Alunos do Curro Velho assistem ao espetáculo “Fafá de Belém – O Musical” no Theatro da Paz
Ação de democratização do acesso à cultura levou cerca de 50 estudantes, servidores e integrantes da comunidade a uma sessão especial do espetáculo
Alunos, servidores e integrantes da comunidade vinculada ao Núcleo de Oficinas Curro Velho participaram, no último sábado, de uma sessão especial do espetáculo “Fafá de Belém – O Musical”, em cartaz no Theatro da Paz, em Belém. Ao todo, cerca de 50 pessoas acompanharam a apresentação, que narra a trajetória artística e pessoal de uma das principais intérpretes da música brasileira.
A iniciativa integrou a contrapartida social da produção do musical e possibilitou o acesso gratuito de integrantes da comunidade do Curro Velho a uma grande produção cultural. O convite foi articulado pela atriz paraense Naieme, integrante do elenco do espetáculo, em parceria com a produção.
A mobilização teve início ainda em julho e foi intensificada no começo de agosto, com o retorno das atividades do Curro Velho após o período de férias. De acordo com a coordenadora da Diretoria de Oficinas de Criação, Capacitação, Inclusão e Arte (DOCCIA), Celeste Iglesias, foram disponibilizados ingressos para a comunidade, com prioridade para estudantes envolvidos nas oficinas de música, teatro e dança.
“A Naieme entrou em contato comigo para informar que a produção disponibilizaria ingressos como parte da contrapartida social do espetáculo. Recebemos a informação de que havia ingressos destinados à comunidade do Curro Velho e iniciamos a mobilização para levar nossos alunos e servidores. Priorizamos os estudantes das oficinas de música, teatro e dança, especialmente aqueles que participam dos Autos Junino e Natalino, porque assistir a um musical dessa dimensão representa uma experiência artística muito importante para eles”, explicou Celeste.
A ação também contou com o apoio da Fundação Cultural do Pará (FCP), que disponibilizou transporte para o deslocamento do grupo até o Theatro da Paz. Para parte dos participantes, a atividade representou a oportunidade de conhecer ou retornar a um dos principais espaços culturais do Pará e acompanhar de perto uma produção de grande porte.
Experiência compartilhada entre gerações
Entre os participantes estavam Regiane Pimentel e a filha, Sofia Pimentel, de 10 anos, que integram as atividades do Curro Velho. Regiane participa há mais de três anos do grupo de mães e crianças envolvido nas programações dos Autos Junino e Natalino.
Para ela, a oportunidade de assistir ao musical representa também uma forma de prestigiar a cultura paraense e conhecer uma produção que valoriza a identidade amazônica.
“Fiquei muito feliz de poder participar desse momento e prestigiar a cultura e a arte em um teatro tão lindo. O espetáculo traz um pouco da história de vida da Fafá e também da cultura que ela leva do nosso estado para outros lugares. Foi muito prazeroso acompanhar toda a produção, os figurinos, os cantores e o elenco”, afirmou.
Sofia, que já havia visitado o Theatro da Paz anteriormente para assistir a outro espetáculo, contou que a apresentação contribuiu para ampliar seu conhecimento sobre a cantora paraense.
“Eu adorei a experiência porque não conhecia muito a Fafá de Belém. Com a apresentação da história de vida dela, consegui aprender mais sobre a artista e conhecer melhor as culturas que ela representa. A história dela é muito bonita e eu adorei poder aprender mais sobre ela”, contou.
A estudante também encontrou semelhanças entre o musical e as experiências artísticas desenvolvidas no Curro Velho, especialmente nos Autos Junino e Natalino.
“Eu achei parecido porque, no Curro Velho, a gente fala sobre algumas culturas de Belém e, aqui, o espetáculo também fala sobre coisas da nossa cidade. Os dois valorizam a cultura”, destacou Sofia.
Teatro como espaço de formação
A experiência também marcou a trajetória de Célia Santos, de 67 anos, integrante do grupo de dança dos Autos Junino do Curro Velho. Pela primeira vez no Theatro da Paz, ela descreveu a noite como uma experiência de aprendizado e inspiração.
“Foi tudo muito lindo e gratificante. Ver uma produção desse tamanho é um grande aprendizado. Fiquei encantada com os figurinos, a iluminação e toda a estrutura do espetáculo. Nunca imaginei que pisaria no palco de um teatro como este, e hoje saio daqui realizada e muito feliz”, relatou.
Participante das atividades do Curro Velho há mais de cinco anos, Célia acredita que o contato com a produção profissional poderá contribuir para o trabalho desenvolvido nas oficinas e nos grupos artísticos.
É importante reforçar o papel da cultura como ferramenta de formação, inclusão e transformação social Ao aproximar estudantes, trabalhadores e integrantes da comunidade de grandes produções artísticas, iniciativas como essa ampliam o acesso a espaços culturais e proporcionam novas referências para quem está em processo de formação artística.
Texto de: Maurício Carvalho / Ascom FCP.

