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Theatro da Paz e Teatro Amazonas são reconhecidos como Patrimônio Cultural Mundial pela Unesco

Chancelados como "Teatros da Amazônia", espaços emblemáticos da Belle Époque integram lista global e consolidam a região como polo de produção artística e memória

Por Governo do Pará (SECOM)
27/07/2026 14h47

O Theatro da Paz, em Belém, e o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), agora são reconhecidos como Patrimônio Cultural Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A proposta de reconhecimento foi formalizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), com colaboração das Secretarias de Cultura do Pará e do Amazonas. A junção das duas casas como “Teatros da Amazônia” se deve à história compartilhada como símbolos da Belle Époque, como ficou conhecido o período de extração da borracha no Norte do Brasil, no século XIX.

“O Theatro da Paz, juntamente com o Teatro Amazonas, entra nesse hall seleto de patrimônio mundial, de reconhecimento dessas grandes obras que contribuem para o desenvolvimento e a cultura. É um reconhecimento importantíssimo para termos mais visibilidade e para contribuir com a preservação das nossas casas de espetáculos”, afirma o secretário de Cultura do Pará, Bruno Chagas.

Os dois espaços culturais representam projetos de modernização urbana e inserção da região amazônica nos circuitos artísticos locais. Um elo de ligação entre a Amazônia e a Europa. A partir da abertura dos teatros em 1878 e 1896, que foram duas das primeiras grandes casas de ópera das Américas, diversas companhias europeias passaram a incluir Belém e Manaus em seus itinerários. 

“Os 'Teatros da Amazônia' representam esse expoente da celebração da cultura, não apenas esse intercâmbio cultural entre Amazônia brasileira e a Europa, mas também a questão da disseminação, do acesso à cultura, que sempre esteve alinhada ao conceito de ambos os teatros. Esse reconhecimento é fundamental para a região amazônica, que por muito tempo foi negligenciada e agora tem o devido reconhecimento, com a valorização mundial de dois dos seus expoentes culturais”, finaliza o secretário.

Este é um grande momento para a região Norte, pois o reconhecimento traz mais visibilidade e prestígio para as duas casas de arte, que agora passam a integrar a seleta lista, ao lado de outros locais brasileiros já reconhecidos, como o Plano Piloto de Brasília; o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro; e os centros históricos de Olinda e Salvador. Os dois teatros já eram tombados pelo Iphan desde os anos 1960.

“A inclusão dos teatros da Amazônia na lista do patrimônio cultural mundial da Unesco é importante do ponto de vista do reconhecimento da importância desses teatros para a história dessas duas cidades amazônicas, que são Belém e Manaus, mas é sobretudo importante do ponto de vista do reconhecimento da Amazônia como produtora de cultura, de memória e de várias identidades para além do paradigma do meio ambiente e do patrimônio natural. É também reconhecer sua produção cultural, sua produção artística e os circuitos culturais que os teatros engendram”, diz o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão.

Para Gusmão, a democratização do acesso à cultura impulsiona a produção artística local e nacional, contribuindo ativamente para a construção de um legado que atravessará gerações. Outro ponto positivo é o estabelecimento da região amazônica como produtora cultural. 

“É importante que agora o poder público continue atuando conjuntamente com a sociedade civil, com vistas à gestão compartilhada desses teatros, o Teatro Amazonas e o Teatro da Paz, considerando que a responsabilidade de preservação desses bens para as gerações futuras é de toda a sociedade brasileira. Viva a Amazônia, viva o patrimônio cultural brasileiro, que agora é também patrimônio mundial”, completa Gusmão.

Texto: Yasmin Costa/Ascom Secult