Agência Pará
pa.gov.br
Ferramenta de pesquisa
ÁREA DE GOVERNO
TAGS
REGIÕES
CONTEÚDO
PERÍODO
De
A
CULTURA

Oficina "Tem Leitura no Quilombo" encerra atividades com certificação de crianças e adolescentes em Mosqueiro

Projeto da Fundação Cultural do Pará fortaleceu a leitura, a memória e a identidade quilombola na comunidade de Sucurijuquara

Por Governo do Pará (SECOM)
10/07/2026 17h55

A Fundação Cultural do Pará (FCP), por meio da Diretoria de Leitura e Informação e da Coordenadoria de Promoção da Leitura, encerrou nesta sexta-feira (10) a oficina "Aquilombar Leituras, Lendo para Fortalecer a Raiz", realizada na Comunidade Quilombola de Sucurijuquara, no distrito de Mosqueiro, em Belém. O último dia da programação foi marcado pela certificação dos 30 participantes.

A oficina integrou o projeto "Tem Leitura no Quilombo", iniciativa voltada ao incentivo à leitura e à valorização da identidade cultural, da ancestralidade e da história das comunidades quilombolas, por meio de obras de autores negros, narrativas orais e atividades de produção textual.

A Comunidade Quilombola de Sucurijuquara é a única do município de Belém reconhecida como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares, certificação concedida em julho de 2014.

Memória preservada por meio da leitura

As atividades foram conduzidas pela professora, antropóloga e moradora da comunidade, Roberta Maria Barbosa do Vale, que desenvolveu a oficina a partir da história, da cultura e dos saberes tradicionais do território. Como resultado, os participantes produziram uma cartilha reunindo relatos e memórias dos moradores mais antigos da comunidade.

"Essa oficina foi desenvolvida pensando na nossa cultura. Iniciamos falando das comunidades quilombolas do Pará, mostrando a origem dessas comunidades e o que é ser quilombola. Agora estamos finalizando com a produção de uma cartilha, construída a partir das entrevistas com nossos avós e familiares. A gente diz que os mais velhos são as nossas bibliotecas vivas, e foi por meio desse conhecimento oral que passamos da oralidade para a escrita. Foi assim que construímos a oficina 'Tem Leitura no Quilombo'", destacou Roberta.

Para o estudante Kleber Yuri, de 16 anos, a experiência fortaleceu o sentimento de pertencimento à comunidade. "Aqui aprendemos que ser quilombola é resistir à escravidão, à dor e ao sofrimento. Hoje temos orgulho de ser quem somos, porque somos livres e temos a nossa comunidade", afirmou.

Valorização da ancestralidade

A iniciativa também emocionou moradores que tiveram suas histórias registradas pelos participantes. Um deles foi Pedro Valderez Moraes Vale, de 74 anos, responsável pelo Boi-Bumbá Flor da Infância, cuja trajetória foi retratada em uma das cartilhas produzidas pelos alunos. "Foi uma grande alegria. Eu me sinto muito feliz por essa homenagem. Para mim é muito importante passar esses ensinamentos para essas crianças, para que a nossa história não se perca. Devemos sempre manter viva essa cultura aqui", disse.

Segundo a diretora de Leitura e Informação da Fundação Cultural do Pará, Marinilde Barbosa, o projeto reforça a leitura como instrumento de fortalecimento da identidade e da memória coletiva. "Tem Leitura no Quilombo é muito mais do que um projeto de incentivo à leitura. É uma iniciativa que aproxima livros, histórias e pessoas, respeitando e valorizando a riqueza cultural das comunidades quilombolas do Pará. Promover a leitura nesses territórios é reconhecer a leitura como um direito de todos e um instrumento de fortalecimento da identidade, da cidadania e da memória ancestral, preservando saberes e tradições que atravessam gerações", ressaltou.

Ao longo da programação, crianças e adolescentes participaram de rodas de leitura, atividades de produção textual e debates sobre identidade, pertencimento e ancestralidade, fortalecendo o vínculo com a história da comunidade por meio da leitura, da escrita e da valorização dos saberes transmitidos entre gerações.

Texto: Matheus Maciel - Ascom/FCP