Oficina reúne gestores de maternidades para fortalecer assistência materno-infantil no Pará
Atividade realizada pela Sespa e Ministério da Saúde integra programação do Agosto Dourado e prepara estabelecimentos para avançar na Iniciativa Hospital Amigo da Criança
Gestores de maternidades de diferentes regiões do Pará participaram, nesta terça-feira (11), da oficina piloto “Fortalecimento e Sustentação da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC): um curso para gestores”. Realizada no Centro de Ensino e Treinamento em Saúde (CETS), da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, a atividade integra a programação do Agosto Dourado, e reforça as estratégias para qualificar a assistência à mulher e à criança, com atenção especial à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno.
A oficina é uma iniciativa do Ministério da Saúde, realizada no Pará em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), por meio da Coordenação Estadual de Saúde da Criança. O encontro contou ainda com a participação do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Pará (Cosems) e reuniu representantes de hospitais estaduais, municipais e privados que possuem maternidades.
Gestão reforça cuidados - Conduzida pelas representantes do Ministério da Saúde Rosana de Divitiis e Priscila Ollin, a programação foi estruturada para envolver diretamente os gestores na discussão sobre os desafios enfrentados pelas unidades e as mudanças necessárias para avançar na implementação da Iniciativa Hospital Amigo da Criança. Ao longo do dia, foram abordados temas como os benefícios da amamentação, diagnóstico situacional dos serviços, custos e economias, processo de credenciamento na IHAC, planejamento e perspectivas para mudanças nas instituições.
Criada em 1991 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a Iniciativa Hospital Amigo da Criança estimula maternidades a adotarem práticas reconhecidas por contribuir para o aleitamento materno e para a melhoria da atenção durante o parto, nascimento e período neonatal. No Brasil, a estratégia estabelece, entre outros critérios, o cumprimento dos Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno e de práticas voltadas ao cuidado humanizado da mulher e do recém-nascido.
Para a coordenadora estadual de Saúde da Criança e Aleitamento Materno da Sespa, Ana Guzzo, sensibilizar quem está à frente das maternidades é fundamental para que essas práticas sejam incorporadas à rotina dos serviços e permaneçam como política institucional.
“A Iniciativa Hospital Amigo da Criança tem uma importância muito grande para o aleitamento materno, para a saúde da criança e também para a saúde da mulher. A proposta é que o hospital não seja apenas amigo da criança, mas também amigo da mulher. Estamos falando de qualificar um momento crucial, que é o nascimento, garantindo boas práticas no parto e nascimento, o contato pele a pele e o incentivo à amamentação desde as primeiras horas de vida”, destacou Ana Guzzo.
A coordenadora ressaltou ainda que as evidências científicas demonstram os benefícios da assistência prestada em unidades que seguem os princípios da iniciativa, especialmente para o início e a manutenção do aleitamento materno. A recomendação é que a criança receba exclusivamente leite materno até os seis meses de vida e que a amamentação continue, associada à alimentação complementar adequada, até os dois anos ou mais.
“Queremos que os hospitais com maternidade trabalhem dentro dessa iniciativa. Quando uma unidade cumpre os 10 Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno, ela passa a olhar para todo o cuidado: desde suas rotinas e as boas práticas de parto e nascimento até a forma como esse bebê é recebido e como a mãe é apoiada para amamentar. É um conjunto de ações que fortalece a promoção, a proteção e o apoio ao aleitamento materno e contribui para uma assistência mais segura e humanizada”, acrescentou Ana Guzzo.
Trocas de experiências - Entre os participantes estava a nutricionista Isabela Aquino, coordenadora da equipe multiprofissional do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, em Icoaraci. A unidade busca avançar no processo para obtenção da certificação, e vê na troca de experiências com outros serviços uma oportunidade para aperfeiçoar suas práticas.
“Quando a gente fala da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, estamos falando de promoção da saúde tanto para a mãe quanto para a criança. Nossa expectativa é adquirir conhecimento e entender como podemos melhorar cada vez mais. O Hospital Abelardo Santos está buscando essa certificação, então estar aqui, ao lado inclusive de hospitais que já passaram por esse processo, traz a motivação e o conhecimento necessários para continuarmos avançando”, avaliou Isabela.
A busca pelo fortalecimento da iniciativa também envolve unidades da rede privada. Para Marcelo Caiafa, gerente médico de Qualidade da Hapvida, a oficina oferece ferramentas importantes para apoiar a implantação das práticas preconizadas pela IHAC nas maternidades da rede. “É muito importante avançarmos com essa implantação não apenas no Hospital Layr Maia, mas também em outros hospitais da Hapvida. Viemos buscar ferramentas e entender como podemos conduzir esse processo da melhor forma, aprimorando cada vez mais as práticas dentro das nossas unidades. Temos uma expectativa muito positiva de avançar e conseguir certificar nossos hospitais como Amigos da Criança”, destacou Marcelo.
A participação de unidades de diferentes regiões também permite que as discussões considerem as particularidades da assistência materno-infantil em um estado com as dimensões territoriais do Pará. Para Ricardo Arruda, diretor-geral do Hospital Regional Público do Araguaia, em Redenção, a capacitação pode contribuir diretamente para aprimorar a assistência oferecida no sul paraense. “A iniciativa é muito importante para a qualificação dos nossos hospitais. Estamos em Redenção, no sul do Pará, em uma região com uma grande demanda, e o nosso hospital é referência para gestação de alto risco. Esperamos que a oficina contribua para qualificar ainda mais o serviço e para a harmonização da assistência que ofertamos à população”, disse Ricardo.
Além do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, do Hospital Regional Público do Araguaia e do Hospital Layr Maia, foram convidados para a oficina gestores do Hospital Regional Materno-Infantil de Marabá, Hospital Regional de Salinópolis, Hospital Regional de Cametá, Hospital Regional de Abaetetuba, Hospital Municipal de Dom Eliseu, Hospital Municipal de Ourilândia do Norte, Hospital Municipal de Paragominas e Hospital Estadual Materno-Infantil de Ananindeua Anita Gerosa.
A oficina também faz parte do processo de atualização e fortalecimento da Iniciativa Hospital Amigo da Criança no Brasil, conduzido pelo Ministério da Saúde em parceria com as secretarias estaduais. Por se tratar de uma atividade piloto, a experiência dos participantes e as discussões realizadas durante o encontro também contribuem para o aperfeiçoamento da estratégia destinada aos gestores hospitalares.
Entre os pontos trabalhados estão ainda o respeito à Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL), as boas práticas durante o trabalho de parto, a presença de acompanhante de livre escolha da mulher, o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê e a adoção de rotinas que favoreçam o aleitamento materno.
A realização da oficina, durante o Agosto Dourado, reforça a importância da atuação conjunta entre gestão e equipes assistenciais para transformar as práticas dentro das maternidades. A programação do mês chama atenção para o valor do leite materno e para a necessidade de uma rede de apoio que permita às mulheres iniciar e manter a amamentação.
Texto: Giullianne Dias / Ascom Sespa

