Bioeconomia. O intuito é que, cada vez mais, o conhecimento científico, a inovação tecnológica e a sabedoria das comunidades tradicionais caminhem juntos para valorizar a biodiversidade da região e transformá-la em oportunidades sustentáveis.
Antes, a empreendedora Maria do Carmo Paranhos, do Sítio Maria Lua, Abaetetuba, comercializava apenas a polpa do cupuaçu e hoje em dia, ampliou a produção e passou a também vender nibis, manteiga e cupulate da fruta. “Já trouxe 120 kg de cupuaçu para fazer testes no Laboratório do Parque e essa experiência é única e impulsiona o nosso trabalho. Nem conhecia essa estrutura e não sabia como a infraestrutura grandiosa poderia nos ajudar e hoje vivemos os benefícios no dia a dia. Além de ampliar meu rol de atuação, também tenho suporte técnico para questões legais da empresa. Me sinto acolhida e abraçada pela iniciativa do governo”, pontua.
Bioeconomia - A diretora de Bioeconomia da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), Mariana Oliveira, reforça que a estratégia do Pará, no setor, está associada a enxergar a bioeconomia como um modelo de desenvolvimento econômico, social e climático.
“Em 2022, de forma pioneira, o Pará lançou o Plano Estadual de Bioeconomia, que contou com ampla participação social em sua construção. Hoje ele reúne 125 iniciativas executadas por 19 secretarias e instituições estaduais e já consolidou resultados significativos: mais de R$ 1,1 bi em investimentos públicos, 5,5 mil negócios apoiados e 403 pessoas beneficiadas diretamente. O PBIA é parte desse avanço e é parte da política que busca consolidar um ecossistema de bioeconomia baseado em inovação”, comemora.
Gastronomia - Em março, o governo do Pará lançou o Tekoá – Centro de Gastronomia Social, no Parque, espaço dedicado à formação e à pesquisa em gastronomia sustentável, com foco na valorização da sociobiodiversidade amazônica e no fortalecimento da cadeia produtiva local. A iniciativa é realizada nos armazéns 5 e 6 do Parque, por meio da Semas, em parceria com o Instituto Paulo Martins.
A gestora executiva do Tekoá explica que a iniciativa atua com duas frentes: cursos livres de curta duração, abertos ao público em geral, e a oferta de cursos profissionalizantes de nível técnico para jovens de 18 a 29 anos em situação de baixa renda, com prioridade para aqueles em condição de vulnerabilidade social. As informações sobre os cursos são divulgadas no Instagram do projeto @tekoagastronomiasocial.
“Mesmo com o lançamento recente, já conquistamos excelentes resultados. Em abril, conseguimos oferecer 14 cursos e alcançamos mais de 130 alunos e agora em maio a gente está com um grande desafio: são 26 cursos disponíveis para inscrição e a expectativa é de atender mais de 300 alunos. O retorno dos alunos é muito positivo, tanto sobre o aprendizado, a experiência e as novas oportunidades abertas para os negócios, colocando a nossa gastronomia amazônica em evidência”, finaliza.
Armazéns - O Armazém 5, denominado Centro de Negócios, abriga o Centro de Sociobioeconomia e o Centro de Gastronomia Social. Neste espaço estão concentrados coworkings, incubadoras, aceleradoras, salas de reunião, fundos de investimento, showroom de inovação, lounge para eventos e o Balcão Único, que conecta empreendedores a soluções tecnológicas, produtivas e atendimentos estruturados.
Já no Armazém 6, o Laboratório-Fábrica integra o Centro de Inovação. Trata-se de uma planta-piloto equipada para Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e produção experimental de alimentos, cosméticos e químicos finos a partir de insumos florestais. Neste mesmo espaço estão a Gestão de P&D, responsável por articular a rede de laboratórios parceiros e conectar pesquisas ao setor produtivo, e o Showroom de Inovação, vitrine de tecnologias verdes e novos produtos da bioeconomia para investidores, compradores e parceiros.

