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SAÚDE E ACOLHIMENTO

Policlínica Lago de Tucuruí oferece suporte psicológico e acolhimento para famílias de crianças autistas

Atendimento no Natea fortalece a saúde emocional de pais e cuidadores durante o acompanhamento do desenvolvimento infantil

Por Roberta Paraense (SECOM)
26/08/2026 15h06

O diagnóstico de autismo pode trazer respostas para uma família, mas também dar início a uma fase marcada por dúvidas, descobertas e novos aprendizados. “Como será daqui para frente?”, “Meu filho vai conseguir se desenvolver?” e “Será que estou fazendo o suficiente?” estão entre as perguntas que podem surgir quando pais e familiares começam a compreender essa nova realidade.

No Natea da Policlínica Lago de Tucuruí, a Psicologia acompanha as famílias ao longo desse processo. O trabalho envolve não apenas a criança autista, mas quem está ao lado dela diariamente, oferecendo escuta e orientação para que a família compreenda suas necessidades, comportamentos e potencialidades. Em alusão ao Dia do Psicólogo, celebrado em 27 de agosto, a psicóloga Carolina Santana de Souza explica que medo, insegurança, ansiedade e preocupação com o futuro são sentimentos frequentes entre os familiares que chegam ao atendimento. “Cada família vivencia esse momento de uma maneira particular. Não existe uma forma única de reagir ao diagnóstico. O papel da Psicologia é oferecer um espaço de escuta e acolhimento para que a família possa compreender esse momento sem julgamentos ou culpabilização”, destacou.

Entre os sentimentos que podem acompanhar esse processo está a culpa. Alguns pais questionam se poderiam ter percebido os sinais antes ou se fizeram algo que pudesse ter provocado as dificuldades apresentadas pela criança. “O autismo não é resultado de uma falha dos pais na criação da criança. Buscamos acolher esses sentimentos, oferecer informação correta e ajudar a família a olhar para aquilo que pode ser construído, conhecer melhor o filho, identificar suas necessidades e buscar os apoios necessários”, explicou a psicóloga.

Compreender para acolher

No acompanhamento, compreender o comportamento da criança ajuda a ampliar as possibilidades de cuidado. Algumas reações podem revelar necessidades que ela ainda não consegue expressar de outra maneira. Choro, irritação ou tentativa de fugir de determinadas situações, por exemplo, podem estar relacionados a desconfortos, dificuldades de comunicação ou necessidades específicas.

Para a psicóloga, observar o que acontece antes e depois dessas reações pode ajudar a família a encontrar estratégias mais adequadas para o cotidiano. “Cada criança possui uma história, habilidades, dificuldades e necessidades próprias. Por isso, a orientação deve considerar suas características individuais, evitando generalizações”, ressaltou Carolina.

A profissional explicou ainda que, no dia a dia, os desafios podem aparecer em diferentes situações, como alimentação, sono, comunicação, autonomia, convivência social, rotina escolar ou mudanças de comportamento. Nesses casos, a Psicologia contribui para identificar o que pode estar por trás dessas dificuldades e, junto à família, construir estratégias que tornem a rotina mais previsível e adequada às necessidades da criança.

O acompanhamento não acontece de forma isolada. Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e outras áreas podem atuar de maneira integrada, somando diferentes olhares para definir objetivos individualizados, sempre com a participação ativa da família. “A família conhece a rotina e a história da criança de uma maneira que nenhum profissional consegue conhecer sozinho. Quando os profissionais dialogam e os familiares participam desse processo, conseguimos construir objetivos mais individualizados e coerentes com as necessidades reais da criança”, afirmou a psicóloga.

Cuidar de quem cuida

Nesse processo, o cuidado não pode alcançar apenas a criança. Pais e cuidadores também precisam ser vistos e acolhidos. A rotina de consultas, terapias e responsabilidades pode fazer com que muitos deixem as próprias necessidades em segundo plano. “Cuidar de quem cuida também é uma forma de cuidado com a criança. Quando o cuidador encontra espaço para falar sobre suas emoções, descansar, buscar apoio e cuidar da própria saúde emocional, isso pode favorecer uma relação familiar mais equilibrada”, explicou a psicóloga.

Para Carolina, pedir ajuda não representa falta de dedicação. Reconhecer os próprios limites e buscar suporte também faz parte do cuidado. Aos pais que acabaram de receber o diagnóstico do filho e ainda não sabem por onde começar, a psicóloga reforça que não é preciso ter todas as respostas de uma só vez. “Conheçam o filho que vocês têm, suas habilidades, seus interesses, suas dificuldades e suas potencialidades. E, principalmente, não reduzam seu filho ao diagnóstico. Antes de qualquer diagnóstico, existe uma criança com uma história, uma personalidade, desejos, sentimentos e possibilidades de desenvolvimento”, concluiu.

Na Policlínica Lago de Tucuruí, o acompanhamento psicológico reforça que, para além de compreender um diagnóstico, é preciso enxergar cada criança para além dele. Nesse caminho, acolher a família também significa fortalecer vínculos e construir, junto com ela, caminhos possíveis para o desenvolvimento infantil.

Texto: Ascom/Policlínica Lago de Tucuruí