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DIA DO ESTUDANTE

Educação Pública no Pará transforma ciência, tecnologia e inovação em oportunidades para estudantes

Investimentos em infraestrutura, educação integral e tecnologia fortalecem projetos que aproximam da pesquisa, estimulam o protagonismo juvenil e ampliam a formação dos alunos da rede pública estadual

Por Roberta Paraense (SECOM)
10/08/2026 17h00

Ser estudante na rede pública estadual do Pará tem significado encontrar novas possibilidades de aprender dentro da escola. Em diferentes regiões do Estado, os alunos participam de projetos de ciência, tecnologia, inovação, sustentabilidade e cultura, desenvolvem pesquisas, criam protótipos e encontram soluções para questões presentes no cotidiano das comunidades onde vivem.

A ampliação dessas experiências faz parte de uma política educacional que vem criando novas condições para a aprendizagem. A rede estadual conta atualmente com mais de 400 mil estudantes matriculados em 978 escolas. Desse total, 199 unidades funcionam em regime de tempo integral, atendendo cerca de 48 mil estudantes.

Para o secretário de Estado de Educação, Ricardo Sefer, garantir novas condições de aprendizagem significa ampliar as oportunidades para que os estudantes desenvolvam diferentes habilidades e tenham uma formação cada vez mais conectada aos desafios do presente e às possibilidades do futuro. 

“Celebrar o Dia do Estudante é reconhecer que toda política educacional precisa ter como centro o aluno e o seu direito de aprender, sonhar e construir novas possibilidades para o futuro. No Pará, estamos trabalhando para que a escola pública seja cada vez mais um espaço de conhecimento, de descoberta e de protagonismo, onde o estudante não seja apenas quem recebe o conhecimento, mas também quem pesquisa, cria, questiona e produz. Os resultados desse trabalho já podem ser vistos nas escolas, onde nossos estudantes estão desenvolvendo projetos, participando de pesquisas e encontrando, na educação, caminhos para transformar suas próprias realidades”, destaca.

Educação integral

Uma dessas estratégias é a educação integral, que amplia o tempo de permanência dos estudantes na escola e abre espaço para atividades que complementam a formação curricular. É nesse período que projetos desenvolvidos por professores e alunos encontram espaço para sair do papel, ganhar forma e chegar a feiras científicas, apresentações, pesquisas e atividades realizadas dentro e fora da escola.

Na Escola Estadual Ruth dos Santos Almeida, em Belém, essa proposta aparece no cotidiano dos estudantes por meio dos Projetos por Afinidade (PPA). As atividades reúnem alunos interessados em diferentes áreas e estimulam a criação de projetos relacionados à ciência, arte, sustentabilidade e inclusão.

A escola mantém iniciativas como o Fazendo Meu Papel, Química Verde, Do Lanche à Terra e Jardim Medicinal. Cada projeto trabalha um tema específico e permite que os estudantes desenvolvam habilidades a partir da experimentação e da participação direta nas atividades.

No Fazendo Meu Papel, coordenado pela professora Durciley Braz, caixas utilizadas na merenda escolar e folhas já utilizadas são reaproveitadas na produção de esculturas, quadros, papel artesanal e marcadores de livros. Criado em 2023, o projeto chegou a ser selecionado entre os dez melhores projetos educacionais do Pará em uma mostra promovida pela Seduc.

A atividade começou com o reaproveitamento de materiais e ganhou novas possibilidades a partir da participação dos estudantes. Eles passaram a experimentar técnicas, produzir peças e apresentar os trabalhos em outros espaços. Para Sofia de Seixas, estudante da 3º série do Ensino Médio, a experiência ajudou a desenvolver habilidades que também fazem parte da vida escolar.

“Sempre gostei de desenhar, mas aqui aprendi novas técnicas e passei a apresentar nossos trabalhos em outros espaços. Isso me ajudou a vencer a timidez e melhorar a forma como me comunico com as pessoas”, conta.

A preocupação com o reaproveitamento de materiais aparece em outros projetos da escola. No Química Verde, coordenado pelo professor Arthur Silveira, resíduos da merenda escolar são utilizados na produção de biofertilizantes para a horta. Os estudantes também desenvolvem telhas com fibras da casca de coco e blocos ecológicos produzidos a partir de resíduos de isopor e poliuretano.

“O projeto mostra que os resíduos podem se transformar em soluções. Os estudantes pesquisam, experimentam e desenvolvem tecnologias sustentáveis que dialogam com a realidade da comunidade”, explica o professor.

Pesquisa científica

O trabalho desenvolvido pelos estudantes ainda se conecta a outras áreas do conhecimento. Os projetos aproximam os alunos da pesquisa científica e criam oportunidades para que eles conheçam instituições de ensino superior e espaços de produção científica.

Foi nesse percurso que o estudante Arthur Richard passou a integrar uma pesquisa em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), como bolsista de iniciação científica júnior. “A escola abriu portas que eu nunca imaginei. Participar dos projetos me fez perceber que pequenas ações podem gerar grandes mudanças e que nós também podemos produzir ciência”, afirmou.

A experiência da Ruth dos Santos Almeida mostra uma característica presente em outras escolas da rede: a aprendizagem ganha novas possibilidades quando o estudante participa da construção do conhecimento. Para que isso aconteça em diferentes territórios, a rede estadual vem ampliando a estrutura disponível para professores e alunos.

Infraestrutura educacional

Na infraestrutura educacional, o governo do Pará já investiu mais de R$ 1,3 bilhão, com 189 escolas reconstruídas. Os recursos contemplam a modernização dos espaços escolares e a criação de ambientes adequados para as atividades pedagógicas.

A conectividade também faz parte dessa expansão. O programa Conecta Educação reúne  mais de R$ 168 milhões em investimentos e levou para a rede 1.660 kits Starlink, 36 mil Chromebooks para estudantes e 17,5 mil para professores, além de 920 gabinetes de armazenamento e recarga. Os equipamentos ampliam o acesso a recursos digitais e criam condições para que os estudantes utilizem tecnologia em atividades de pesquisa e produção.

Em Maracanã, a estrutura criada pela rede estadual é utilizada para aproximar os estudantes da pesquisa científica ligada ao próprio território. O Centro de Inovação e Sustentabilidade da Educação Básica (Ciseb) Izidório Francisco de Souza apoia professores e alunos em projetos relacionados à cultura oceânica, pesca artesanal, monitoramento ambiental, tecnologia e inovação.

O Ciseb faz parte de uma rede formada por 36 Centros de Inovação e Sustentabilidade da Educação Básica no Estado. Os espaços oferecem suporte para atividades de ciência, tecnologia, inovação e sustentabilidade e aproximam os estudantes de metodologias de pesquisa, cultura maker, robótica e outras ferramentas utilizadas na produção de conhecimento.

“O Ciseb atua diretamente na parte tecnológica, na cultura maker, na inovação e na robótica, dando suporte aos projetos de iniciação científica desenvolvidos pelos estudantes. É um grande guarda-chuva para que professores e alunos possam desenvolver suas pesquisas aqui na Amazônia”, afirmou o professor Hericson Raiol.

Em Maracanã, as pesquisas começam a partir de perguntas relacionadas à realidade observada pelos próprios estudantes. Gabriela, bolsista de iniciação científica júnior, desenvolve uma pesquisa sobre carbono azul e monitoramento de queimadas na Amazônia a partir de dados de satélite.

Conexão com saberes tradicionais

A escola também participa do projeto Jovem Cientista da Pesca Artesanal, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), com bolsas concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Seis estudantes participam da iniciativa e desenvolvem pesquisas sobre pesca artesanal e conservação dos ecossistemas estuarinos.

Os trabalhos envolvem a criação de sensores e estações de baixo custo para monitoramento da água, com medição de temperatura, turbidez e pH. Os estudantes desenvolvem ainda protótipos com robótica, eletrônica e programação. As pesquisas utilizam metodologias como STEAM e Design Thinking e partem de problemas identificados no próprio território.

A produção científica dos alunos também começa a ultrapassar os limites da escola. Gabriela Bezerra, da 3º série do Ensino Médio, foi selecionada como Jovem Embaixadora Mirim Pop Ciência, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A estudante participa de olimpíadas e feiras científicas desde o Ensino Fundamental.

Em Santo Antônio do Tauá, a tecnologia entra na sala de aula a partir de uma experiência desenvolvida pelos próprios estudantes. No Ciseb Tauá, instalado na Escola Estadual Celso Rodrigues, alunos das escolas Celso Rodrigues e Inácio Moura participaram da criação do “ABO Pai d’égua”, recurso educacional digital voltado ao ensino da tipagem sanguínea.

O aplicativo foi desenvolvido pelos estudantes Lenilson Pinto Soares, Josué Nascimento da Silva e Pedro Vitor dos Santos Lima, com participação da equipe do CISEB e articulação com a área da saúde. A ferramenta funciona como um laboratório virtual, no qual os usuários podem manipular amostras e reagentes virtuais, observar a ocorrência de aglutinação e identificar os tipos sanguíneos.

O recurso reúne modos de simulação, diagnóstico livre, comparação de tipos sanguíneos e uma atividade gamificada, além de quizzes e do jogo “Hemácia Runner”. A plataforma também conta com ferramentas de acessibilidade, como alto contraste, ajuste de fontes, navegação por teclado, compatibilidade com leitores de tela e suporte a diferentes tipos de daltonismo. O aplicativo pode ser utilizado em computadores, celulares, tablets e Chromebooks.

Pedro Vítor participou do desenvolvimento e da apresentação do projeto para outros estudantes. A experiência permitiu que ele aprendesse o conteúdo e assumisse a função de explicar o funcionamento da ferramenta aos colegas.

“Eu não sabia quem era o doador universal e nem o receptor universal. Aprendi também que é preciso ter muita atenção com os reagentes e em cada etapa. Apresentar o projeto foi muito satisfatório, principalmente quando vi alunos que não sabiam como funcionava e, depois da explicação, conseguiram fazer o passo a passo”, relatou.

Segundo o professor Carlos Junho, formador do Ciseb Tauá, o aplicativo foi desenvolvido em parceria com a Unidade Básica de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde de Santo Antônio do Tauá.

“A ferramenta simula como ocorre a tipagem sanguínea. No modo de simulação, o aluno escolhe o tipo sanguíneo e o aplicativo mostra o comportamento das hemácias. No diagnóstico livre, ele identifica o tipo sanguíneo a partir desse comportamento. Também pode comparar diferentes tipos e testar seus conhecimentos na gamificação”, explicou.

O professor Fábio Jorge destaca que a participação dos alunos na construção da ferramenta faz parte da proposta desenvolvida no Ciseb. “Quando incentivamos os alunos a elaborar o aplicativo, apresentar o projeto e colocar a mão na massa, a aprendizagem acontece. É justamente isso que o Ciseb promove”, afirmou.

Suporte em todos os campos

As experiências desenvolvidas em Belém, Maracanã e Santo Antônio do Tauá apresentam diferentes caminhos encontrados pelos estudantes para aprender e produzir conhecimento. Em uma escola, materiais descartados são transformados em produtos e pesquisas sobre sustentabilidade. Em outra, a realidade amazônica orienta estudos sobre pesca, queimadas e qualidade da água. Em outra, um conteúdo de Biologia se transforma em uma ferramenta digital desenvolvida pelos próprios alunos.

Esses projetos fazem parte de uma rede que vem ampliando os espaços e as ferramentas disponíveis para a aprendizagem. A educação integral cria tempo para as atividades, os investimentos em infraestrutura mordenizam os ambientes escolares, a conectividade aproxima os estudantes da tecnologia e os Cisebs oferecem suporte para projetos de ciência, inovação e sustentabilidade.

A experiência chega ao estudante na forma de participação. Ele pesquisa, testa, desenvolve, apresenta, explica e compartilha o que aprendeu. O conhecimento passa a circular entre a sala de aula, o laboratório, os projetos, as feiras científicas e a comunidade.

No Dia do Estudante, as iniciativas desenvolvidas nas escolas estaduais mostram uma rede pública que amplia as possibilidades de formação e cria condições para que os jovens desenvolvam seus interesses e habilidades. Em diferentes territórios do Pará, os estudantes encontram espaço para transformar ideias em projetos, problemas em pesquisas e conhecimentos em soluções.

É nessa experiência cotidiana que a política educacional se traduz em oportunidades. A escola passa a ser espaço de aprendizagem, pesquisa, criação e participação, fortalecendo a formação dos estudantes e ampliando os caminhos que eles podem construir a partir da educação pública.

Texto de Amanda Castro - Ascom/Seduc