Pará é um dos dois únicos estados com queda nos casos de tráfico de drogas no País
Estado reduziu registros em 2,3% entre 2024 e 2025, aponta o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Com investimentos de quase R$ 1 bi e atuação de bases fluviais, Pará também atingiu aumento de quase 500% nas apreensões de drogas.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), destacou o desempenho do Pará no enfrentamento ao tráfico de drogas. Enquanto 25 dos 27 Estados brasileiros registraram aumento nas ocorrências desse tipo de crime, o Estado foi um dos dois únicos do País a apresentar queda no indicador, com redução de 2,3% entre 2024 e 2025.
O combate ao tráfico de drogas também se reflete na taxa de ocorrências. O Pará registra 60,3 casos por 100 mil habitantes, índice inferior à média nacional, de 97,0 ocorrências. Com esse desempenho, o Estado figura entre as cinco unidades da Federação com as menores taxas de tráfico de drogas do país e se destaca na região Norte por ser o único a reduzir esse indicador nos últimos dois anos.
Dados da Secretária de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) mostram que houve um aumento de 499,81% no número de apreensões de drogas. “Em 2018, foram apreendidas pouco mais de 2,8 toneladas. Mas, com novas estratégias e atuação em pontos específicos, o Estado conseguiu fechar o cerco e chegou a quase 17 toneladas em 2025”, disse o secretário de segurança, Ed-lin Anselmo.
Fiscalizações
Para alcançar esse resultado, as forças de segurança atuam de forma integrada em diferentes frentes. Equipes especializadas de órgãos como as Polícias Militar e Civil realizam fiscalizações permanentes na malha rodoviária do Pará, com abordagens a veículos de passeio, ônibus e caminhões de carga para identificar o transporte de entorpecentes ocultos entre mercadorias ou entre a lataria dos veículos.
As ações também incluem inspeções em bagagens de passageiros de linhas intermunicipais e interestaduais, além da identificação e prisão de pessoas utilizadas pelo tráfico para transportar drogas, conhecidas como "mulas".
Bases Fluviais
Outra estratégia adotada foi a implantação de três Bases Fluviais. A primeira foi a Antônio Lemos, no distrito de mesmo nome, em Breves, na Ilha do Marajó, entregue em 2022, com investimento de R$ 5 milhões. Em 2024, foi entregue a Candiru, instalada no estreito de Óbidos, na região do Baixo Amazonas, ao custo de R$ 8,2 milhões. A terceira é a Baixo Tocantins, em Abaetetuba, de R$ 11,7 milhões.
Juntas, as três Bases Fluviais Integradas foram responsáveis pela apreensão de quase 8 toneladas de entorpecentes somente em 2026, reforçando a estratégia da segurança pública de ampliar o monitoramento e a fiscalização nos principais eixos hidroviários do Estado, utilizados tanto para o deslocamento de pessoas quanto para o transporte de mercadorias e drogas entre municípios paraenses.
Ed-Lin Anselmo explicou que, com as estruturas, mais de 260 mil km² dos rios paraenses são monitorados. “As estruturas estão inseridas nas principais rotas fluviais de grande tráfego de embarcações de carga e passageiros e, estatisticamente, isso acaba favorecendo a atuação de narcotraficantes, que tentam usar essas rotas para transportar os entorpecentes”, explicou o secretário.
Em média, cada base atua com 25 agentes das Polícias Civil, Militar e Federal, do Corpo de Bombeiros, do Grupamento Fluvial de Segurança Pública (GFlu), além de servidores da Secretaria da Fazenda e da Receita Federal (Sefa/Sefaz). Ao todo, as ações operacionais contam com sete lanchas, das quais quatro são blindadas, equipadas com alta tecnologia e capazes de atingir mais de 60 km/h.
As embarcações estão equipadas com radar e câmera termal, permitindo a atuação dos agentes em qualquer horário e possibilitando maior visualização de criminosos nos rios. Já as bases possuem rádios marítimos e digitais, câmeras, radar, além de plataformas de comunicação direta com as comunidades para o recebimento de denúncias, garantindo atuação rápida e o flagrante de crimes.
Modernização da segurança
Nos últimos sete anos, foram destinados quase R$ 1 bilhão na área da segurança, por meio da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará. Os recursos foram aplicados em diversas áreas, como em equipamentos de alta tecnologia, viaturas, armamentos, munições, lanchas rápidas e na implantação das Bases Integradas Fluviais, ampliando a presença do Estado em regiões estratégicas.
Os aportes também contemplaram a modernização dos sistemas de monitoramento, com mais de mil câmeras em funcionamento, além de 100 totens de segurança conectados ao 190 e a aquisição de um novo Centro de Comando e Controle Móvel. O reforço da tecnologia e da infraestrutura ampliou a capacidade de prevenção, resposta rápida e enfrentamento à criminalidade em todo o território paraense.

