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Operação da Polícia Civil do Pará prende 38 investigados por golpe do falso advogado

Mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos em cidades do Ceará durante a operação "Data Venia", coordenada pela Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos

Por Jeniffer Terra (PC)
23/07/2026 19h01

A Polícia Civil do Pará deflagrou, na manhã desta quinta-feira (23), a operação "Data Venia", coordenada pela Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos (DECCC), para combater o golpe do falso advogado. Até o momento, 38 pessoas foram presas em cumprimento a mandados de prisão preventiva, além da execução de 80 mandados de busca e apreensão em municípios do Estado do Ceará.

De acordo com a delegada Vanessa Lee, titular da DECCC, a investigação resultou na instauração de 21 inquéritos policiais, com representação por mandados de prisão preventiva e mais de 100 mandados de busca e apreensão, deferidos pela Vara do Juiz das Garantias da Região Metropolitana de Belém, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA).

"As diligências seguem em andamento no Ceará. Até o momento, foram cumpridos 38 mandados de prisão preventiva e 80 mandados de busca e apreensão nas cidades de Fortaleza, Maracanaú, Caucaia, Pacatuba, Guaiúba, Maranguape, Morada Nova, Juazeiro do Norte, Brejo Santo e Farias Brito. Para o êxito da operação, contamos com o apoio da Polícia Civil do Ceará e do Ministério da Justiça e Segurança Pública", destacou a delegada.

Investigação

Segundo as investigações, os criminosos obtinham informações reais sobre processos judiciais por meio de consultas públicas aos tribunais, redes sociais de escritórios de advocacia e bases de dados vazadas. Em seguida, entravam em contato com as vítimas por aplicativos de mensagens, apresentando-se como advogados e utilizando fotos, logotipos e linguagem jurídica para conferir credibilidade à fraude.

"Eles informam que o processo foi ganho ou que há um alvará liberado e condicionam a liberação dos valores ao pagamento antecipado de taxas, custas ou honorários. Sob pressão e senso de urgência, indicam contas de terceiros para o depósito, alegando que o dinheiro somente será liberado após o pagamento. Também utilizam boletos falsos, comprovantes adulterados e vídeos simulando sistemas bancários para reforçar a fraude", explicou Vanessa Lee.

A delegada informou ainda que, após o registro dos boletins de ocorrência, equipes da DECCC realizaram o cruzamento das informações constantes nos registros policiais, identificando o mesmo modo de atuação em diversos casos.

"Os policiais verificaram que várias ocorrências apresentavam características semelhantes, o que permitiu reunir os fatos em uma única investigação. A partir disso, foram solicitadas as medidas cautelares ao Poder Judiciário, que passaram a ser cumpridas nesta quinta-feira", afirmou.

Cooperação interestadual

Para o delegado-geral da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassuly, a operação demonstra a capacidade investigativa da instituição e a importância da integração entre os órgãos de segurança pública no enfrentamento aos crimes cibernéticos.

"A operação 'Data Venia' representa um marco no combate aos crimes cibernéticos de alcance interestadual, evidenciando que a integração entre as forças policiais e o emprego de inteligência digital permitem alcançar organizações criminosas onde quer que estejam. As investigações buscam interromper a atuação do grupo responsável por lesar centenas de vítimas por meio de falsas promessas de liberação de valores judiciais. Em um dos casos, o prejuízo causado à vítima chegou a R$ 1 milhão", ressaltou.

Orientações à população

A Polícia Civil orienta a população a não realizar pagamentos inesperados para suposta liberação de valores judiciais. A Justiça e advogados regularmente constituídos não solicitam pagamentos antecipados via PIX ou boleto para liberar indenizações.

Em caso de contato suspeito, a recomendação é interromper a conversa e confirmar as informações diretamente com o escritório de advocacia, utilizando os canais oficiais de atendimento.

As investigações continuam com a análise dos dispositivos eletrônicos apreendidos, a identificação de outros envolvidos e o rastreamento dos recursos obtidos por meio das fraudes.