Policlínica Carajás orienta colaboradores sobre combate à violência contra a mulher
Palestra promovida em Marabá em parceria com a Polícia Civil detalhou direitos e ensinou equipes de saúde a identificar sinais de abuso em atendimentos
Nem toda violência deixa marcas visíveis. Algumas chegam em silêncio, disfarçadas de mudanças de comportamento, no medo e em histórias que, muitas vezes, levam tempo até encontrar voz. Foi a partir dessa reflexão que a Policlínica Carajás, em Marabá, realizou, na segunda-feira (17), ação educativa do projeto Saúde em Foco, em alusão ao Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher.
Voltada aos colaboradores da unidade, a programação transformou o ambiente de trabalho em espaço de informação, escuta e reflexão sobre uma realidade que também pode chegar aos serviços de saúde de maneira silenciosa. A iniciativa contou com o apoio da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Marabá, da Polícia Civil do Pará, e teve como convidada a delegada Bianca Vieira, que conduziu a palestra.
Durante o encontro, foram abordadas as diferentes formas de violência contra a mulher, os mecanismos de proteção, os caminhos para denúncia e os sinais que podem ajudar a identificar situações de violência que nem sempre são reveladas de imediato.
A Lei Maria da Penha também foi apresentada durante a palestra, com orientações sobre os direitos assegurados às mulheres em situação de violência e os mecanismos de proteção previstos na legislação. O momento ajudou a aproximar o conteúdo da lei de situações que podem ser reconhecidas no cotidiano.
“Falar sobre violência contra a mulher é também mostrar que existem caminhos de proteção e que nenhuma mulher precisa enfrentar essa situação sozinha. Quanto mais informação circula, maiores são as possibilidades de romper ciclos de violência e fortalecer a rede de apoio”, destacou Bianca Vieira.
A delegada também chamou atenção para o papel dos profissionais de saúde, que muitas vezes ocupam uma posição privilegiada para perceber sinais que não são verbalizados pela vítima. “Em um atendimento, pequenos sinais podem despertar a atenção do profissional. Uma escuta cuidadosa, sem julgamentos, e uma orientação feita com responsabilidade podem representar um primeiro passo para que essa mulher se sinta acolhida e busque ajuda”, acrescentou.
Quando o cuidado também começa pela escuta
Para a colaboradora Sara Sousa, a atividade mostrou que o cuidado também passa pela capacidade de perceber, ouvir e orientar. “A palestra trouxe situações que, às vezes, passam despercebidas no dia a dia. Foi importante entender que podemos contribuir não apenas com informação, mas também sabendo ouvir, acolher e orientar da maneira correta quando percebemos que alguém precisa de ajuda”, afirmou.
O diretor-executivo da Policlínica Carajás, Joabe Lopes, destacou que o projeto Saúde em Foco amplia a formação dos colaboradores ao trazer para o ambiente de trabalho temas que ultrapassam a rotina técnica, mas estão diretamente ligados à realidade das pessoas atendidas na unidade.
“Cuidar da saúde também passa por compreender as realidades que podem estar por trás de cada atendimento. Quando proporcionamos momentos como este, ampliamos o olhar dos nossos profissionais e reforçamos uma cultura de respeito, acolhimento e responsabilidade dentro e fora da unidade”, ressaltou.
Ao final do encontro, ficou uma mensagem que ultrapassa os limites da própria unidade: enfrentar a violência contra a mulher não é responsabilidade apenas dos órgãos de segurança. Também passa pela informação, pela escuta e pela capacidade de reconhecer aquilo que, muitas vezes, não é dito. Em um serviço de saúde, onde tantas histórias chegam primeiro pelo corpo, saber enxergar além do sintoma também é uma forma de cuidar.
Texto: Ascom Policlínica Carajás

