Adepará interdita abatedouro clandestino e apreende 360 quilos de carne suína em Jacundá
Operação do Gatto identificou condições sanitárias inadequadas e retirou do mercado produtos sem inspeção oficial, em ação de combate ao abate clandestino no município
A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), por meio do Grupo Agropecuário Técnico Tático e Operacional (Gatto), interditou um abatedouro clandestino de suínos e apreendeu 360 quilos de carcaças sem inspeção sanitária, durante ação realizada nos dias 19 e 20 de agosto, no município de Jacundá, no sudeste do Pará.
A operação integra as ações permanentes de combate ao abate clandestino e teve como objetivo impedir que produtos de origem animal sem controle higiênico-sanitário chegassem ao consumidor. A fiscalização foi coordenada pelo médico-veterinário e fiscal estadual agropecuário Gustavo Amaral. Também participaram da ação o fiscal estadual agropecuário César Augusto Lopes e os agentes fiscais agropecuários Daniel Silva e José Nobre Júnior.
A intervenção teve origem em procedimento instaurado pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), após vistorias realizadas pelo Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Jacundá.
Durante a fiscalização, realizada em um imóvel localizado no bairro Santa Rita, a equipe constatou que o abate era realizado em instalações precárias, construídas em madeira e sem registro no Serviço de Inspeção Estadual (SIE) ou em qualquer outro serviço oficial de inspeção.
Os fiscais também identificaram condições inadequadas de processamento, como abate realizado diretamente no solo, ausência de fluxo sanitário, aquecimento de água em tambores expostos à fuligem e descarte irregular de sangue e efluentes a céu aberto.
Diante das irregularidades e da grave violação às normas de defesa sanitária animal e de inspeção de produtos de origem animal, o responsável pelo estabelecimento foi autuado. Os 360 quilos de carcaças apreendidas foram inutilizadas no local, impedindo que a carne fosse comercializada e consumida pela população.
Risco à saúde pública
O fiscal Gustavo Amaral ressalta que a comercialização de produtos provenientes de abatedouros clandestinos representa risco à saúde pública, uma vez que a ausência de inspeção oficial impede a avaliação adequada das condições sanitárias dos animais e da carne produzida.
“Nos estabelecimentos regularizados, os exames ante mortem e post mortem são realizados por profissionais habilitados, permitindo identificar doenças e alterações que possam comprometer a segurança do alimento. Sem esse controle, aumenta o risco de transmissão de doenças e de ocorrência de toxinfecções alimentares, incluindo enfermidades como cisticercose, triquinose e infecções por Salmonella.Além disso, as condições inadequadas de manipulação e processamento observadas no local podem favorecer a contaminação microbiológica dos produtos”, explicou.
Orientação ao consumidor
A Adepará orienta a população a não adquirir carnes e outros produtos de origem animal sem identificação de procedência ou que apresentem condições que levantem dúvidas quanto à segurança e à qualidade.
Na hora da compra em feiras, supermercados e açougues, o consumidor deve verificar a presença de selo oficial de inspeção na embalagem ou no produto. Entre as identificações reconhecidas estão o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), Serviço de Inspeção Estadual (SIE), SIE Artesanal, Serviço de Inspeção Federal (SIF) e o Selo ARTE.
A população também pode contribuir para o combate ao abate clandestino denunciando locais suspeitos de abate, processamento ou comercialização irregular de produtos de origem animal. As denúncias podem ser encaminhadas às unidades locais da Adepará ou pelos canais oficiais da Ouvidoria, que constam no site.
“A atuação da Agência busca fortalecer a defesa sanitária animal, ampliar o controle sobre a cadeia de produtos de origem animal e garantir que alimentos comercializados no Pará atendam aos requisitos de segurança e qualidade estabelecidos pela legislação”, ressaltou o veterinário.
Ascom/Adepará

